A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul participou da abertura da exposição No Olho da Rua, realizada no Memorial da Resistência de São Paulo (Largo General Osório, 66 – Santa Ifigênia, São Paulo/SP).  

A mostra reúne fotografias de Sato do Brasil, com curadoria da pesquisadora Juliana Caffé, e propõe um percurso por uma década de mobilizações, manifestações culturais, ocupações e atos políticos que marcaram as ruas de São Paulo entre 2015 e 2025. A exposição está disponível até 28 de março de 2027 com entrada gratuita.  

“É muito louco ver imagens de mais de dez anos juntas, impressas, na parede. Tentei contar as histórias como elas foram, mas, olhando para as imagens, lembro de tanta coisa mais: histórias, vidas, relacionamentos, gente que se foi, gente que cresceu, gente que passei a amar. Tanta luta, tantos confrontos absurdos, cor, fumaça, bomba; muitos cantos, berros e silêncio também. Jornalistas Livres, casadalapa, Birico, Frente 3 de Fevereiro, Condô Cultural, Aparelhamento e tantos outros. Agradeço a todo mundo que esteve comigo nessa viagem, que sempre foi coletiva e imensidão. Me fizeram me perder da solidão. Venham conhecer um pouco mais desse pequeno canto de um mundo que é muita gente”, conta Sato. 

As imagens reunidas ajudam a contar a história recente de lutas por democracia, moradia, educação, justiça racial, direitos das mulheres, direitos da população LGBTQIAPN+, proteção dos territórios indígenas, cultura e enfrentamento à violência de Estado.  

Ao registrar corpos, cartazes, faixas, performances, cortejos, assembleias e encontros coletivos, a exposição evidencia a centralidade das ruas como espaço de participação social, disputa de narrativas e exercício da liberdade de expressão. 

“O direito ao protesto é parte essencial da vida democrática. Em contextos de desigualdade, criminalização de movimentos sociais e avanço de discursos autoritários, proteger essas formas de expressão é também proteger a possibilidade de construção e defesa coletiva de direitos. Documentar protestos, proteger comunicadores e garantir a segurança de manifestantes são dimensões concretas da defesa da liberdade de expressão”, explica Maria Tranjan, coordenadora de Proteção e Participação Democrática da ARTIGO 19. 

Essa perspectiva dialoga diretamente com a publicação Exercendo Direitos em Protestos, produzida pela ARTIGO 19 no âmbito da campanha #LivreParaProtestar. O material reforça que os protestos são uma ponte entre pessoas e direitos, reunindo informações jurídicas e recomendações práticas para apoiar indivíduos, coletivos, comunicadores e movimentos sociais antes, durante e depois de manifestações.  

Além das fotografias, a exposição é acompanhada por um mapeamento de coletivos e movimentos sociais realizado por Sato do Brasil a partir das mobilizações presentes na mostra.  

O levantamento evidencia uma parte da rede que sustenta essas ações no espaço público paulista e reúne iniciativas artísticas, culturais, populares, territoriais, antirracistas, feministas, estudantis, de moradia, comunicação independente e defesa de direitos que, ao longo da última década, ajudaram a produzir memória, presença e disputa democrática nas ruas. 

A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul reforça que defender a liberdade de expressão é reconhecer e proteger a potência das vozes, imagens e coletividades que ocupam as ruas para denunciar violações, reivindicar justiça e imaginar outros futuros possíveis. A arte, quando encontra o protesto, torna-se linguagem de resistência, memória coletiva e afirmação democrática.  

Durante o Future Affairs Forum Rio 2026, conferência internacional organizada pela Delegação da União Europeia no Brasil em parceria com o Museu do Amanhã, a ARTIGO 19 Brasil e América do Sul participou da construção de espaços de diálogo sobre futuros possíveis nas relações entre Brasil, América Latina e União Europeia. 

Realizado nos dias 22 e 23 de junho, no Rio de Janeiro, o encontro reuniu especialistas, formuladores de políticas públicas, artistas, representantes da sociedade civil e lideranças jovens para discutir inovação, inteligência artificial, crise climática, trabalho, democracia e cooperação internacional. 

