Em maio, realizamos o seminário “Violência digital de gênero: impactos e perspectivas de combate aos grupos de ódio organizados online” em Brasília-DF, em parceria com a  Embaixada da França. O evento promoveu uma reflexão coletiva e intersetorial quanto às possibilidades de atuação do Poder Público e da sociedade civil diante dos desafios da violência no ambiente virtual.  

O encontro também serviu de insumo para finalização do “Trilhas de cuidado e justiça: um guia para casos de violência de gênero na esfera digital”, voltado a traçar estratégias para proteção, justiça e responsabilização no ambiente digital, produzido pela ARTIGO 19 em parceria com a Embaixada da França no Brasil.  

“O guia busca reunir recomendações de como melhor acolher, julgar, responsabilizar e encaminhar casos de violência digital de gênero de uma maneira que pessoas afetadas não deixem de se expressar, de estar nos espaços públicos e, especialmente, nos espaços públicos online”, explica Maria Tranjan, coordenadora de Proteção e Participação Democrática. 

A atividade contou com a presença e participação de Laure Salmona, cofundadora da associação francesa Féministes contre le cyberharcèlement, Lola Aronovich, professora, pesquisadora e militante feminista, Marina Cordeiro, do Ministério das Mulheres, Catharina Vilela, do InternetLab e o próprio embaixador francês, Emmanuel Lenain. 

 O guia estará disponível em breve. 

A partir de 20 de maio, jornalistas, repórteres fotográficos, escritores e artistas do traço já podem se inscrever no mais tradicional prêmio da imprensa brasileira. Vencedores serão conhecidos em 30 de setembro, em sessão pública de julgamento, com transmissão ao vivo. Cerimônia de premiação será no dia 20 de outubro, no Tucarena, em São Paulo.  

As inscrições para a 48ª edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos seguem abertas até o dia 20 de junho de 2026. O mais tradicional prêmio da imprensa brasileira reconhece jornalistas, repórteres fotográficos, escritores e artistas do traço que, por meio do trabalho cotidiano, defendem a democracia, a justiça e os direitos humanos.  

De abrangência nacional, o PVH tradicionalmente recebe inscrições em SETE categorias: 

  • Produção jornalística em texto: Reportagens em texto publicadas em veículos impressos ou eletrônicos  
  • Produção jornalística em áudio: Reportagens ou documentários em áudio  
  • Produção jornalística em vídeo: Reportagens ou documentários em vídeo Produção jornalística em multimídia: Reportagens multimídia publicadas na internet  
  • Fotografia: Foto ou série fotográfica publicada em veículos impressos ou eletrônicos  
  • Arte: Ilustrações, charges, cartuns, caricaturas e quadrinhos publicados em veículos impressos ou eletrônicos  
  • Livro-reportagem: obras editadas e lançadas no ano de 2025

Para concorrer, basta acessar a ficha de inscrição e seguir as orientações da plataforma.  Para esta 48ª edição são aceitos trabalhos jornalísticos publicados ou veiculados no período compreendido entre 10 de junho de 2025 e 20 de junho de 2026. Na categoria livro-reportagem, serão aceitas inscrições de obras editadas entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025. 

Neste site os interessados podem conferir o Regulamento das sete categorias tradicionais de premiação (texto, vídeo, áudio, multimídia, foto, arte e livro reportagem) e o calendário da edição.   

A taxa de R$60,00 (sessenta reais) por trabalho inscrito é uma forma de marcar o compromisso da sociedade e dos profissionais da Comunicação com essa premiação histórica. O valor arrecadado nessa Contribuição Solidária vai ajudar os organizadores a honrar os compromissos assumidos com parceiros e fornecedores envolvidos na construção de mais esta jornada.  

Comissão organizadora e promotora   

Desde a sua primeira edição, concedida em 1979, o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog presta homenagem  a personalidades e profissionais da comunicação que se destacam na promoção dos direitos humanos fundamentais e celebra a vida e obra do jornalista Vladimir Herzog, torturado e assassinado pela ditadura civil-militar no dia 25 de outubro de 1975 nas dependências do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna), em São Paulo.  

