Levantamento realizado em parceria com a Revista AzMina e Gênero e Número mostra uma redução de 45% na rede mapeada

Considerado um serviço essencial de saúde mesmo em meio a pandemia de Covid-19, o acesso ao abortamento legal pode estar ainda mais difícil. É o que aponta a atualização do Mapa Aborto Legal, iniciativa da ARTIGO 19, que indica redução no número de hospitais cadastrados que confirmam ofertar o serviço.

A atualização mostra que dos 76 hospitais que em 2019 declararam realizar aborto legal em consulta telefônica, apenas 42 afirmaram seguir realizando o procedimento em meio a pandemia – uma redução de 45%. Vinte hospitais disseram não estar realizando o abortamento e, destes, apenas 5 indicaram um serviço alternativo à usuária. Não foi possível contatar outras 14 unidades.

Entre os hospitais que afirmam realizar o serviço, alguns fazem exigências que violam direitos das pacientes, como o direito de estar acompanhada durante o procedimento e a não obrigatoriedade de apresentação de Boletim de Ocorrência, autorização judicial ou acompanhamento médico. A lista completa de hospitais que seguem realizando aborto legal pode ser visualizada neste link.

As unidades também foram questionadas acerca dos procedimentos de segurança para evitar contágio pelo novo coronavírus. Todos os 42 hospitais que informaram ofertar o procedimento orientaram quanto a cuidados de higiene e prevenção contra a Covid-19 a serem tomados ao realizar o abortamento. Estes cuidados não eram específicos à prática, atendo-se a recomendações gerais como o uso de máscaras e lavar as mãos.

A metodologia foi semelhante à da publicação Acesso à Informação e Aborto Legal: mapeando desafios nos serviços de saúde, também organizada pela ARTIGO 19. As informações foram levantadas por contato telefônico individual a cada um dos 76 hospitais que, em 2019, confirmaram realizar o procedimento. O contato foi realizado entre 27 de abril e 7 de maio de 2020 por mulheres identificadas como usuárias do serviço de saúde. A atualização foi realizada em parceria com os veículos AzMina e Gênero e Número, que divulgaram mais detalhes em reportagem conjunta.

É importante destacar que em um cenário de emergência sanitária, os direitos das mulheres, em particular o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos, não devem ser colocados em segundo plano. Pelo contrário, tais direitos seguem legalmente amparados no contexto de Covid-19 e necessitam de ainda mais esforços mobilizados para sua garantia.

Sobre o Mapa Aborto Legal
O Mapa Aborto Legal é uma iniciativa da ARTIGO 19 de monitorar, centralizar e compartilhar informações públicas sobre direitos sexuais e reprodutivos, especialmente aborto nos casos previstos em lei. A plataforma surge principalmente para publicizar quais são os hospitais que oferecem atendimento às mulheres que desejam e precisam interromper a gravidez nas situações amparadas pela lei, , bem como para derrubar mitos como a necessidade de se apresentar Boletim de Ocorrência para a realização do procedimento em caso de estupro. Pode ser acessado em: mapaabortolegal.org

Para saber mais, acesse também a matéria conjunta da Revista AzMina e Gênero e Número:

Só 55% dos hospitais que ofereciam serviço de aborto legal no Brasil seguem atendendo na pandemia, na Revista AzMina

Só 55% dos hospitais que ofereciam serviço de aborto legal no Brasil seguem atendendo na pandemia, na Gênero e Número

Freedom of expression and press organizations emphasize the gravity of presidential coverage becoming a risky activity to the point that several vehicles canceled their shift in Brasília. Civil society, the international community, and other public authorities must join efforts to stop the escalation of attacks on communicators, including from the President of the Republic, in Brazil.

Organizations that defend freedom of expression and the press warning of the seriousness of the moment lived in Brazil in the face of the escalation of attacks on communicators, stimulated and carried out by the President of the Republic Jair Bolsonaro himself. This Tuesday (05/26), at least three communication groups – Globo, Folha, and Metrópoles – announced that their journalists will no longer be on duty to follow the presidential schedule in Brasilia, due to the high risk to which they are submitted, a serious fact and unique in the history of the Brazilian democratic period.

In notes (see at the end, available in Portuguese), the vehicles reported that a group of supporters of President Jair Bolsonaro has been taken to stand beside journalists on duty at the exit of the Palácio da Alvorada, separated only with a railing, insulting more and more aggressively the professionals who are working without the authorities taking steps to protect them.

