Organizações da sociedade civil lançaram a plataforma digital Defensores do Javari, dedicada ao acompanhamento das medidas de proteção dos povos indígenas e comunicadores da região do Vale do Javari, bem como à promoção da memória sobre o jornalista britânico Dom Phillips e o indigenista Bruno Pereira.
A iniciativa é coordenada por Repórteres Sem Fronteiras (RSF), União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), ARTIGO 19 Brasil e América do Sul, Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (Opi) e Instituto Dom Phillips. O portal reafirma o compromisso das entidades com justiça, transparência e proteção de povos indígenas, comunicadores e defensores de direitos humanos na Amazônia.
“Concebido como um espaço permanente de memória, informação e acompanhamento público, o site reúne cronologia dos acontecimentos, informações sobre as investigações e atualizações sobre os processos judiciais. A expectativa é que o julgamento dos executores dos assassinatos avance nos próximos meses, após adiamentos e etapas de coleta de provas e oitiva de testemunhas”, explica Raquel da Cruz Lima, coordenadora do Centro de Referência Legal da ARTIGO 19.
Mais do que reunir informações, o Defensores do Javari é uma ferramenta de memória, cobrança pública e mobilização para que o caso não seja esquecido e para que o Estado brasileiro cumpra integralmente os compromissos assumidos. Acesse: defensoresdojavari.org.br
A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul participou do Future Affairs Forum Rio 2026, conferência internacional organizada pela Delegação da União Europeia no Brasil, em parceria com o Museu do Amanhã, realizada nos dias 22 e 23 de junho, no Rio de Janeiro. O evento reuniu especialistas, formuladores de políticas públicas, artistas, representantes da sociedade civil e lideranças jovens para discutir futuros possíveis nas relações entre Brasil, União Europeia e América Latina.
Em um contexto marcado pela expansão da inteligência artificial, pela crise climática, pelas disputas geopolíticas e pela concentração de poder tecnológico, o fórum propôs um diálogo multissetorial sobre políticas públicas orientadas ao futuro, soluções tecnológicas centradas nas pessoas, ética, trabalho, futuros urbanos e cooperação internacional.
Ao longo do fórum, organizamos oficinas comunitárias paralelas, criando espaços práticos e participativos para aprofundar os temas centrais do evento e conectar atores de base comunitária a representantes internacionais. As atividades partiram da ideia de que os futuros já vêm sendo produzidos nos territórios, nas periferias, nas escolas, nas redes livres, nas aldeias, nas favelas, nos laboratórios cidadãos, nas rádios comunitárias e nas práticas de cuidado que sustentam a vida.
Como encaminhamento político, as oficinas apontaram para a necessidade de políticas de financiamento, governança participativa, desenvolvimento open source, tecnologias públicas e mecanismos de proteção contra o extrativismo de dados.
Paulo José Lara, co‑diretor executivo da ARTIGO 19 Brasil e América do Sul, integrou a equipe responsável pelo alinhamento das oficinas. A iniciativa foi desenvolvida ao lado de Felipe Schmidt Fonseca (Global Innovation Gathering), com foco em inovação digital comunitária e cultura maker, e de Ricardo Poppi (Instituto Cidade Democrática), com foco em democracia digital e participação cívica.As oficinas reuniram mais de 30 organizações da sociedade civil, coletivos, laboratórios cidadãos, comunicadoras, artistas, educadoras, pesquisadoras, juventudes e representantes de territórios para imaginar e propor futuros comuns a partir de uma perspectiva democrática, regenerativa, comunitária e tecnodiversa.
Entre os principais eixos debatidos estiveram soberania digital, bens comuns, comunicação como direito, justiça territorial, economia do cuidado, tecnologias abertas e infraestruturas digitais de baixo impacto ambiental. Como encaminhamento político, as oficinas apontaram para a necessidade de políticas de financiamento, governança participativa, desenvolvimento open source, tecnologias públicas e mecanismos de proteção contra o extrativismo de dados.
“Discutir futuros, inteligência artificial e transformação digital a partir dos territórios é essencial para que a tecnologia não seja apenas uma agenda de mercado, mas uma agenda de direitos, democracia e justiça social. Os futuros que queremos precisam ser construídos com participação efetiva das comunidades, com infraestruturas abertas, auditáveis e orientadas ao interesse público”, afirma Paulo José Lara, codiretor executivo da ARTIGO 19 Brasil e América do Sul.