 Desde 2023, na histórica edição de 45 anos, a premiação passou a ser organizada pelo Instituto Prêmio Vladimir Herzog, associação civil de direito privado, sem fins lucrativos ou político-partidários, fundada em novembro de 2022, em São Paulo. A entidade reúne 18 instituições da sociedade civil, além da família Herzog: Associação Brasileira de Imprensa (ABI); Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI); Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor); ARTIGO 19 Brasil e América do Sul; Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo; Conectas Direitos Humanos; Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP); Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ); Geledés; Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB Nacional); Instituto Vladimir Herzog, Instituto Socioambiental (ISA); Ordem dos Advogados do Brasil – Secção São Paulo; Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo; Periferia em Movimento; Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo; Sociedade Brasileira dos Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e União Brasileira de Escritores (UBE).   

O 48º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos tem o patrocínio da Petrobras, da Caixa e do Governo Federal por meio da Lei de Incentivo à Cultura. Atuam como parceiros institucionais a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), o Teatro da PUC, a TV PUC, a OBORÉ e a CDI Comunicação.   

Calendário  

  • Regulamentos e Inscrições aqui 
  • Período de inscrições: 20 de maio a 20 de junho 2026
  • Sessão pública de julgamento e divulgação dos vencedores: 30 de setembro de 2026, quarta-feira, 14h, com transmissão ao vivo  
  • Solenidade de Premiação: 20 de outubro de 2026, terça-feira, no Tucarena, em São Paulo

Neste ano, a cerimônia será antecedida da Roda de Conversa com os autores das produções premiadas e de visita ao Calçadão do Reconhecimento da Praça Memorial Vladimir Herzog  – Rua Santo Antônio, 33, Bela Vista – São Paulo – SP, atrás da Câmara Municipal de São Paulo, em frente ao Terminal Bandeira. 

Mais informações:  

www.premiovladimirherzog.org
Instagram: premiovladimirherzog
Facebook: premiovladimirherzog 

CDI Comunicação 

Anaísa Silva – (11) 9 8299-1567 
Renata Penna Franca – (11) 9 8228-2877  

A campanha #CompartilheInformação, iniciativa da ARTIGO 19 Brasil e América do Sul, fortalece desde 2020 a atuação de comunicadoras, ativistas e defensoras de direitos humanos no enfrentamento à desinformação. Diante de um cenário de desinformação e violação de direitos socioambientais, informação de qualidade produzida por quem vive nos territórios é essencial.  

Foi pensando nisso que a edição #CompartilheInformação #CompartilheJustiçaClimática teve como objetivo ampliar e fortalecer a atuação de profissionais da região Amazônica e dos estados que compõem o MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), incentivando a produção e a circulação de conteúdos confiáveis sobre emergência e justiça climática, direitos socioambientais e a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30). 

Nesta sexta edição da campanha, foram selecionadas 15 propostas de coletivos, grupos e veículos de comunicação popular, comunitários e independentes, de 8 estados diferentes (Amazonas, Pará, Rondônia, Maranhão, Tocantis, Piauí, Bahia e Mato Grosso), para integrar a campanha. Como resultado, foram mais de 70 publicações, somando mais de 270 mil visualizações através de 52 colaborações com as organizações participantes, organizações parceiras e perfis locais.  

Também foram produzidas ações, oficinas, rodas de conversa, podcasts, vídeos, carrosséis e até mesmo eventos durante a COP-30 para reunir comunicadores de territórios indígenas, ribeirinhos, quilombolas, tradicionais e periféricos para compartilhar experiências e mapear desafios à liberdade de expressão. 

Entre as produções estão a cartilha da Lei de Acesso à Informação (LAI) na Amazônia, a metodologia “A solução está no território”, voltada ao enfrentamento da desinformação socioambiental, podcast “As Feridas de Buriticupu”, que exibe a realidade de Buriticupu, no Maranhão, cidade classificada como desertos de notícias, podcast Hora de Mói, um espaço de bate-papo sobre temas que afetam populações quilombolas e de territórios tradicionais, entre outras. 