The Union of Professional Journalists of the Federal District (SJPDF) has received dozens of complaints about the degree of insecurity and threat to the work of press professionals, who are repeatedly attacked by supporters of the president with actions ranging from insults, intimidation to attempts to publicly expose journalists.

The president himself and members of his government have been driving this escalation. Both by direct action, when they insult, make verbal and virtual attacks and institutional threats to media groups and professionals, as well as by failing to fulfill the duties of the positions they occupy by omitting or minimizing violence practiced in their name.

It is emblematic that a month that began with the physical aggression of professionals from the newspaper “O Estado de S. Paulo” in the middle of the World Press Freedom Day (03/05) records the breaking of yet another serious barrier of violation of freedom of press and expression.

On May 3rd, at least two journalists, a photographer, and a driver suffered assaults with kicks, punches, and insults by a group that expressed support for the President of the Republic Jair Bolsonaro, also present at the event, in Brasília. Bolsonaro downplayed the violence and never reprimanded his supporters for their behavior. On the contrary, two days later, the President himself was the author of insults: by disqualifying the Folha de S. Paulo newspaper, he told journalists to shut up.

By qualifying the newspaper as ‘scoundrel’, ‘rascal’ and ‘liar’, Bolsonaro displayed a reproduction of the newspaper headline that refers to the exchange of two positions considered key in the federal police in ongoing investigations, that of the director-general and superintendent from Rio de Janeiro.

On the 17th, a supporter of Bolsonaro, server Angela Telma Alves Berger, attacked the journalist Clarissa Oliveira, from Band, with a flag during a new demonstration of support for the president in front of the Planalto Palace. Clarissa covered the act and had her glasses broken.

President Bolsonaro has also encouraged the group of supporters to attack journalists at the door of the Palace on another occasion, when the professionals came to abandon the coverage of the president on March 31.

Brazilian civil society has been adding disapproval notes and joint actions to try to stop the escalation, demand the responsibility of the perpetrators of the attacks and demand that public representatives act in accordance with the duties of the position they occupy. The problem also concerns the national and international community and has already been the subject of manifestations by the National Human Rights Council (CNDH) in Brazil and by the United Nations (UN) and the Inter-American Commission on Human Rights (IACHR).

The ability of journalists to safely follow the government to circulate information and opinions to society is compromised. Government transparency decreases every day. Disinformation is driven by executive power. The population sees its ability to monitor the actions of the federal government being increasingly restricted. Freedom of speech and press face their greatest threat in decades just when access to information is central to responding to a global pandemic.

Practices such as hate speech, authoritarian and anti-democratic threats, attacks, and aggressions against communicators go beyond the right to freedom of expression and free expression. On the contrary, violence against communicators and the restriction of freedom of the press were and are the main elements mobilized to restrict freedom of expression and democracy itself worldwide. Its restriction impacts not only the professionals who perform the activity but also the free circulation of information and ideas, restricting the population’s right to information as a whole. Questioning the press or disagreeing with it are legitimate attitudes, trying to silence it with attacks and aggression is an obvious and serious violation of the Constitution and the rule of law.

Civil society, the international community, and other public authorities must join efforts to stop the escalation of attacks on communicators and violations of freedom of expression, defending democratic practices.

The organizations that sign this note reaffirm their commitment to the defense of fundamental rights and democracy: we will engage all legal channels and efforts to charge public representatives and respond to the challenges we are going through.

Sign this note:

ARTICLE 19
Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé (Barão de Itararé Alternative Media Studies Center)
Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (National Forum for the Democratization of Communication)
Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social (Intervozes – Brazil Social Communication Collective)
Instituto Vladimir Herzog (Vladimir Herzog Institute)
Jornalistas contra o Assédio (Journalists Against Harassment)
Reporters Without Borders (RWB)

Notes from the communication companies (in Portuguese):

Folha de S. Paulo (Brazilian daily newspaper): https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/05/folha-suspende-temporariamente-cobertura-no-alvorada-por-falta-de-seguranca.shtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=twfolha

Grupo Globo (Brazil’s largest mass media group): https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/05/25/falta-de-seguranca-faz-jornalistas-do-grupo-globo-deixarem-plantao-no-alvorada.ghtml

Metrópoles (Brasília news site): https://www.metropoles.com/brasil/metropoles-suspende-cobertura-no-alvorada-por-falta-de-seguranca

Note from the Union of Professional Journalists of the Federal District (in Portuguese):
https://www.sjpdf.org.br/noticias-teste/52-em-destaque/4124-nota-de-repudio-a-novos-ataques-de-apoiadores-de-bolsonaro-contra-jornalistas

No mês em que a Lei de Acesso à Informação (LAI) completa oito anos de vigência, uma pesquisa realizada pela ARTIGO 19 mostra que, mesmo quando solicitadas, informações que deveriam ser compartilhadas com a população pelo poder público não chegam.