Também participamos do painel de encerramento “O futuro que a gente quer”, com moderação de Augusto Godoy, coordenador de Comunicação da ARTIGO 19 Brasil e América do Sul, e a participação de Gean Guilherme Lopes (Laboratório 2050), Kamila Camillo (Instituto Crias do Tijolinho e PerifaConnection), Luiza Wosgrau (Politize!) e Renata Tupinambá (Originárias Produções) em um debate sobre caminhos para a construção de futuros mais justos e participativos.
Do digital ao comunitário, contribuímos para o debate sobre o futuro a partir das experiências da base, destacando tanto seus potenciais quanto aquilo que frequentemente permanece marginalizado ou invisibilizado.
A presença da ARTIGO 19 no Future Affairs Forum 2026 reforça o compromisso da organização com a defesa dos direitos digitais, da liberdade de expressão, da integridade da informação e da construção de pontes entre comunidades locais e debates internacionais sobre os grandes desafios do nosso tempo.
Um dos mais importantes jornalistas brasileiros e um dos principais artistas do traço que contou a história recente do Brasil foram os escolhidos, por unanimidade, pela comissão organizadora do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos para homenagens nas premiações especiais de sua 48ª edição.
Jamil Chade já percorreu mais de 70 países cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade. Atualmente é colunista no ICL Notícias, rádio TMC, Carta Capital, Vero e da TV Brasil.
Paulo Caruso, o menino que dividia o útero e a paixão pelo desenho com o irmão gêmeo, Chico, fez da caricatura a sua crônica diária e do humor sua ferramenta mais afiada. Com a precisão de sua formação em Arquitetura e a leveza de quem enxergava poesia no absurdo político, Paulo foi um dos intérpretes da história recente do Brasil Passou por redações como O Pasquim e IstoÉ, e por mais de três décadas, foi o cronista visual do Roda Viva, da TV Cultura. Sua partida, em 2023, aos 73 anos, deixou a mesa de desenho do país mais vazia.
Comissão organizadora e promotora
Desde a sua primeira edição, concedida em 1979, o prêmio celebra a vida e obra do jornalista Vladimir Herzog, torturado e assassinado pela ditadura civil-militar no dia 25 de outubro de 1975 nas dependências do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna), em São Paulo.
A premiação é organizada pelo Instituto Prêmio Vladimir Herzog, associação civil de direito privado, sem fins lucrativos ou político-partidários, fundada em novembro de 2022, em São Paulo. A entidade reúne 18 instituições da sociedade civil, além da família Herzog: Associação Brasileira de Imprensa (ABI); Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI); ARTIGO 19 Brasil e América do Sul; Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo; Conectas Direitos Humanos; Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP); Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ); Geledés; Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB Nacional); Instituto Vladimir Herzog, Instituto Socioambiental (ISA); Ordem dos Advogados do Brasil – Secção São Paulo; Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo; Coletivo Periferia em Movimento; Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo; Sociedade Brasileira dos Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo e União Brasileira de Escritores (UBE).
O 48º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos tem o patrocínio da Petrobrás, da Caixa e do Governo Federal por meio da Lei de Incentivo à Cultura. Nesta edição, um arco de alianças formado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), Teatro da PUC, TV PUC, CDI e OBORÉ atua como parceiros institucionais.
SERVIÇO:
48º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos
Solenidade de Premiação: 20 de outubro de 2026, terça-feira, às 19h30, no Tucarena, em São Paulo.
Neste ano, a cerimônia será antecedida da Roda de Conversa com os autores das produções premiadas e de visita ao Calçadão do Reconhecimento da Praça Memorial Vladimir Herzog – Rua Santo Antônio, 33, Bela Vista – São Paulo – SP, atrás da Câmara Municipal de São Paulo, em frente ao Terminal Bandeira.
ATIVIDADES PÚBLICAS, GRATUITAS, SEM NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE CONVITE.
A cerimônia em homenagem ao indigenista Bruno Pereira e ao jornalista Dom Phillips, realizada na quarta-feira, 11 de junho, em Brasília/DF, foi marcada por momentos especialmente simbólicos. Assista a transmissão do evento no YouTube do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania – aqui.