Tivemos relatos da centenária comunidade Tradicional Paulo Leal, em Rondônia, formada a partir da Estrada de Ferro Madeira Mamoré e diretamente atingida pela Usina Hidrelétrica de Santo Antônio e pelo agronegócio, apresentando os impactos socioambientais que seguem presentes no cotidiano das famílias, trabalhos que investigaram os impactos da transição energética sobre comunidades tradicionais do Piauí ao Pará — e o que acontece quando o progresso chega sem pedir licença, análises sobre o Plano Diretor de Manaus e até mesmo uma narração em quatro línguas cooficiais da Região do Alto Rio Negro — Tukano, Baniwa, Nheengatú e Yanomami — sobre a COP30. 

Confira abaixo os coletivos, veículos e organizações selecionados e acompanhe os conteúdos produzidos para a Campanha #CompartilheInformação #CompartilheJustiçaClimática em 2025 no portfólio.

A exposição “Arte, Amazônia e seus Povos: A Amazônia é agora! A Amazônia somos nós!”, iniciativa da ARTIGO 19 Brasil e América do Sul, reúne obras de 18 artistas, coletivos e comunicadores de diversas regiões do país, celebrando a força criativa, política e ancestral da Amazônia e de seus povos. A exposição também está disponível em catálogo digital.

Com linguagens que atravessam a fotografia documental, o bordado, a pintura, a performance, a arte digital, a ilustração e outras formas híbridas de expressão, as obras convidam o público a reconhecer a Amazônia não apenas como bioma, mas como território vivo — habitado, construído e defendido por comunidades que sustentam a floresta com saberes, memória, trabalho e resistência.

“Entre comunidades quilombolas, indígenas, ribeirinhas e periféricas, sobrevivendo, lutando e resistindo nas vilas, aldeias, assentamentos, nos interiores e nas cidades, há conhecimentos e sabedorias ancestrais germinando e crescendo nas roças, quintais, florestas, rios e igarapés. Artistas, poetas e intelectuais comprometidos com as mudanças e rupturas das visões racistas e coloniais sobre a região, seguem construindo seus trabalhos a partir deste contato, por isso, criam fissuras e rupturas com as perspectivas que violentam as vidas amazônicas. Essas produções artísticas são caminhos para o restabelecimento de conexão com a vida”, escreveu o curador convidado Emerson Caldas, cientista Social formado pela Universidade do Estado do Pará, Mestrando em Artes nó PPGArtes da Universidade Federal do Pará. Pesquisa na confluência entre Artes Visuais e Antropologia. Integrante do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará — CEDENPA, do Coletivo de artistas negres Ilustra Pretice e da Sala de Tatá Kinamboji de Arte e Cultura AfroAmazônica.

Selecionadas por sua potência poética, clareza de mensagem, consistência conceitual e diversidade territorial, as criações dialogam diretamente com os desafios da COP 30, que aconteceu em Belém do Pará em 2025, e com as urgências de justiça climática, soberania dos povos tradicionais e proteção da biodiversidade. A exposição prioriza artistas da Região Norte e contempla também criadores de outros estados que mantêm vínculo direto com as discussões amazônicas. Tivemos representantes de Roraima, Rondônia, Amazonas, Pará, Acre, Maranhão, Ceará, Alagoas, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Entre os destaques, estão obras que reinterpretam ancestralidades indígenas; que denunciam impactos ambientais como queimadas, poluição dos rios e avanço da monocultura; que registram a vida ribeirinha, quilombola e comunitária; que documentam marchas, mobilizações e deslocamentos de povos amazônicos rumo à COP; que celebram rituais, gestos cotidianos e vínculos com o território; e que reafirmam a arte como ferramenta de luta, memória e imaginação política.

Dos corpos-floresta às paisagens de resistência; das narrativas de mulheres indígenas e periféricas aos registros da vida ribeirinha; da fabulação crítica sobre “bactérias de plásticos” às imagens que expõem a seca, a cheia, a fumaça e os ciclos extremos vividos pelo Acre; dos bordados que “reflorestam” a imagem às fotografias que denunciam a crise climática no cotidiano — cada obra afirma, à sua maneira, que a Amazônia somos nós. Essa coleção plural revela que a arte é uma linguagem essencial para fortalecer o debate público, ampliar vozes silenciadas e promover o direito à livre expressão — fundamento democrático indispensável para enfrentar as desigualdades socioambientais e construir futuros possíveis.