O relatório Transparência para vencer a crise, lançado hoje (30/05), mostra dificuldades em obter respostas satisfatórias do poder público em temas centrais no enfrentamento ao novo coronavírus. Pedidos de informações sobre temas como protocolo de testagem, capacidade hospitalar e número de testes realizados foram enviados para o Ministério da Saúde e todas as secretarias estaduais.

Os dados revelam que também é insatisfatória a publicação de dados desagregados por gênero, raça e etnia e outras informações que possam trazer evidências sobre os diferentes impactos da pandemia no país. Reforçam, porém, que é possível superar essas barreiras avançando na implementação da LAI e de recomendações internacionais para a garantia do direito de saber da população. Nesse sentido, o relatório reúne informações sobre boas práticas nos estados e traz recomendações baseadas na realidade e legislação brasileira e em marcos internacionais neste campo.

“A falta de informações oficiais de qualidade favorece a proliferação de informações falsas ou descontextualizadas e dificulta o entendimento do real cenário de contágio, bem como diminui a capacidade da população em decidir sobre sua saúde. O desencontro entre as informações oficiais e a realidade verificada impossibilita uma participação ativa da população no enfrentamento à crise. Para que as políticas públicas de enfrentamento tenham maior aderência na população, é necessário ampliar, e não reduzir, a transparência”, recomenda a publicação.

Conheça os principais resultados:

> Somando os pedidos de informação aos diferentes órgãos, ao todo, atingimos 115 solicitações. A partir delas, foram recebidas 78 respostas iniciais — dado que indica que 37 solicitações (32,2%) ficaram sem resposta.

> Dentre as respostas recebidas, somente 32 disponibilizaram acesso integral ao conteúdo solicitado e foram classificadas como satisfatórias (27,8%) — ou seja, menos de um terço do número de pedidos realizados.

> Diante do número limitado de respostas satisfatórias, foi necessário protocolar recursos, conforme previsto na Lei de Acesso à Informação. Após os recursos, as respostas satisfatórias obtidas subiram de 32 para 51.

> Em nenhum caso foi possível acessar os dados desagregados por raça e etnia, o que aponta um desafio importante para o acesso à informação sobre a pandemia.

> Algumas informações foram mais difíceis de conseguir do que outras: enquanto apenas 9 órgãos informaram sobre a disponibilidade dos leitos de UTI, 15 órgãos compartilharam protocolos de testagem.

> Em relação ao conteúdo, as respostas obtidas trouxeram evidências de que o país pode estar testando menos a população do que poderia. Também indicaram dificuldades que podem acentuar a subnotificação dos casos.

 

Sobre a Pesquisa
A análise foi realizada com transparência passiva, ou seja, a partir das respostas do poder público quando solicitadas informações, conforme previsto na Lei de Acesso à Informação. A ARTIGO 19 realizou e acompanhou 115 pedidos de informação entre os dias 7 de abril e 17 de maio de 2020. Os pedidos foram enviados ao Ministério da Saúde (MS), ao Hospital das Forças Armadas (HFA) e às secretarias estaduais de saúde de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal em torno de 6 temas: 1) protocolo de testagem; 2) realização de testes na população; 3) notificação dos casos; 4) taxa de ocupação dos leitos de UTI; 5) ações de enfrentamento e orçamento do Ministério da Saúde; e 6) testes realizados pelo Presidente da República.

Acesse a publicação na íntegra

O relatório 8 anos Lei de Acesso à Informação: Transparência para superar a crise, mostra que, mesmo quando solicitadas, informações que deveriam ser compartilhadas com a população pelo poder público não chegam.

Baixe a publicação

Organizações de liberdade de expressão e de imprensa ressaltam a gravidade da cobertura presidencial se tornar uma atividade de risco a ponto de diversos veículos cancelarem o plantão em Brasília. A sociedade civil, a comunidade internacional e os demais poderes públicos devem somar esforços para interromper a escalada de ataques a comunicadores, incluindo pelo próprio Presidente da República, no Brasil

Organizações de defesa da liberdade de expressão e imprensa alertam sobre a gravidade do momento vivido no Brasil diante da escalada de ataques a comunicadores, estimulada e realizada pelo próprio Presidente da República Jair Bolsonaro. Nesta terça-feira (26/05), ao menos três grupos de comunicação — Globo, Folha e Metrópoles — anunciaram que seus jornalistas não farão mais plantão para acompanhar a agenda presidencial, em Brasília, pelo alto risco a que estão submetidos, fato grave e único na história do período democrático brasileiro.