Como parte dessa agenda, a ARTIGO 19 organizou oficinas comunitárias paralelas voltadas a conectar representantes de organizações de base, coletivos, laboratórios cidadãos, comunicadoras, artistas, educadoras, pesquisadoras, juventudes e comunidades a debates internacionais sobre tecnologia, direitos e democracia.  

A proposta partiu de uma premissa central: os futuros não estão apenas por vir — eles já estão sendo construídos no presente, nos territórios, nas periferias, nas escolas, nas redes livres, nas aldeias, nas favelas, nas rádios comunitárias, nos laboratórios cidadãos e nas práticas coletivas de cuidado. 

A Carta-manifesto por Futuros Comuns nasce desse processo. O documento é apresentado como um protótipo aberto a contribuições e assinaturas, reunindo diagnósticos, princípios e propostas concretas para que a cooperação internacional deixe de financiar apenas vitrines comerciais de futuro e passe a fortalecer iniciativas populares que já sustentam a vida, a comunicação, a democracia e a inovação social. 

O manifesto dialoga diretamente com desafios do nosso tempo: a concentração de poder nas grandes plataformas, a opacidade dos algoritmos, o uso predatório de dados, os impactos socioambientais da infraestrutura digital, a automação sem proteção social e a tendência de tratar territórios do Sul Global como campos de teste, mercados consumidores ou reservas de dados, energia e minérios. 

Em resposta, a carta afirma a importância da tecnodiversidade, dos bens comuns, do software livre, das redes federadas, da comunicação pública e comunitária, da geração cidadã de dados, da memória coletiva e das tecnologias ancestrais, digitais, analógicas, negras, indígenas e periféricas. O documento reivindica políticas públicas e mecanismos de cooperação à altura das iniciativas que já existem nos territórios, com reconhecimento, financiamento, infraestrutura, proteção e continuidade. 

Entre as propostas apresentadas estão:  

  • criação de um comitê participativo amplo e diverso para incidir nos programas de cooperação Brasil–União Europeia; 
  • destinação de orçamentos específicos e não reembolsáveis para iniciativas tecnológicas lideradas por grupos historicamente vulnerabilizados;  
  • fortalecimento de organizações comunitárias e instituições públicas de pesquisa;  
  • formações tecnopolíticas acessíveis;  
  • plataforma transparente e multilíngue de oportunidades de financiamento; 
  • diagnósticos participativos sobre impactos da infraestrutura digital;  
  • apoio à participação de lideranças do Sul Global em fóruns internacionais;  
  • criação de um Fundo para Soberania Digital com infraestruturas comunitárias e sustentáveis de código aberto. 

Assinada por 40 organizações participantes das oficinas comunitárias, a carta convoca autoridades, organismos internacionais e instituições públicas a escutar, investir, proteger e caminhar junto com quem já pratica futuros comuns no agora.  

Para a ARTIGO 19, esse chamado reforça que liberdade de expressão, acesso à informação, participação social e justiça digital são dimensões inseparáveis da construção de tecnologias democráticas e de políticas de futuro comprometidas com direitos humanos. 

A Carta-manifesto por Futuros Comuns está aberta a contribuições e assinaturas de organizações, coletivos, comunidades e pessoas comprometidas com futuros plurais, antirracistas, feministas, comunitários, tecnológicos e ancestrais. 

Acesse a carta em português.

Acesse a carta em inglês. 

Organizações da sociedade civil lançaram a plataforma digital Defensores do Javari, dedicada ao acompanhamento das medidas de proteção dos povos indígenas e comunicadores da região do Vale do Javari, bem como à promoção da memória sobre o jornalista britânico Dom Phillips e o indigenista Bruno Pereira.  

A iniciativa é coordenada por Repórteres Sem Fronteiras (RSF), União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), ARTIGO 19 Brasil e América do Sul, Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (Opi) e Instituto Dom Phillips. O portal reafirma o compromisso das entidades com justiça, transparência e proteção de povos indígenas, comunicadores e defensores de direitos humanos na Amazônia. 