Durante o evento, o Ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Sidônio Palmeira, formalizou o pedido em nome do Estado brasileiro, reconhecendo os discursos difamatórios e de ódio que foram dirigidos às vítimas no contexto de seu desaparecimento e assassinato, em 2022. O pedido também reconheceu o papel fundamental dos povos indígenas na busca e localização dos corpos e da contribuição do jornalismo local e da comunicação popular e comunitária para o esclarecimento dos fatos. Assista o trecho em nosso Instagram.
Esse gesto representa um importante passo no processo de reconhecimento das responsabilidades do poder público diante das violações ocorridas e é resultado de anos de mobilização da sociedade civil, dos familiares, de movimentos sociais, de organizações de direitos humanos e do Sistema Interamericano de Direitos Humanos.
“Anos de mobilização da sociedade civil, dos familiares e de lideranças indígenas pressionando o Estado brasileiro perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos”, destaca Raquel da Cruz Lima, coordenadora do Centro de Referência Legal da ARTIGO 19.
A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul, em conjunto com outras entidades, teve papel relevante nesse processo, contribuindo para a solicitação de medidas cautelares junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), cobrando a atuação do Estado diante das violações e denunciando os ataques, a difamação e os discursos de ódio direcionados a Dom e Bruno durante o período das buscas.
Para a organização, o assassinato de Dom Phillips e Bruno Pereira constitui uma das mais graves violações à liberdade de expressão e ao direito à informação no Brasil recente, na medida em que buscou silenciar denúncias sobre crimes ambientais, violações de direitos indígenas e a atuação de grupos criminosos na Amazônia.
Nesse processo de reconhecimento, também tivemos a divulgação dos vencedores da primeira edição do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação em Defesa do Meio Ambiente, dos Povos Indígenas e das Comunidades Tradicionais, iniciativa que reforça a importância de preservar a memória, o legado e a luta de ambos.
Mais do que um gesto simbólico, o pedido de desculpas reafirma o compromisso com a verdade, a memória, a justiça e as garantias de não repetição. Dom e Bruno foram assassinados por defenderem os direitos humanos, os povos indígenas e a floresta. Seu legado permanece vivo, e sua luta continua sendo um chamado à proteção de jornalistas, comunicadores, defensores ambientais e povos tradicionais em todo o país.
As eleições de 2026 se aproximam. O caminho até o voto democrático passa pela internet — e as regras desse caminho mudaram.
A resolução que organiza a propaganda eleitoral na internet é, nas palavras de quem a estuda há anos, muito confusa. Candidaturas têm novas obrigações. Plataformas também. O TSE atualizou a resolução que organiza o que candidaturas e plataformas podem e não podem fazer no ambiente digital durante a campanha. Campeonato de cortes proibido. Conteúdo gerado por IA precisa ser identificado. Violência política de gênero com proteção reforçada. Remoção de conteúdo com devido processo. São mudanças concretas, com consequências reais para quem participa do debate democrático online.
Em 2024, grande parte dessas obrigações não foi aplicada pelo TSE. Em 2026, o IRIS quer que seja diferente — e isso começa por construir uma compreensão coletiva clara sobre o que a lei diz.
Por isso, o Insituto de Referência em Internet e Sociedade – IRIS, ARTIGO 19 Brasil e América do Sul e a Alafia Lab produziram este guia: um documento técnico e completo, escrito por pesquisadoras e pesquisadores, transformado numa jornada que qualquer pessoa consegue percorrer. Sete paradas no caminho até a urna, um semáforo do que mudou e do que segue valendo, situações concretas para orientar a prática e, para quem precisar, a letra da lei.
Em junho, a ARTIGO 19 Brasil e América do Sul reuniu, em São Paulo/SP, diferentes organizações da sociedade civil de diversos estados do Brasil para o encontro presencial do curso “Democratizando o Direito Concorrencial“. A iniciativa parte da premissa de que o direito concorrencial é uma política pública — e, como tal, deve contar com a participação ativa da sociedade civil em seu debate e construção.
Ao longo de cinco semanas, profissionais e organizações de diferentes agendas — como direitos digitais, comunicação, justiça climática e alimentação — participaram de encontros online que aprofundaram os fundamentos do direito concorrencial, seus instrumentos de análise e seus impactos sobre os direitos humanos.
