Os futuros comuns que discutimos no Future Affairs Forum Rio 2026

A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul participou do Future Affairs Forum Rio 2026, conferência internacional organizada pela Delegação da União Europeia no Brasil, em parceria com o Museu do Amanhã, realizada nos dias 22 e 23 de junho, no Rio de Janeiro. O evento reuniu especialistas, formuladores de políticas públicas, artistas, representantes da sociedade civil e lideranças jovens para discutir futuros possíveis nas relações entre Brasil, União Europeia e América Latina. 

Em um contexto marcado pela expansão da inteligência artificial, pela crise climática, pelas disputas geopolíticas e pela concentração de poder tecnológico, o fórum propôs um diálogo multissetorial sobre políticas públicas orientadas ao futuro, soluções tecnológicas centradas nas pessoas, ética, trabalho, futuros urbanos e cooperação internacional. 

Ao longo do fórum, organizamos oficinas comunitárias paralelas, criando espaços práticos e participativos para aprofundar os temas centrais do evento e conectar atores de base comunitária a representantes internacionais. As atividades partiram da ideia de que os futuros já vêm sendo produzidos nos territórios, nas periferias, nas escolas, nas redes livres, nas aldeias, nas favelas, nos laboratórios cidadãos, nas rádios comunitárias e nas práticas de cuidado que sustentam a vida. 

Como encaminhamento político, as oficinas apontaram para a necessidade de políticas de financiamento, governança participativa, desenvolvimento open source, tecnologias públicas e mecanismos de proteção contra o extrativismo de dados. 

Paulo José Lara, codiretor executivo da ARTIGO 19 Brasil e América do Sul, integrou a equipe responsável pelo alinhamento das oficinas. A iniciativa foi desenvolvida ao lado de Felipe Schmidt Fonseca (Global Innovation Gathering), com foco em inovação digital comunitária e cultura maker, e de Ricardo Poppi (Instituto Cidade Democrática), com foco em democracia digital e participação cívica.  As oficinas reuniram mais de 30 organizações da sociedade civil, coletivos, laboratórios cidadãos, comunicadoras, artistas, educadoras, pesquisadoras, juventudes e representantes de territórios para imaginar e propor futuros comuns a partir de uma perspectiva democrática, regenerativa, comunitária e tecnodiversa.  

Entre os principais eixos debatidos estiveram soberania digital, bens comuns, comunicação como direito, justiça territorial, economia do cuidado, tecnologias abertas e infraestruturas digitais de baixo impacto ambiental. Como encaminhamento político, as oficinas apontaram para a necessidade de políticas de financiamento, governança participativa, desenvolvimento open source, tecnologias públicas e mecanismos de proteção contra o extrativismo de dados. 

“Discutir futuros, inteligência artificial e transformação digital a partir dos territórios é essencial para que a tecnologia não seja apenas uma agenda de mercado, mas uma agenda de direitos, democracia e justiça social. Os futuros que queremos precisam ser construídos com participação efetiva das comunidades, com infraestruturas abertas, auditáveis e orientadas ao interesse público”, afirma Paulo José Lara, codiretor executivo da ARTIGO 19 Brasil e América do Sul. 

Também participamos do painel de encerramento “O futuro que a gente quer”, com moderação de Augusto Godoy, coordenador de Comunicação da ARTIGO 19 Brasil e América do Sul, e a participação de Gean Guilherme Lopes (Laboratório 2050), Kamila Camillo (Instituto Crias do Tijolinho e PerifaConnection), Luiza Wosgrau (Politize!) e Renata Tupinambá (Originárias Produções) em um debate sobre caminhos para a construção de futuros mais justos e participativos. 

Do digital ao comunitário, contribuímos para o debate sobre o futuro a partir das experiências da base, destacando tanto seus potenciais quanto aquilo que frequentemente permanece marginalizado ou invisibilizado.  

A presença da ARTIGO 19 no Future Affairs Forum 2026 reforça o compromisso da organização com a defesa dos direitos digitais, da liberdade de expressão, da integridade da informação e da construção de pontes entre comunidades locais e debates internacionais sobre os grandes desafios do nosso tempo.  

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