Ao percorrer a exposição, o público é convidado a enxergar a Amazônia para além dos imaginários distantes: aqui, ela se apresenta como território de luta, de afeto, de diversidade e de esperança. Um território que pulsa em cada artista, em cada povo, em cada rio e em cada gesto de criação.

“A Amazônia é agora! A Amazônia somos nós!” não é apenas o título da mostra. É um chamado urgente — político, poético e coletivo — para agir, escutar e proteger quem protege a floresta.

A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul está com inscrições abertas para a contratação de Consultoria Plena de Criação, que irá integrar a área de Comunicação da organização. Veja aqui o Termo de Referência e inscreva-se através do formulário. 

A consultoria terá papel estratégico no apoio à produção, desenvolvimento e gestão de materiais gráficos e audiovisuais — digitais e impressos — contribuindo para o fortalecimento da identidade visual institucional, dos conteúdos programáticos e da execução do Plano de Comunicação da ARTIGO 19. 

Entre as principais atribuições estão a criação de peças para redes sociais, diagramação de publicações e relatórios, desenvolvimento de produtos digitais, apoio na produção de conteúdo audiovisual, organização do acervo visual, atualização e aplicação da marca e dos padrões estéticos da organização. A atuação será realizada em diálogo direto com a Coordenação de Comunicação, de forma presencial e remota. 

Buscamos pessoas com, no mínimo, três anos de experiência em comunicação, design gráfico, direção de arte ou criação; domínio de ferramentas de criação e edição; capacidade de trabalhar com identidades institucionais; e sensibilidade para temas relacionados a direitos humanos, liberdade de expressão e democracia. 

A contratação será no regime Pessoa Jurídica (PJ), com dedicação de 40 horas semanais. O escritório da ARTIGO 19 está localizado em São Paulo (SP), no bairro República, sendo necessária disponibilidade para atuar de forma presencial conforme demanda da área de Comunicação. A duração do contrato é até janeiro de 2027, com possibilidade de renovação. 

A ARTIGO 19 reafirma seu compromisso com a diversidade e incentiva a candidatura de pessoas negras, indígenas, LGBTIQIAPN+, mulheres, pessoas com deficiência, pessoas vivendo com HIV e demais grupos historicamente discriminados. 

Inscrições abertas até 22 de maio de 2026, às 23h59. 

Acesse o formulário e confira o Termo de Referência para fazer sua inscrição. 

Com o objetivo de garantir o direito à memória e à verdade, o Ministério Público Federal (MPF), em conjunto com organizações indígenas e de liberdade de imprensa, enviou recomendação para que o governo federal construa um marco de memória em homenagem ao indigenista Bruno Pereira e ao jornalista britânico Dom Phillips. O memorial deve ser erguido exatamente no local onde ambos foram assassinados em 2022, às margens do Rio Itacoaí, no Vale do Javari (AM).

A iniciativa é assinada por uma coalizão que inclui a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), a Associação Artigo 19, o Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados de Recente Contato (OPI), o Instituto Dom Phillips e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativa (Abraji).

A recomendação estabelece que a Presidência da República e os Ministérios da Defesa, da Casa Civil, de Direitos Humanos e Cidadania e dos Povos Indígenas apresentem, em até 45 dias, um plano de construção do memorial, que deve, obrigatoriamente, garantir a consulta prévia e a participação dos familiares das vítimas. A obra deve ser finalizada até o dia 3 de julho de 2026, prazo que coincide com o encerramento da Mesa de Trabalho Conjunta da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Além da criação do espaço de memória, o documento recomenda que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) avalie o reconhecimento do local como patrimônio cultural brasileiro, em razão do seu valor simbólico, espiritual e sociocultural para povos indígenas da região.

Determinações internacionais – A recomendação fundamenta-se na necessidade de cumprir a Medida Cautelar 449-22 da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Em 2022, a Comissão solicitou que o Brasil protegesse a vida e a integridade de Bruno e Dom, ampliando posteriormente as medidas para outros membros da Univaja.