O ciclo culminou no encontro presencial, dedicado à construção coletiva de estratégias de incidência institucional e ao desenvolvimento de ferramentas concretas de atuação junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).
A iniciativa se apoia em um reconhecimento central: a concentração econômica não é um tema técnico distante da vida cotidiana. Ela influencia o que se consome, o que se acessa, o que se pode expressar e, portanto, afeta diretamente o trabalho das organizações que atuam na defesa de direitos.
“O direito concorrencial é uma política pública voltada ao interesse coletivo. A proposta foi contribuir para que organizações possam intervir de forma mais consistente nos debates e procedimentos concorrenciais”, explica Raquel da Cruz Lima, coordenadora do Centro de Referência Legal da ARTIGO 19.
A presença da sociedade civil nesses espaços ainda enfrenta barreiras, como a complexidade técnica, as assimetrias de recursos e a concentração de expertise. O programa surge como uma resposta a esse cenário e se afirmar como uma aposta na participação democrática como ferramenta de transformação.
A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul lança o guia “Trilhas de Cuidado e Justiça”, uma publicação que reúne estratégias práticas para enfrentar a violência de gênero na esfera digital — especialmente aquela promovida por grupos de ódio organizados online.
Em um contexto em que ataques, ameaças e campanhas coordenadas de desinformação se intensificam nas redes, o material parte de um diagnóstico central: a violência digital não é separada da vida real. Ela é uma extensão de violências estruturais já existentes, mas amplificada, persistente e com efeitos concretos na saúde, na segurança e na participação pública das pessoas afetadas.
Grupos de ódio organizados — como redes coordenadas que atuam em fóruns, aplicativos de mensagens e plataformas digitais — operam como verdadeiras “milícias digitais”, articulando ataques para silenciar vozes dissidentes e restringir a participação política de mulheres, pessoas negras, LGBTQIAPN+, comunicadoras e defensoras de direitos humanos.
“O guia busca reunir recomendações de como melhor acolher, julgar, responsabilizar e encaminhar casos de violência digital de gênero de uma maneira que pessoas afetadas não deixem de se expressar e de ocupar os espaços públicos, especialmente os digitais”, afirma Maria Tranjan, coordenadora de Proteção e Participação Democrática da ARTIGO 19.
Sobre o guia
O guia foi desenvolvido para apoiar a atuação de ativistas, organizações da sociedade civil e operadores dos sistemas de justiça e segurança pública, além de contribuir para a proteção de pessoas em situação de maior vulnerabilidade.
Sua construção resultou da escuta de especialistas, pesquisadoras(es), pessoas que vivenciaram ataques online e representantes institucionais, com o objetivo de oferecer caminhos concretos de resposta a situações de violência digital de gênero.
Organizado de forma prática, o guia apresenta três trilhas que estruturam o enfrentamento à violência digital de gênero:
Trilha 1 — Acolher e encaminhar
A primeira trilha destaca que o acolhimento é um passo fundamental para interromper o ciclo de violência. Reconhecer a experiência da vítima, evitar a revitimização e oferecer orientação clara são elementos centrais.
Além disso, o guia orienta sobre como:
registrar corretamente casos e provas digitais
compreender as limitações institucionais
utilizar diferentes canais de denúncia (como boletim de ocorrência, SaferNet e Disque 100)
encaminhar casos de forma estratégica e segura
O material também enfatiza que registrar é uma forma de proteção, permitindo a construção de evidências e o acompanhamento de padrões de violência ao longo do tempo.
Trilha 2 — Responder e responsabilizar
A segunda trilha aborda os desafios e possibilidades de investigação e responsabilização. Entre os principais pontos, destaca-se que a violência digital não pode ser analisada apenas como ações individuais, mas como fenômenos estruturados por plataformas digitais e dinâmicas de amplificação.
O guia reúne recomendações como:
identificar ataques coordenados e padrões de comportamento
compreender o papel das plataformas digitais na disseminação da violência
fortalecer a capacitação técnica de agentes públicos
ampliar o entendimento jurídico sobre essas violências
Também enfatiza a necessidade de avançar na responsabilização das empresas de tecnologia, reconhecendo seu papel na organização e amplificação de conteúdos violentos.