Em notas (veja ao final), os veículos informaram que um grupo de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro tem sido levado para ficar ao lado de jornalistas de plantão na saída do Palácio da Alvorada, separados apenas com uma grade, e  insultado de forma cada vez mais agressiva os profissionais que estão trabalhando sem que haja providências por parte das autoridades para protegê-los.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) tem recebido dezenas de denúncias sobre o grau de insegurança e ameaça ao trabalho dos profissionais de imprensa, que são agredidos, reiteradamente, por apoiadores do presidente com ações que vão de xingamentos, intimidações a tentativas de expor publicamente os jornalistas.

O próprio presidente e integrantes do seu governo têm sido motores dessa escalada. Tanto por ação direta, quando realizam insultos, ataques verbais, virtuais e ameaças institucionais aos veículos e profissionais, quanto por deixarem de cumprir com os deveres dos cargos que ocupam ao se omitir ou minimizar violências praticadas em seu nome.

É emblemático que um mês que começou com a agressão física de profissionais do jornal “O Estado de S. Paulo” em pleno Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (03/05) registre o rompimento de mais uma grave barreira de violação à liberdade de imprensa e expressão.

No dia 03 de maio, ao menos dois jornalistas, um fotógrafo e um motorista, sofreram agressões com chutes, socos e insultos por parte de um grupo que manifestava apoio ao presidente da república Jair Bolsonaro, também presente no evento, em Brasília. Bolsonaro minimizou a violência e jamais repreendeu seus apoiadores pelo comportamento. Pelo contrário, dois dias depois, o próprio Presidente foi o autor de insultos: ao desqualificar o jornal Folha de S. Paulo, mandou os jornalistas calarem a boca. Ao qualificar o jornal como ‘canalha’, ‘patife’ e ‘mentiroso’, Bolsonaro exibia uma reprodução da manchete do jornal que faz referência a troca de dois cargos considerados chave na polícia federal em inquéritos em andamento, a do diretor-geral e superintende do Rio de Janeiro.

No último dia 17, uma apoiadora de Bolsonaro, a servidora Angela Telma Alves Berger, agrediu com uma bandeirada a jornalista Clarissa Oliveira, da Band, durante nova manifestação de apoio ao presidente em frente ao Palácio do Planalto. Clarissa fazia a cobertura do ato e teve o óculos quebrado.

O presidente Bolsonaro também já estimulou que o grupo de apoiadores atacassem os jornalistas na porta do Palácio em outra ocasião, quando os profissionais chegaram a abandonar a cobertura do presidente no dia 31 de março.

A sociedade civil brasileira vem  somando notas de repúdio e ações conjuntas para tentar frear a escalada, exigir a responsabilização dos autores dos ataques e cobrar que representantes públicos ajam de acordo com os deveres do cargo que ocupam. O problema também preocupa a comunidade nacional e internacional e já foi alvo de manifestações Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) no Brasil e pela Organização das Nações Unidas (ONU) e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

A capacidade de jornalistas acompanharem em segurança o poder público para circular informações e opiniões para a sociedade está comprometida. A transparência do governo diminui a cada dia. A desinformação é impulsionada pelo poder executivo. A população vê sua capacidade de fiscalizar as ações do governo federal ser cada vez mais restringida. A liberdade de expressão e a de imprensa enfrentam sua maior ameaça em décadas justamente no momento em que o acesso a informações é central para responder a uma pandemia global.

Práticas como o discurso de ódio, ameaças autoritárias e antidemocráticas, ataques e agressões contra comunicadores extrapolam o direito à liberdade de expressão e à livre manifestação. Pelo contrário, a violência contra comunicadores e a restrição da liberdade de imprensa foram e são os principais elementos mobilizados para restringir a liberdade de expressão e a própria democracia no mundo todo.  Sua restrição impacta não só nos profissionais que desempenham a atividade, como na circulação livre de informações e idéias, restringindo o direito da população à informação como um todo. Questionar a imprensa ou discordar dela são atitudes legítimas, tentar silenciá-la com ataques e agressões é uma evidente e grave violação à Constituição e ao Estado de Direito.