A criação do memorial faz parte de um plano de ação interinstitucional que prevê a retratação estatal e o estabelecimento de marcos de memória como garantias de não repetição de violações. Segundo a recomendação, a reparação integral do dano, conforme a jurisprudência da Corte IDH, inclui a construção de monumentos para preservar a verdade histórica e evitar crimes futuros.

Ameaça aos direitos e à memória – O documento aponta falhas na atuação do Estado brasileiro, incluindo a omissão inicial nas buscas por Bruno e Dom, e as dificuldades operacionais apresentadas anteriormente por órgãos militares na viabilização da construção do memorial.

O Comando Militar da Amazônia e a Marinha do Brasil alegaram dificuldades técnicas e logísticas devido às variações do nível do rio e à complexidade do solo. Para as instituições que assinam a recomendação, eventuais dificuldades são secundárias diante da necessidade de reparação simbólica e do dever estatal de não repetição de violações.

As autoridades notificadas têm 30 dias para informar se acatarão a recomendação.

O Ministério Público Federal (MPF) emitiu parecer favorável ao pedido de medida liminar em uma ação civil pública contra a União, protocolada em 7 de abril na Justiça Federal de São Paulo. A ação foi movida pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em conjunto com Repórteres Sem Fronteiras (RSF), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a ARTIGO 19 e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.

O processo denuncia o uso da máquina pública para o monitoramento ilegal de jornalistas e comunicadores, por meio de uma organização criminosa que teria atuado dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro (2019–2022).

No parecer, o MPF se manifestou favoravelmente ao deferimento da tutela de urgência, nos termos apresentados pelas entidades autoras. Entre as medidas solicitadas, estão:

  • a proibição expressa de qualquer forma de monitoramento ilegal de jornalistas por parte da Abin ou de outros órgãos estatais, especialmente com o uso de ferramentas intrusivas como o sistema First Mile;
  • a determinação de que medidas como interceptações telefônicas, acesso a dados pessoais e informações de geolocalização só possam ocorrer mediante decisão judicial específica, devidamente fundamentada e em conformidade com os princípios da necessidade, adequação e proporcionalidade, garantindo, em qualquer caso, o sigilo da fonte, conforme previsto no artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal.

As organizações autoras alertam para o avanço de novas formas de violência contra jornalistas, destacando o uso de softwares espiões e sistemas de inteligência como uma tendência preocupante no cenário nacional.

O advogado do Sindicato dos Jornalistas, Raphael Maia, comentou a decisão. “O parecer do MPF é muito importante porque, além de reconhecer a procedência dos argumentos apresentados pelas entidades na petição inicial, traz um estudo comparado com decisões internacionais que corroboram a urgência e justificam a concessão da liminar”, afirmou.

Segundo o advogado, o juiz deve abrir prazo para manifestação da União sobre o pedido de liminar e, em seguida, decidir se concede ou não a medida. A União, no entanto, protocolou uma petição se colocando à disposição para uma audiência de acordo, o que pode levar à realização de uma tentativa de conciliação antes da análise do pedido.

Entre os pedidos finais da ação, está a condenação da União ao pagamento de indenização por danos morais coletivos à categoria dos jornalistas. As entidades também buscam a responsabilização histórica do Estado pelas violações cometidas, incluindo o monitoramento indevido da localização de profissionais de imprensa por meio da ferramenta First Mile.

Além disso, a ação solicita mudanças estruturais no controle da atividade de inteligência, como a inclusão de representantes da sociedade civil no mecanismo externo de fiscalização da Abin (atualmente restrito ao Poder Legislativo) e a implementação de cursos de formação para agentes da agência, com foco na proteção das garantias e do exercício do trabalho jornalístico.

A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul lança o programa “Democratizando o Direito Concorrencial: Capacitação para a Sociedade Civil no Brasil”, uma iniciativa formativa voltada a organizações da sociedade civil de diferentes agendas — como direitos digitais, alimentação, justiça climática, saúde, entre outras — interessadas em fortalecer sua atuação nos debates e processos da política concorrencial brasileira.