“Concebido como um espaço permanente de memória, informação e acompanhamento público, o site reúne cronologia dos acontecimentos, informações sobre as investigações e atualizações sobre os processos judiciais. A expectativa é que o julgamento dos executores dos assassinatos avance nos próximos meses, após adiamentos e etapas de coleta de provas e oitiva de testemunhas”, explica Raquel da Cruz Lima, coordenadora do Centro de Referência Legal da ARTIGO 19. 

Além de preservar o legado de Dom e Bruno, a plataforma também monitora a implementação das medidas cautelares concedidas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em 2022 e que seguem vigentes por conta das ameaças que ainda ocorrem contra os defensores do território. 

Mais do que reunir informações, o Defensores do Javari é uma ferramenta de memória, cobrança pública e mobilização para que o caso não seja esquecido e para que o Estado brasileiro cumpra integralmente os compromissos assumidos. Acesse: defensoresdojavari.org.br 

A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul participou do Future Affairs Forum Rio 2026, conferência internacional organizada pela Delegação da União Europeia no Brasil, em parceria com o Museu do Amanhã, realizada nos dias 22 e 23 de junho, no Rio de Janeiro. O evento reuniu especialistas, formuladores de políticas públicas, artistas, representantes da sociedade civil e lideranças jovens para discutir futuros possíveis nas relações entre Brasil, União Europeia e América Latina. 

Em um contexto marcado pela expansão da inteligência artificial, pela crise climática, pelas disputas geopolíticas e pela concentração de poder tecnológico, o fórum propôs um diálogo multissetorial sobre políticas públicas orientadas ao futuro, soluções tecnológicas centradas nas pessoas, ética, trabalho, futuros urbanos e cooperação internacional. 

Ao longo do fórum, organizamos oficinas comunitárias paralelas, criando espaços práticos e participativos para aprofundar os temas centrais do evento e conectar atores de base comunitária a representantes internacionais. As atividades partiram da ideia de que os futuros já vêm sendo produzidos nos territórios, nas periferias, nas escolas, nas redes livres, nas aldeias, nas favelas, nos laboratórios cidadãos, nas rádios comunitárias e nas práticas de cuidado que sustentam a vida. 

Como encaminhamento político, as oficinas apontaram para a necessidade de políticas de financiamento, governança participativa, desenvolvimento open source, tecnologias públicas e mecanismos de proteção contra o extrativismo de dados. 

Paulo José Lara, co‑diretor executivo da ARTIGO 19 Brasil e América do Sul, integrou a equipe responsável pelo alinhamento das oficinas. A iniciativa foi desenvolvida ao lado de Felipe Schmidt Fonseca (Global Innovation Gathering), com foco em inovação digital comunitária e cultura maker, e de Ricardo Poppi (Instituto Cidade Democrática), com foco em democracia digital e participação cívica.  As oficinas reuniram mais de 30 organizações da sociedade civil, coletivos, laboratórios cidadãos, comunicadoras, artistas, educadoras, pesquisadoras, juventudes e representantes de territórios para imaginar e propor futuros comuns a partir de uma perspectiva democrática, regenerativa, comunitária e tecnodiversa.  

Entre os principais eixos debatidos estiveram soberania digital, bens comuns, comunicação como direito, justiça territorial, economia do cuidado, tecnologias abertas e infraestruturas digitais de baixo impacto ambiental. Como encaminhamento político, as oficinas apontaram para a necessidade de políticas de financiamento, governança participativa, desenvolvimento open source, tecnologias públicas e mecanismos de proteção contra o extrativismo de dados. 

“Discutir futuros, inteligência artificial e transformação digital a partir dos territórios é essencial para que a tecnologia não seja apenas uma agenda de mercado, mas uma agenda de direitos, democracia e justiça social. Os futuros que queremos precisam ser construídos com participação efetiva das comunidades, com infraestruturas abertas, auditáveis e orientadas ao interesse público”, afirma Paulo José Lara, codiretor executivo da ARTIGO 19 Brasil e América do Sul. 