A sociedade civil, comunidade internacional e os demais poderes públicos devem somar esforços para interromper a escalada de ataques a comunicadores e de violações à liberdade de expressão, defendendo práticas democráticas. As organizações que assinam esta nota reafirmam seu compromisso na defesa de direitos fundamentais e da democracia: vamos acionar todas as vias legais e esforços para cobrar representantes públicos e responder aos desafios que atravessamos.

Assinam:

ARTIGO 19
Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social
Instituto Vladimir Herzog
Jornalistas contra o Assédio
Repórteres sem Fronteiras (RSF)

Notas das empresas de comunicação na íntegra:

Folha de S. Paulo: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/05/folha-suspende-temporariamente-cobertura-no-alvorada-por-falta-de-seguranca.shtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=twfolha

Grupo Globo: https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/05/25/falta-de-seguranca-faz-jornalistas-do-grupo-globo-deixarem-plantao-no-alvorada.ghtml

Metrópoles: https://www.metropoles.com/brasil/metropoles-suspende-cobertura-no-alvorada-por-falta-de-seguranca

Nota do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal: https://www.sjpdf.org.br/noticias-teste/52-em-destaque/4124-nota-de-repudio-a-novos-ataques-de-apoiadores-de-bolsonaro-contra-jornalistas

A ARTIGO 19 agradece mais uma vez as mais de 100 inscrições recebidas na campanha #CompartilheInformação #CompartilheSaúde, lançada no dia 07 de maio. Ao longo dos últimos dias, ler propostas e iniciativas diversas e fundamentais só aumentou nossa certeza que ações conjuntas e parcerias são essenciais para responder à crise e superar a pandemia.

Um comitê selecionou as iniciativas parceiras que receberão um apoio com base nos critérios da nossa chamada aberta e com uma boa novidade: conseguimos ampliar o número total de grupos de 20 para 23. Esperamos que em meio a crise de saúde causada pela pandemia de COVID-19, esta iniciativa contribua para o fortalecimento dos direitos humanos e do acesso de grupos diversos à informação e à saúde. Conheça os/as contemplados/as:

  • Agência Tambor – São Luís (MA)
  • Alma Preta – São Paulo (SP)
  • Articulação dos Jovens Indígenas Tapeba (AJIT) – Caucaia (CE)
  • Associação Xavante Warã – Barra dos Garças (MT)
  • Associação Indigenista de Maringá – Maringá (PR)
  • Associação de Comunidades Montanha de Mongabal – Itaituba (PA)
  • Cirandeiras – Belo Horizonte (BH)
  • Cineclube Comunitário do Povo – Cachoeira (BA)
  • Coletivo Feminista Helen Keller de Mulheres com Deficiência – Campo Bom (RS)
  • Coletivo Rilia – Núcleo de Comunicação Popular Araçuaí – Araçuaí (MG)
  • Desenrola e Não me Enrola – São Paulo (SP)
  • Fórum das Juventudes da Grande BH – Belo Horizonte (BH)
  • Mídia Índia – Imperatriz (MA)
  • Movimento Cultural TUDO para TODOS – Aracaju (SE)
  • Movimento de Defesa dos Direitos dos Moradores em Núcleos Habitacionais de Santo André (MDDF) – São Paulo (SP)
  • Nós, Mulheres da Periferia – São Paulo (SP)
  • Núcleo Piratininga de Comunicação – Rio de Janeiro (RJ)
  • Observa PopRua – Brasília (DF)
  • Rede de Comunicadores da Rama | Rede de Agroecologia do Maranhão – Santa Inês (MA)
  • Silo – Arte e Latitude Rural – Resende (RJ)
  • SOS Providência – Rio de Janeiro (RJ)
  • Teia de Solidariedade Zona Oeste – Rio de Janeiro (RJ)
  • Usina de Ideias – Curitiba (PR)

Estes parceiros receberão um apoio de R$ 8.000,00 para produção e circulação de conteúdos sobre diferentes aspectos da crise econômica, política, social e de saúde pública neste momento, e que tragam novas perspectivas sobre redes de solidariedade, ações de enfrentamento, impactos e caminhos para afirmar direitos. Também serão contatatos para montar uma rede de troca de conteúdos e potencialização da sua disseminação na campanha #CompartilheInformação #CompartilheSaúde. A equipe de comunicação da ARTIGO 19 entrará em contato na próxima semana para encaminhamentos em relação aos próximos passos.