Trilha 3 — Lutar e reconstruir
Reconhecendo que os impactos da violência digital podem ser duradouros, afetando a saúde mental, a segurança e a vida pública das pessoas, a terceira trilha trata do que ocorre após o ataque: como seguir, se proteger e reconstruir possibilidades de atuação.
Entre as recomendações, estão:
práticas de autocuidado e redução da exposição
acesso a apoio psicológico e psicossocial
fortalecimento de redes de apoio coletivo
adoção de medidas de segurança digital e proteção de dados
Mais do que respostas individuais, o guia enfatiza que a proteção e o enfrentamento à violência digital precisam ser construídos coletivamente.
Parceria com a Embaixada da França
Produzido pela ARTIGO 19 Brasil e América do Sul em parceria com a Embaixada da França no Brasil, o guia “Trilhas de Cuidado e Justiça” reforça que enfrentar a violência digital de gênero é também defender a liberdade de expressão e o direito de participar da vida pública sem medo.
Seu conteúdo também dialoga com os debates do seminário “Violência digital de gênero: impactos e perspectivas de combate aos grupos de ódio organizados online”, realizado em maio, em Brasília (DF), em parceria com a Embaixada da França. O encontro reuniu representantes do poder público e da sociedade civil para discutir respostas intersetoriais à violência online.
A inteligência artificial já está presente nos processos eleitorais da América Latina e do Caribe, transformando a forma como informações circulam, campanhas são conduzidas e o debate público se organiza.
Diante desse cenário, a ARTIGO 19 participou da realização do encontro regional “IA e eleições na América Latina e no Caribe: riscos reais, respostas urgentes”, promovido pela Alianza Regional por la Libre Expresión y Información, que reuniu autoridades eleitorais, organizações da sociedade civil, especialistas em tecnologia e jornalistas para um diálogo franco e estratégico sobre os impactos dessas tecnologias na democracia.
O debate destacou que o uso da IA em contextos eleitorais vai muito além dos deepfakes. Ferramentas de automação de conteúdos, microsegmentação de audiências, moderação algorítmica e amplificação artificial de mensagens já interferem diretamente na formação da opinião pública — muitas vezes em ambientes marcados por fragilidade institucional, baixa transparência das plataformas digitais e ausência de salvaguardas adequadas.
Ao longo do encontro, participantes discutiram:
o que já está acontecendo na prática eleitoral em diferentes países da região;
como a desinformação é potencializada pelo uso de sistemas de IA;
quais são os principais vazios regulatórios e riscos de respostas inadequadas;
e que tipos de salvaguardas são necessárias para proteger a liberdade de expressão, o direito à informação e a integridade das eleições.
Para a ARTIGO 19, o encontro reforça que o principal desafio não está na tecnologia em si, mas nas condições sob as quais ela é implementada. Garantir eleições livres e justas exige regras claras, transparência, mecanismos de responsabilização e participação ativa da sociedade civil nos debates sobre regulação e governança da inteligência artificial.
Em maio, realizamos o seminário “Violência digital de gênero: impactos e perspectivas de combate aos grupos de ódio organizados online” em Brasília-DF, em parceria com a Embaixada da França. O evento promoveu uma reflexão coletiva e intersetorial quanto às possibilidades de atuação do Poder Público e da sociedade civil diante dos desafios da violência no ambiente virtual.
O encontro também serviu de insumo para finalização do “Trilhas de cuidado e justiça: um guia para casos de violência de gênero na esfera digital”, voltado a traçar estratégias para proteção, justiça e responsabilização no ambiente digital, produzido pela ARTIGO 19 em parceria com a Embaixada da França no Brasil.
“O guia busca reunir recomendações de como melhor acolher, julgar, responsabilizar e encaminhar casos de violência digital de gênero de uma maneira que pessoas afetadas não deixem de se expressar, de estar nos espaços públicos e, especialmente, nos espaços públicos online”, explica Maria Tranjan, coordenadora de Proteção e Participação Democrática.
A atividade contou com a presença e participação de Laure Salmona, cofundadora da associação francesa Féministes contre le cyberharcèlement, Lola Aronovich, professora, pesquisadora e militante feminista, Marina Cordeiro, do Ministério das Mulheres, Catharina Vilela, do InternetLab e o próprio embaixador francês, Emmanuel Lenain.
O guia estará disponível em breve.