Também participamos do painel de encerramento “O futuro que a gente quer”, com moderação de Augusto Godoy, coordenador de Comunicação da ARTIGO 19 Brasil e América do Sul, e a participação de Gean Guilherme Lopes (Laboratório 2050), Kamila Camillo (Instituto Crias do Tijolinho e PerifaConnection), Luiza Wosgrau (Politize!) e Renata Tupinambá (Originárias Produções) em um debate sobre caminhos para a construção de futuros mais justos e participativos. 

Do digital ao comunitário, contribuímos para o debate sobre o futuro a partir das experiências da base, destacando tanto seus potenciais quanto aquilo que frequentemente permanece marginalizado ou invisibilizado.  

A presença da ARTIGO 19 no Future Affairs Forum 2026 reforça o compromisso da organização com a defesa dos direitos digitais, da liberdade de expressão, da integridade da informação e da construção de pontes entre comunidades locais e debates internacionais sobre os grandes desafios do nosso tempo.  

Um dos mais importantes jornalistas brasileiros e um dos principais artistas do traço que contou a história recente do Brasil foram os escolhidos, por unanimidade, pela comissão organizadora do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos para homenagens nas premiações especiais de sua 48ª edição.

Jamil Chade já percorreu mais de 70 países cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade. Atualmente é colunista no ICL Notícias, rádio TMC, Carta Capital, Vero e da TV Brasil.

Paulo Caruso,  o menino que dividia o útero e a paixão pelo desenho com o irmão gêmeo, Chico, fez da caricatura a sua crônica diária e do humor sua ferramenta mais afiada. Com a precisão de sua formação em Arquitetura e a leveza de quem enxergava poesia no absurdo político, Paulo foi um dos intérpretes da história recente do Brasil  Passou por redações como O Pasquim e IstoÉ, e por mais de três décadas, foi o cronista visual do Roda Viva, da TV Cultura. Sua partida,  em 2023, aos 73 anos, deixou a mesa de desenho do país mais vazia.

Comissão organizadora e promotora 

Desde a sua primeira edição, concedida em 1979, o prêmio celebra a vida e obra do jornalista Vladimir Herzog, torturado e assassinado pela ditadura civil-militar no dia 25 de outubro de 1975 nas dependências do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna), em São Paulo.

A premiação é organizada pelo Instituto Prêmio Vladimir Herzog, associação civil de direito privado, sem fins lucrativos ou político-partidários, fundada em novembro de 2022, em São Paulo. A entidade reúne 18 instituições da sociedade civil, além da família Herzog: Associação Brasileira de Imprensa (ABI); Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI); ARTIGO 19 Brasil e América do Sul; Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo; Conectas Direitos Humanos; Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP); Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ); Geledés; Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB Nacional); Instituto Vladimir Herzog, Instituto Socioambiental (ISA); Ordem dos Advogados do Brasil – Secção São Paulo; Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo; Coletivo Periferia em Movimento; Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo; Sociedade Brasileira dos Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo e União Brasileira de Escritores (UBE).

O 48º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos tem o patrocínio da Petrobrás, da Caixa e do Governo Federal por meio da Lei de Incentivo à Cultura. Nesta edição, um arco de alianças formado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), Teatro da PUC, TV PUC, CDI e OBORÉ atua como parceiros institucionais.

SERVIÇO:

48º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos

Solenidade de Premiação: 20 de outubro de 2026, terça-feira, às 19h30, no Tucarena, em São Paulo.

Neste ano, a cerimônia será antecedida da Roda de Conversa com os autores das produções premiadas e de visita ao Calçadão do Reconhecimento da Praça Memorial Vladimir Herzog  – Rua Santo Antônio, 33, Bela Vista – São Paulo – SP, atrás da Câmara Municipal de São Paulo, em frente ao Terminal Bandeira.

ATIVIDADES PÚBLICAS, GRATUITAS, SEM NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE CONVITE.

Mais informações:

www.premiovladimirherzog.org

Instagram: premiovladimirherzog/

Facebook: premiovladimirherzog

CDI Comunicação

Anaísa Silva – (11) 9 8299-1567

Renata Penna Franca – (11) 9 8228-2877

A cerimônia em homenagem ao indigenista Bruno Pereira e ao jornalista Dom Phillips, realizada na quarta-feira, 11 de junho, em Brasília/DF, foi marcada por momentos especialmente simbólicos. Assista a transmissão do evento no YouTube do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania – aqui. 