Registramos mais uma vez o nosso muito obrigada a todos/as que nos enviaram respostas plurais e engajadas. Também reforçamos que a quantidade e a qualidade das iniciativas é um sinal da importância de ampliar o apoio à comunicação popular, periférica, comunitária ou independente nos diferentes pontos do Brasil. Estamos em busca de novas parcerias e pensando formas de apoio que nos permitam em breve expandir essa rede.

Para acompanhar esta campanha, cadastre-se e receba o boletim da ARTIGO 19 no seu email: bit.ly/boletimartigo19

A webinar “LAI 8 anos – Transparência em Quarentena” aconteceu nesta segunda-feira (18/04), reunindo organizações para discutir a importância na LAI no contexto da Covid-19

A Lei de Acesso à Informação (LAI) completou oito anos de vigência no Brasil em 16 de maio, em meio ao enfrentamento a pandemia da Covid-19 no país e no mundo. Para marcar a data e discutir os caminhos que a legislação pode oferecer para responder à emergência de saúde pública, oito entidades se reuniram em um debate online sobre importância da garantia da LAI diante das novas circunstâncias e as fragilidades identificadas para a garantia direito humano à informação.

Representantes da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), ARTIGO 19, Fórum de Acesso a Informações Públicas, Instituto Ethos, Open Knowledge Brasil, Rede pela Transparência e Participação Social (RETPS) e Transparência Brasil foram unânimes em destacar que só é possível responder à crise do novo coronavírus com acesso à informação pública. E em alertar que a pandemia não pode ser usada de pretexto para o poder público diminuir a transparência justamente quando ela é mais necessária.

“A gente chega aos 8 anos da Lei de Acesso à Informação em um momento que a transparência e a transparência com agilidade são fundamentais para a sociedade entender a pandemia e discutir o que fazer para enfrentá-la. Oito anos é bastante tempo, são dois mandatos políticos, por exemplo. É tempo suficiente para instituições públicas que detêm a informação já terem incorporado a transparência na suas dinâmicas de trabalho, em treinamento de pessoal, criação de plataforma, compreensão dos formatos, dos dados e várias outras coisas”, destacou Amanda Rossi, diretora da Abraji.

Denise Dora, diretora executiva da ARTIGO 19, frisou que o acesso da população à informação é um direito humano fundamental e universal.“Comemorar as conquistas democráticas que a gente teve no último período são pedras essenciais no meio de um pântano de uma pandemia com governos irresponsáveis que não processam, organizam e nem compartilham informações, e não respondem quando a gente pergunta. Comemorar a LAI, é comemorar aquilo que a gente conquistou e aquilo que a gente não vai abrir mão.”, acrescentou.

“É impossível sair de uma crise sem a circulação de informação qualificada, confiável, transparente e acessível”, reforçou Caio Magri, diretor-presidente do Instituto Ethos. Nesse sentido, o diretor executivo da Transparência Brasil, Manoel Galdino destacou que a lei pode e deve ser aplicada em circunstâncias nas quais uma informação de interesse público está nas mãos do Estado.

Poder público deve ampliar acesso à informação
Além de debater a importância do acesso à informação, as organizações apresentaram também resultados de seu monitoramento do poder público no contexto da pandemia. As análises demonstraram que, apesar do caminho construído pela LAI, a transparência ainda está muito aquém do necessário.

Paula Oda, economista e coordenadora de projetos e práticas empresariais e política pública do Instituto Ethos, apresentou as respostas obtidas pelo Fórum de Direito de Acesso à Informação Pública – coalizão de organizações da sociedade civil que se comprometeram em monitorar a implementação da LAI: pelo menos 24 pedidos de informação feitos ao Executivo federal de 27 de março a 27 de abril foram negados citando como motivo a pandemia de covid-19 — sem comprovar os efeitos da crise sobre o processo de fornecer a informação solicitada (veja na íntegra).

Ainda no que diz respeito às perguntas e respostas via Lei de Acesso à Informação, a assessora do programa de Acesso à Informação da ARTIGO 19, Júlia Rocha, compartilhou análises preliminares de um dossiê que analisa a quantidade e qualidade de respostas a pedidos de informação sobre a Covid-19 via LAI em níveis federal e estadual. Os dados demonstram que informações que deveriam ser proativamente compartilhadas pelo poder público com a população não chegam nem quando solicitadas. Também é insatisfatória a publicação de dados desagregados por gênero, raça e etnia e outras informações que possam trazer evidências sobre os diferentes impactos da pandemia na população.