O ciclo parte do reconhecimento de que a crescente concentração econômica e a consolidação de grandes corporações têm produzido impactos profundos sobre os direitos humanos, o acesso a bens e serviços essenciais e a própria qualidade da democracia. Embora o debate sobre direito concorrencial tenha se ampliado nos últimos anos, incorporando discussões sobre poder econômico e seus efeitos sistêmicos, a participação da sociedade civil nesses espaços institucionais ainda é fortemente limitada por barreiras técnicas, assimetrias de recursos e concentração de expertise.

“Ancorado na perspectiva do direito concorrencial de interesse público, o curso dialoga com a trajetória da ARTIGO 19 de promoção da participação democrática e de fortalecimento da atuação qualificada da sociedade civil. A proposta é contribuir para que organizações possam intervir de forma mais consistente nos debates e procedimentos concorrenciais, qualificando decisões e reforçando o caráter do direito concorrencial como política pública voltada à promoção do interesse coletivo”, explica Raquel da Cruz Lima, coordenadora do Centro de Referência Legal e responsável pelo programa.

A formação terá caráter prático, intersetorial e aplicado, contando com a participação de acadêmicos, reguladores e profissionais da área. Ao longo dos encontros, serão abordados os fundamentos do direito concorrencial, seu surgimento e suas conexões com a democracia; os principais instrumentos de análise utilizados pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) — como atos de concentração, condutas coordenadas e condutas unilaterais —; e os impactos dessas práticas sobre diferentes agendas de direitos humanos.

O ciclo culminará em um encontro presencial, dedicado ao debate sobre a participação da sociedade civil em processos concorrenciais, à construção de teorias do dano e ao desenvolvimento de estratégias concretas de incidência institucional. Entre as atividades previstas estão a elaboração de denúncias ao Cade e a construção coletiva de possibilidades de colaboração entre organizações.

A formação contará com encontros online às segundas-feiras, das 19h às 21h, entre 11 de maio e 8 de junho de 2026, além de um encontro presencial final no dia 13 de junho de 2026 (sábado), na cidade de São Paulo/SP.

A ARTIGO 19 disponibilizará até 10 apoios financeiros para deslocamento e estadia no encontro presencial. No momento da inscrição, as organizações deverão indicar se necessitam de apoio para passagem aérea ou rodoviária e/ou hospedagem. A concessão do apoio está sujeita a restrições orçamentárias, e será dada prioridade a pessoas negras e indígenas.

Comprometida com a promoção de um espaço inclusivo e acessível, a ARTIGO 19 solicita que demandas de acessibilidade sejam informadas no momento da inscrição.

As inscrições estarão abertas entre 20 de abril e 30 de abril de 2026. As organizações selecionadas serão comunicadas por e-mail até 5 de maio de 2026.

Importante: Ao enviar o formulário de inscrição, nenhum dado pessoal será coletado automaticamente, como nome ou endereço de e-mail, a menos que essas informações sejam fornecidas voluntariamente pela pessoa inscrita.

Inscreva-se através do formulário: https://forms.office.com/e/yNGJySwitH

 

 

O uso contínuo e pouco regulado das plataformas digitais tem produzido impactos cada vez mais evidentes. A sobrecarga de informação, a dependência digital e a exigência permanente de conexão afetam diretamente a saúde mental, gerando ansiedade, dificuldade de concentração e uma sensação constante de urgência. Esses efeitos também se manifestam no corpo, contribuindo para problemas de sono, sedentarismo, dores posturais e fadiga ocular.

Esse cenário é agravado pelo avanço da desinformação e pelas chamadas “bolhas informacionais”, nas quais os usuários passam a consumir majoritariamente conteúdos que reforçam suas próprias visões de mundo. Como resultado, ocorre um empobrecimento do debate público,  com restrições ao pensamento crítico e ao acesso a diferentes perspectivas. 

É nesse contexto que as big techs seguem operando com enorme poder de influência. São elas que, diariamente, definem o que ganha visibilidade, o que se torna viral e o que é silenciado — decisões que impactam milhões de pessoas. Ainda assim, raramente enfrentam consequências proporcionais aos danos que podem causar. 