Durante o evento, o Ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Sidônio Palmeira, formalizou o pedido em nome do Estado brasileiro, reconhecendo os discursos difamatórios e de ódio que foram dirigidos às vítimas no contexto de seu desaparecimento e assassinato, em 2022. O pedido também reconheceu o papel fundamental dos povos indígenas na busca e localização dos corpos e da contribuição do jornalismo local e da comunicação popular e comunitária para o esclarecimento dos fatos.  Assista o trecho em nosso Instagram. 

Esse gesto representa um importante passo no processo de reconhecimento das responsabilidades do poder público diante das violações ocorridas e é resultado de anos de mobilização da sociedade civil, dos familiares, de movimentos sociais, de organizações de direitos humanos e do Sistema Interamericano de Direitos Humanos.  

“Anos de mobilização da sociedade civil, dos familiares e de lideranças indígenas pressionando o Estado brasileiro perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos”, destaca Raquel da Cruz Lima, coordenadora do Centro de Referência Legal da ARTIGO 19.  

A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul, em conjunto com outras entidades, teve papel relevante nesse processo, contribuindo para a solicitação de medidas cautelares junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), cobrando a atuação do Estado diante das violações e denunciando os ataques, a difamação e os discursos de ódio direcionados a Dom e Bruno durante o período das buscas. 

Para a organização, o assassinato de Dom Phillips e Bruno Pereira constitui uma das mais graves violações à liberdade de expressão e ao direito à informação no Brasil recente, na medida em que buscou silenciar denúncias sobre crimes ambientais, violações de direitos indígenas e a atuação de grupos criminosos na Amazônia. 

Nesse processo de reconhecimento, também tivemos a divulgação dos vencedores da primeira edição do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação em Defesa do Meio Ambiente, dos Povos Indígenas e das Comunidades Tradicionais, iniciativa que reforça a importância de preservar a memória, o legado e a luta de ambos. 

Mais do que um gesto simbólico, o pedido de desculpas reafirma o compromisso com a verdade, a memória, a justiça e as garantias de não repetição. Dom e Bruno foram assassinados por defenderem os direitos humanos, os povos indígenas e a floresta. Seu legado permanece vivo, e sua luta continua sendo um chamado à proteção de jornalistas, comunicadores, defensores ambientais e povos tradicionais em todo o país. 

As eleições de 2026 se aproximam. O caminho até o voto democrático passa pela internet — e as regras desse caminho mudaram.

A resolução que organiza a propaganda eleitoral na internet é, nas palavras de quem a estuda há anos, muito confusa. Candidaturas têm novas obrigações. Plataformas também. O TSE atualizou a resolução que organiza o que candidaturas e plataformas podem e não podem fazer no ambiente digital durante a campanha. Campeonato de cortes proibido. Conteúdo gerado por IA precisa ser identificado. Violência política de gênero com proteção reforçada. Remoção de conteúdo com devido processo. São mudanças concretas, com consequências reais para quem participa do debate democrático online.

Em 2024, grande parte dessas obrigações não foi aplicada pelo TSE. Em 2026, o IRIS quer que seja diferente — e isso começa por construir uma compreensão coletiva clara sobre o que a lei diz.

Por isso, o Insituto de Referência em Internet e Sociedade – IRIS, ARTIGO 19 Brasil e América do Sul e a Alafia Lab produziram este guia: um documento técnico e completo, escrito por pesquisadoras e pesquisadores, transformado numa jornada que qualquer pessoa consegue percorrer. Sete paradas no caminho até a urna, um semáforo do que mudou e do que segue valendo, situações concretas para orientar a prática e, para quem precisar, a letra da lei.

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Em junho, a ARTIGO 19 Brasil e América do Sul reuniu, em São Paulo/SP, diferentes organizações da sociedade civil de diversos estados do Brasil para o encontro presencial do curso “Democratizando o Direito Concorrencial“.  A iniciativa parte da premissa de que o direito concorrencial é uma política pública — e, como tal, deve contar com a participação ativa da sociedade civil em seu debate e construção. 