Camille Moura, coordenadora da Open Knowledge Brasil, relatou na webinar os avanços e retrocessos no ranking de transparência da Covid-19, que avalia, semanalmente, a qualidade dos dados e informações relativos à pandemia que têm sido publicados pela União e pelos estados. Desde abril, obteve-se um avanço na disponibilização de informações sobre os pacientes, como idade, sexo e número de pessoas nas unidades de terapia intensiva (UTI) e de leitos clínicos. Ainda é muito evidente, porém, a dificuldade de alguns estados fornecerem informações sobre o risco de sobrecarga do sistema de saúde, como leitos disponíveis e leitos exclusivos para o tratamento do vírus. O ranking também oferece um canal de apoio para gestores públicos que estejam em busca de orientações para ampliar a transparência neste momento.

A mediação do debate foi realizada por Marina Atoji, da Transparência Brasil, e as conversas onlines foram complementadas por interações dos participantes no canal. O vídeo na íntegra pode ser acessado neste link.

A análise apresentada pela ARTIGO 19 faz parte de um dossiê que a organização lançará na próxima semana sobre a efetivação da LAI no contexto da pandemia. Para receber, cadastre-se: bit.ly/boletimartigo19

A ARTIGO 19 é uma organização não-governamental de direitos humanos nascida em 1987, em Londres, com a missão de defender e promover o direito à liberdade de expressão e de acesso à informação em todo o mundo. Seu nome tem origem no 19º artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU.

Com escritórios em nove países, a ARTIGO 19 está no Brasil desde 2007, e desde então tem se destacando por impulsionar diferentes pautas relacionadas à liberdade de expressão e informação. Entre as quais, estão o combate às violações ao direito de protesto, a proteção de defensores de direitos humanos e comunicadores, a descriminalização dos crimes contra a honra, a elaboração e a implementação da Lei de Acesso à Informação, e a construção e defesa do Marco Civil da Internet.

A organização atualmente contempla quatro áreas programáticas: Acesso à Informação, Centro de Referência Legal, Direitos Digitais e Proteção e Segurança.

DESCRIÇÃO SUMÁRIA :

Estamos buscando um/a profissional dinâmica que irá trabalhar diretamente com a Coordenadora de Programa de Direito Digital na execução de ações previstas no plano estratégico e no planejamento do programa observando prazos e cronogramas pré-estabelecidos recursos previstos, targets de resultados e de qualidade e indicadores de progresso; essa posição inclui diversas responsabilidades e atribuições relacionadas à produção de conteúdo e a atividades de articulação e mobilização com foco principal no apoio da estratégia da organização na América do Sul. Trata-se de uma posição de forte interação para a troca de conhecimento com a equipe além das equipes das outras áreas programáticas.

RESPONSABILIDADES:

Produção de Conteúdo:

• Elaborar, desenvolver e providenciar a publicação de relatórios, artigos, análises, propostas, posts, notas, releases, material informativo, cartas individuais ou conjuntas sobre os temas trabalhados no Programa e em reação a acontecimentos que afetam e/ou relacionados aos temas de trabalho;

• Elaborar o relatório trimestral de atividades da área;

• Apoiar a elaboração de relatórios narrativos finais e intermediários para financiadores, levantando dados, conteúdos, materiais visuais e outros.

Articulação / Mobilização:

• Propor, planejar, organizar e conduzir reuniões e eventos para articulação, mobilização e construção de pautas para o Programa;

• Organizar e conduzir oficinas e reuniões com os públicos abrangidos pelos temas de trabalho;

• Criar e manter parcerias, buscando apoio e identificando atores críticos para o Programa e para os temas trabalhados;

QUALIFICAÇÕES:

• Graduação em Relações Internacionais, Ciências Sociais ou Humanas;

• Bom entendimento sobre direitos humanos e questões sociais particularmente relativos às políticas de Internet e direitos digitais;

• Profunda experiência com produção de conteúdo e articulação/mobilização;

• Forte proficiência na coleta, revisão, análise e elaboração de relatórios;

• Boa habilidade de manter atenção concentrada sobretudo aos detalhes como forma de garantir a qualidade do conteúdo produzido;

• Conhecimento de princípios do software livre e suas aplicações e plataformas de edição de texto, imagem, apresentação e web;

• Boa habilidade de comunicação;

• Fluência escrita e falada em inglês e espanhol;

• Demonstrar capacidade de trabalhar com autonomia e qualidade em um ambiente multifacetado e multitarefa;

• Demonstrar capacidade de ser um membro produtivo de uma equipe de pessoas, respeitando as diferenças concentrando seus esforços em direção a objetivos compartilhados, conforto com períodos de ambiguidade, participação construtiva no desenvolvimento organizacional.