Paralelamente, seus modelos de negócio permanecem baseados na maximização do engajamento. Conteúdos sensacionalistas, desinformação, golpes e discursos de ódio frequentemente geram mais interação — e, portanto, mais lucro. Nesse sistema, quanto maior o engajamento, maior o retorno financeiro, independentemente dos custos sociais envolvidos. 

Diante desse cenário, nasce a CTRL+Z (ctrlz.org.br), uma organização social brasileira criada para enfrentar o atual modelo de operação das big techs no país. Lançada em abril de 2026, a organização atua  para reequilibrar a relação de poder entre cidadãos e plataformas digitais, promovendo responsabilização, transparência e justiça no ambiente digital. 

A CTRL+Z (@ctrlz.org.br) também trabalha para tornar o debate sobre direitos digitais mais acessível e relevante para a população, especialmente para quem vivencia diretamente os impactos das plataformas no cotidiano. Sua atuação está estruturada em três frentes principais: investigação, litigância e mobilização. 

Entre suas primeiras iniciativas, a organização anunciou o desenvolvimento de uma ferramenta voltada à proteção de funcionários de empresas de tecnologia que desejam denunciar práticas internas abusivas — inspirada em casos internacionais de grande repercussão, como vazamentos corporativos que expuseram o funcionamento dessas plataformas. A proposta é criar mecanismos seguros para viabilizar essas denúncias, fortalecendo a transparência e ampliando a responsabilização das empresas. 

Contato para imprensa e entrevistas: contato@ctrlz.org.br 

A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul esteve presente no lançamento do filme Cheiro de Diesel, que estreou nacionalmente nos cinemas no dia 2 de abril. A noite foi marcada por grande presença de público e encontros significativos no Espaço Petrobras Augusta, em São Paulo.  

Cheiro de Diesel é uma produção que retrata os traumas coletivos da militarização das favelas do Rio de Janeiro durante grandes eventos (Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016), a partir de invasões autorizadas por decretos de Garantia da Lei e Ordem (GLO). Com relatos de moradores da Maré, da Penha e do Morro do Salgueiro, a abordagem expõe a rotina de luta por justiça e reparação de vítimas de violações de direitos humanos. 

Como parte da programação de estreia, foi realizada uma sessão especial seguida de debate com as diretoras Gizele Martins e Natasha Neri. A conversa reuniu convidadas e convidados que atuam na defesa da liberdade de expressão, dos direitos humanos e da comunicação, ampliando a reflexão proposta pela produção.  

Participaram do debate a coordenadora da área de Proteção e Participação Democrática da ARTIGO 19, Maria Tranjan, além de Barbara Bergamine, do Instituto Vladimir Herzog, e Ronaldo Matos, jornalista do Desenrola e Não Me Enrola e responsável pela mediação da mesa. 

“Esse filme é um compilado de vídeos que foram gravados por moradores de favela na hora que as coisas estavam acontecendo – e que corriam um risco gigante por estarem fazendo isso. Precisamos legitimar essa narrativa, bater palmas de pé quantas vezes forem necessárias, não só pela iniciativa de reunir tudo isso, mas para honrar a iniciativa das pessoas de gravarem isso ali na hora e dos comunicadores que se esforçaram para preservar, categorizar e organizar essas imagens para que isso não se perdesse mais de 10 anos depois”, destacou Maria Tranjan durante o debate. 

Jornalista, comunicadora popular, pesquisadora e idealizadora do filme, Gizele Martins é reconhecida por sua atuação em defesa dos direitos humanos e pela cobertura de temas relacionados à segurança pública, racismo estrutural e liberdade de expressão, especialmente a partir de perspectivas periféricas. Autora de obras que abordam o cotidiano das favelas e as violações de direitos nesses territórios, sua trajetória contribui para ampliar vozes historicamente invisibilizadas. 

O filme é uma produção da Amana Cine e da Baracoa Filmes, com coprodução do Canal Brasil, apoio da RioFilme e distribuição da Descoloniza Filmes, em parceria com a RioFilme. O longa já está em cartaz nos cinemas. Para mais informações, acompanhe o perfil de Cheiro de Diesel.  

Icone de voltar ao topo
https://forumporn.net