Ao longo de cinco semanas, profissionais e organizações de diferentes agendas — como direitos digitais, comunicação, justiça climática e alimentação — participaram de encontros online que aprofundaram os fundamentos do direito concorrencial, seus instrumentos de análise e seus impactos sobre os direitos humanos.  

O ciclo culminou no encontro presencial, dedicado à construção coletiva de estratégias de incidência institucional e ao desenvolvimento de ferramentas concretas de atuação junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). 

A iniciativa se apoia em um reconhecimento central: a concentração econômica não é um tema técnico distante da vida cotidiana. Ela influencia o que se consome, o que se acessa, o que se pode expressar e, portanto, afeta diretamente o trabalho das organizações que atuam na defesa de direitos. 

“O direito concorrencial é uma política pública voltada ao interesse coletivo. A proposta foi contribuir para que organizações possam intervir de forma mais consistente nos debates e procedimentos concorrenciais”, explica Raquel da Cruz Lima, coordenadora do Centro de Referência Legal da ARTIGO 19. 

A presença da sociedade civil nesses espaços ainda enfrenta barreiras, como a complexidade técnica, as assimetrias de recursos e a concentração de expertise. O programa surge como uma resposta a esse cenário e se afirmar como uma aposta na participação democrática como ferramenta de transformação. 

A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul lança o guia “Trilhas de Cuidado e Justiça”, uma publicação que reúne estratégias práticas para enfrentar a violência de gênero na esfera digital — especialmente aquela promovida por grupos de ódio organizados online. 

Acesse a versão digital e a versão para celular.

Em um contexto em que ataques, ameaças e campanhas coordenadas de desinformação se intensificam nas redes, o material parte de um diagnóstico central: a violência digital não é separada da vida real. Ela é uma extensão de violências estruturais já existentes, mas amplificada, persistente e com efeitos concretos na saúde, na segurança e na participação pública das pessoas afetadas.  

Grupos de ódio organizados — como redes coordenadas que atuam em fóruns, aplicativos de mensagens e plataformas digitais — operam como verdadeiras “milícias digitais”, articulando ataques para silenciar vozes dissidentes e restringir a participação política de mulheres, pessoas negras, LGBTQIAPN+, comunicadoras e defensoras de direitos humanos.  

“O guia busca reunir recomendações de como melhor acolher, julgar, responsabilizar e encaminhar casos de violência digital de gênero de uma maneira que pessoas afetadas não deixem de se expressar e de ocupar os espaços públicos, especialmente os digitais”, afirma Maria Tranjan, coordenadora de Proteção e Participação Democrática da ARTIGO 19. 

Sobre o guia 

O guia foi desenvolvido para apoiar a atuação de ativistas, organizações da sociedade civil e operadores dos sistemas de justiça e segurança pública, além de contribuir para a proteção de pessoas em situação de maior vulnerabilidade.  

Sua construção resultou da escuta de especialistas, pesquisadoras(es), pessoas que vivenciaram ataques online e representantes institucionais, com o objetivo de oferecer caminhos concretos de resposta a situações de violência digital de gênero. 

Organizado de forma prática, o guia apresenta três trilhas que estruturam o enfrentamento à violência digital de gênero: 

Trilha 1 — Acolher e encaminhar 

A primeira trilha destaca que o acolhimento é um passo fundamental para interromper o ciclo de violência. Reconhecer a experiência da vítima, evitar a revitimização e oferecer orientação clara são elementos centrais.  

Além disso, o guia orienta sobre como: 

  • registrar corretamente casos e provas digitais 
  • compreender as limitações institucionais 
  • utilizar diferentes canais de denúncia (como boletim de ocorrência, SaferNet e Disque 100) 
  • encaminhar casos de forma estratégica e segura 

O material também enfatiza que registrar é uma forma de proteção, permitindo a construção de evidências e o acompanhamento de padrões de violência ao longo do tempo.  

Trilha 2 — Responder e responsabilizar 

A segunda trilha aborda os desafios e possibilidades de investigação e responsabilização. Entre os principais pontos, destaca-se que a violência digital não pode ser analisada apenas como ações individuais, mas como fenômenos estruturados por plataformas digitais e dinâmicas de amplificação. 