QUALIFICAÇÕES DESEJÁVEIS:

• Pós-graduação em direitos humanos, direitos digitais ou áreas correlatas;

• Conhecimentos técnicos em redes e/ou programação;

• Ser de outro país da América do Sul, diferente do Brasil;

• Experiência com educação popular.

CONDIÇÕES DE TRABALHO:

O(a) consultor se reportará à Coordenadora de Programa Direito Digital podendo atuar no escritório da organização em São Paulo ou remotamente durante grande parte do tempo;

É necessário ter disponibilidade para eventuais viagens nacionais e internacionais para participar de reuniões, apresentações e eventos fora do escritório.

Oferecemos contrato de trabalho como pessoa jurídica pelo período de 6 meses em regime de atuação integral, com possibilidade de renovação ou contratação.

REMUNERAÇÃO:

Oferecemos remuneração em periodicidade mensal e proporcional à experiência e qualificação do(a) candidato(a);

Os Interessados(as) devem enviar currículo, carta de motivação contendo expectativa de remuneração mensal e produções sobre o tema em inglês até 31 de maio para o e-mail recrutamento@mapadesenvolvimento.com , com o título: “CONSULTOR DIREITO DIGITAL”.

A ARTIGO 19 adota em seus processos seletivos políticas afirmativas no tocante a diversidade de gênero e de raça e considerará esses critérios durante a seleção. Assim, pedimos por gentileza que candidatos(as) explicitem em sua candidatura caso sejam potenciais beneficiários(as).

O debate on-line será na próxima segunda (18) e reunirá representantes de diversas organizações, incluindo a ARTIGO 19, para discutir caminhos para garantir o acesso à informação no contexto da pandemia de Covid-19.

Neste sábado (16.mai.2020), completam-se oito anos desde que a Lei de Acesso à Informação (LAI) entrou em vigor no país. Em 2020, a data se insere no contexto da crise sanitária de escala global, que também tem afetado os princípios constitucionais de transparência pública.

Para abordar os desafios atuais e também os êxitos da lei, sete organizações da sociedade civil promovem o webinar “LAI 8 anos: transparência em quarentena” na próxima segunda-feira (18.mai.2020), às 16h no horário de Brasília. A participação é gratuita e a transmissão será feita neste link.

Como entidades atuantes na defesa da transparência pública, as organizações e redes à frente do evento — Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), ARTIGO 19, Fórum de Acesso a Informações Públicas, Instituto Ethos, Open Knowledge Brasil, Rede pela Transparência e Participação Social (RETPS) e Transparência Brasil — compreendem que o momento de pandemia exige ainda mais o aprimoramento da transparência ativa para que a imprensa e os cidadãos acessem informações de interesse público.

O webinar terá a participação de Camille Moura (Open Knowledge Brasil), Julia Rocha (ARTIGO 19), Otávio Neves (Controladoria-Geral da União), Paula Oda (Instituto Ethos/Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas) e um representante da Ouvidoria Geral do Estado de São Paulo (nome a definir). A mediação será feita por Marina Atoji (Transparência Brasil).

O objetivo é que representantes das organizações da sociedade civil e do poder público façam uma avaliação dos problemas no cumprimento da lei durante a pandemia e também esclareçam o que está sendo posto em prática para melhorar seu funcionamento em nível nacional e estadual.

Levantamento realizado pelo Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas revelou que pelo menos 24 pedidos de informação feitos ao Executivo federal de 27.mar.2020 a 27.abr.2020 foram negados citando como motivo a pandemia de covid-19 — sem comprovar os efeitos da crise sobre o processo de fornecer a informação solicitada.

Outro tema a ser abordado são os resultados do Índice de Transparência da covid-19, iniciativa da Open Knowledge Brasil que avalia, semanalmente, a qualidade dos dados e informações relativos à pandemia que têm sido publicados pela União e pelos estados.

Resultados parciais de um levantamento realizado pela ARTIGO 19 via pedidos de informações demonstram também que, mesmo quando solicitadas, informações sobre a pandemia, que deveriam ser divulgadas ativamente pelo poder público, não chegam. No momento em que acessar informações é fundamental para salvar vidas, os dados demonstram a importância de debater e somar esforços para fortalecer os caminhos construídos pela LAI e sua implementação ao longo de oito anos.

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