A partir de 20 de maio, jornalistas, repórteres fotográficos, escritores e artistas do traço já podem se inscrever no mais tradicional prêmio da imprensa brasileira. Vencedores serão conhecidos em 30 de setembro, em sessão pública de julgamento, com transmissão ao vivo. Cerimônia de premiação será no dia 20 de outubro, no Tucarena, em São Paulo.
As inscrições para a 48ª edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos seguem abertas até o dia 20 de junho de 2026. O mais tradicional prêmio da imprensa brasileira reconhece jornalistas, repórteres fotográficos, escritores e artistas do traço que, por meio do trabalho cotidiano, defendem a democracia, a justiça e os direitos humanos.
De abrangência nacional, o PVH tradicionalmente recebe inscrições em SETE categorias:
Produção jornalística em texto: Reportagens em texto publicadas em veículos impressos ou eletrônicos
Produção jornalística em áudio: Reportagens ou documentários em áudio
Produção jornalística em vídeo: Reportagens ou documentários em vídeo Produção jornalística em multimídia: Reportagens multimídia publicadas na internet
Fotografia: Foto ou série fotográfica publicada em veículos impressos ou eletrônicos
Arte: Ilustrações, charges, cartuns, caricaturas e quadrinhos publicados em veículos impressos ou eletrônicos
Livro-reportagem: obras editadas e lançadas no ano de 2025
Para concorrer, basta acessar a ficha de inscrição e seguir as orientações da plataforma. Para esta 48ª edição são aceitos trabalhos jornalísticos publicados ou veiculados no período compreendido entre 10 de junho de 2025 e 20 de junho de 2026. Na categoria livro-reportagem, serão aceitas inscrições de obras editadas entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025.
Neste site os interessados podem conferir o Regulamento das sete categorias tradicionais de premiação (texto, vídeo, áudio, multimídia, foto, arte e livro reportagem) e o calendário da edição.
A taxa de R$60,00 (sessenta reais) por trabalho inscrito é uma forma de marcar o compromisso da sociedade e dos profissionais da Comunicação com essa premiação histórica. O valor arrecadado nessa Contribuição Solidária vai ajudar os organizadores a honrar os compromissos assumidos com parceiros e fornecedores envolvidos na construção de mais esta jornada.
Comissão organizadora e promotora
Desde a sua primeira edição, concedida em 1979, o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog presta homenagem a personalidades e profissionais da comunicação que se destacam na promoção dos direitos humanos fundamentais e celebra a vida e obra do jornalista Vladimir Herzog, torturado e assassinado pela ditadura civil-militar no dia 25 de outubro de 1975 nas dependências do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna), em São Paulo.
Desde 2023, na histórica edição de 45 anos, a premiação passou a ser organizada pelo Instituto Prêmio Vladimir Herzog, associação civil de direito privado, sem fins lucrativos ou político-partidários, fundada em novembro de 2022, em São Paulo. A entidade reúne 18 instituições da sociedade civil, além da família Herzog: Associação Brasileira de Imprensa (ABI); Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI); Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor); ARTIGO 19 Brasil e América do Sul; Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo; Conectas Direitos Humanos; Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP); Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ); Geledés; Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB Nacional); Instituto Vladimir Herzog, Instituto Socioambiental (ISA); Ordem dos Advogados do Brasil – Secção São Paulo; Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo; Periferia em Movimento; Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo; Sociedade Brasileira dos Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e União Brasileira de Escritores (UBE).
O 48º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos tem o patrocínio da Petrobras, da Caixa e do Governo Federal por meio da Lei de Incentivo à Cultura. Atuam como parceiros institucionais a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), o Teatro da PUC, a TV PUC, a OBORÉ e a CDI Comunicação.
Período de inscrições: 20 de maio a 20 de junho 2026
Sessão pública de julgamento e divulgação dos vencedores: 30 de setembro de 2026, quarta-feira, 14h, com transmissão ao vivo
Solenidade de Premiação: 20 de outubro de 2026, terça-feira, no Tucarena, em São Paulo
Neste ano, a cerimônia será antecedida da Roda de Conversa com os autores das produções premiadas e de visita ao Calçadão do Reconhecimento da Praça Memorial Vladimir Herzog – Rua Santo Antônio, 33, Bela Vista – São Paulo – SP, atrás da Câmara Municipal de São Paulo, em frente ao Terminal Bandeira.