O guia reúne recomendações como: 

  • identificar ataques coordenados e padrões de comportamento 
  • compreender o papel das plataformas digitais na disseminação da violência 
  • fortalecer a capacitação técnica de agentes públicos 
  • ampliar o entendimento jurídico sobre essas violências 

Também enfatiza a necessidade de avançar na responsabilização das empresas de tecnologia, reconhecendo seu papel na organização e amplificação de conteúdos violentos.  

Trilha 3 — Lutar e reconstruir 

Reconhecendo que os impactos da violência digital podem ser duradouros, afetando a saúde mental, a segurança e a vida pública das pessoas, a terceira trilha trata do que ocorre após o ataque: como seguir, se proteger e reconstruir possibilidades de atuação.  

Entre as recomendações, estão: 

  • práticas de autocuidado e redução da exposição 
  • acesso a apoio psicológico e psicossocial 
  • fortalecimento de redes de apoio coletivo 
  • adoção de medidas de segurança digital e proteção de dados 

Mais do que respostas individuais, o guia enfatiza que a proteção e o enfrentamento à violência digital precisam ser construídos coletivamente.  

Parceria com a Embaixada da França 

Produzido pela ARTIGO 19 Brasil e América do Sul em parceria com a Embaixada da França no Brasil, o guia “Trilhas de Cuidado e Justiça” reforça que enfrentar a violência digital de gênero é também defender a liberdade de expressão e o direito de participar da vida pública sem medo. 

Seu conteúdo também dialoga com os debates do seminário “Violência digital de gênero: impactos e perspectivas de combate aos grupos de ódio organizados online”, realizado em maio, em Brasília (DF), em parceria com a Embaixada da França. O encontro reuniu representantes do poder público e da sociedade civil para discutir respostas intersetoriais à violência online. 

A inteligência artificial já está presente nos processos eleitorais da América Latina e do Caribe, transformando a forma como informações circulam, campanhas são conduzidas e o debate público se organiza. 

Diante desse cenário, a ARTIGO 19 participou da realização do encontro regional “IA e eleições na América Latina e no Caribe: riscos reais, respostas urgentes”, promovido pela Alianza Regional por la Libre Expresión y Información, que reuniu autoridades eleitorais, organizações da sociedade civil, especialistas em tecnologia e jornalistas para um diálogo franco e estratégico sobre os impactos dessas tecnologias na democracia. 

O evento partiu dos achados do informe “Inteligência artificial e eleições: usos e impactos na liberdade de expressão e no direito à informação na América Latina”, elaborado pela ARTIGO 19 e Alianza Regional por la Libre Expresión e Información com organizações de nove países da região. 

O debate destacou que o uso da IA em contextos eleitorais vai muito além dos deepfakes. Ferramentas de automação de conteúdos, microsegmentação de audiências, moderação algorítmica e amplificação artificial de mensagens já interferem diretamente na formação da opinião pública — muitas vezes em ambientes marcados por fragilidade institucional, baixa transparência das plataformas digitais e ausência de salvaguardas adequadas. 

Ao longo do encontro, participantes discutiram: 

  • o que já está acontecendo na prática eleitoral em diferentes países da região; 
  • como a desinformação é potencializada pelo uso de sistemas de IA; 
  • quais são os principais vazios regulatórios e riscos de respostas inadequadas; 
  • e que tipos de salvaguardas são necessárias para proteger a liberdade de expressão, o direito à informação e a integridade das eleições. 
  • Para a ARTIGO 19, o encontro reforça que o principal desafio não está na tecnologia em si, mas nas condições sob as quais ela é implementada. Garantir eleições livres e justas exige regras claras, transparência, mecanismos de responsabilização e participação ativa da sociedade civil nos debates sobre regulação e governança da inteligência artificial. 

Acesse o informe que orientou o debate: https://www.alianzaregional.net/ia-y-procesos-electorales-nuevos-riesgos-para-la-democracia/ 

Acesse aqui a versão do Informe em Português.

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