É com entusiasmo e alegria que a ARTIGO 19 anuncia os grupos selecionados para participar da Hackathon do Festival Compartilhe – Reflorestando as redes! A atividade ocorrerá nos dias 23, 24 e 25 de setembro, no Hub Green Sampa (Rua Sumidouro, 580, Pinheiros, São Paulo – SP).
Recebemos propostas de diferentes regiões do país, todas com muita criatividade e compromisso para pensar soluções que fortaleçam outras formas de relação com tecnologia, dados e comunicação. Depois de uma avaliação cuidadosa, chegamos à lista final:
Alquimídia
CodeBoys
Conecta Vozes
Derivativador Lab
Devolve
Hermes – Kurupira
Instituto Pedro Macambira
Laboratório de Incidência Política de Jornalistas e Comunicadoras Negras e Indígenas
Mapas Livres – IBEBrasil
Onda Eleitoral: Mutirão pela democracia!
Ônibus Hacker
Rede Transfeminista de Cuidados Digitais
Parabéns a todos os grupos selecionados! Em breve vamos entrar em contato com mais informações sobre os próximos passos.
Um agradecimento especial a todas as pessoas e coletivos que se inscreveram. O volume e a qualidade das propostas mostram a força e a diversidade de quem está pensando tecnologia, dados e comunicação no Brasil.
Além da hackathon, a programação do Festival contará com painéis, oficinas práticas, feira de iniciativas, gravações de podcasts e intervenções artísticas. O evento é gratuito e aberto ao público, mediante inscrição pelo site: https://www.sympla.com.br/evento/festival-compartilhe/3554372. Participe!
Para conferir a programação completa, acesse nossa página e perfis nas redes sociais.
Oito organizações da sociedade civil se unem para enfrentar a desinformação e ataques a pautas como aborto, direitos LGBTQIA+ e violência política de gênero e raça no período eleitoral
Há alguns anos e cada vez mais, toda eleição é a mesma coisa: candidatos usam os direitos de meninas, mulheres, pessoas negras e LGBTQIA+ como palanque. Não por meio de propostas construtivas ou focadas em avançar na garantia de direitos, mas pela disseminação de mentiras, desinformação e ameaças às poucas conquistas que alcançamos. Do kit gay aos ataques ao aborto legal, durante o período eleitoral, aquilo que é importante para nós, como o direito de existir e a justiça reprodutiva, torna-se alvo de candidatos que buscam disseminar o pânico para conquistar votos.
Não estamos falando apenas de mentiras isoladas que aparecem durante alguns meses de campanha. Existe uma infraestrutura permanente de produção e circulação de narrativas antigênero e racistas que ganha intensidade justamente em momentos de maior disputa política. Elas impactam a opinião pública, reforçam estereótipos e apresentam populações já vulnerabilizadas como ameaças a serem eliminadas.
Entre fevereiro e maio de 2022, durante a pré-campanha presidencial, a publicação de vídeos com discurso antigênero no YouTube cresceu 111%, em relação ao mesmo período do pleito anterior, segundo o Radar Antigênero, da Gênero e Número e da Novelo Data. Entre os mais de 5 mil vídeos analisados entre 2018 e 2025, 46% recorriam a ataques pessoais e 41% a humor e ridicularização.
Essas narrativas transformam debates sobre direitos em ameaças. Mulheres feministas são retratadas como inimigas dos homens; jovens negros como vilões da segurança; pessoas LGBTQIA+ como ameaças às crianças e às famílias; e pessoas trans, jornalistas, artistas, influenciadores e defensoras de direitos tornam-se alvos de campanhas de ataque. Com repetição e alcance, esses discursos reforçam estereótipos, alimentam o pânico moral e criam ambientes cada vez mais hostis para quem ocupa ou disputa espaços de poder.
E seus efeitos não terminam quando a eleição acaba. Essas narrativas permanecem no debate público, influenciam projetos de lei e políticas públicas e sustentam novos ataques a direitos. Por isso, enfrentar a desinformação não pode significar apenas desmentir uma informação falsa depois que ela já circulou: é preciso compreender como essas narrativas são construídas, antecipar sua circulação e disputar o debate público antes que elas se consolidem.
O aborto é um exemplo de como essa estratégia se organiza e ganha escala. Desde 2018, quase R$ 5 milhões foram gastos em anúncios sobre aborto nas plataformas da Meta durante campanhas eleitorais, de acordo com relatório do Netlab da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “O aborto é estrategicamente mobilizado em campanhas eleitorais para engajar eleitores e reforçar identidades políticas”, explica o relatório. São anúncios que reforçam o aborto como uma ameaça à família.
Mas o aborto está longe de ser o único alvo. Direitos das populações LGBTQIA+, educação sexual, linguagem neutra, políticas de igualdade racial, cotas e mecanismos para ampliar a participação política de mulheres e pessoas negras também são transformados em objetos de desinformação e pânico moral. Com alarde e mentiras, candidaturas constroem capital político durante as eleições e, uma vez eleitas, podem transformar esses discursos em projetos de lei, políticas e ações concretas contra direitos. Ao mesmo tempo em que essas pautas são atacadas, as próprias pessoas que as representam ou defendem tornam-se alvos. Mulheres, pessoas negras e LGBTQIA+ que se candidatam ainda se tornam alvo de violência política, que frequentemente é mediada e amplificada pela tecnologia e redes sociais. Nas eleições de 2024, apenas 15% das candidaturas que chegaram ao segundo turno foram de mulheres, mas elas foram alvo de quase 70% das ofensas feitas na internet, de acordo com dados do MonitorA.
Desinformação e violência política não são fenômenos separados. Fazem parte de um ambiente que aumenta o custo da participação política para grupos ainda sub-representados, intimida candidaturas e lideranças e busca reduzir sua presença e sua voz nos espaços de poder.
Esses problemas envolvem diferentes atores: políticos, plataformas digitais, usuários comuns da internet, IA e também comunicadores e jornalistas. E o enfrentamento a eles também passa por várias frentes.
Nós, que atuamos com comunicação, gênero e raça, direitos humanos e democracia, conhecemos essa dinâmica de perto. A cada eleição, monitoramos ataques, investigamos redes de desinformação, produzimos dados, checamos informações, apoiamos pessoas atingidas e tentamos qualificar o debate público. Muitas vezes, porém, fazemos isso quando uma mentira já viralizou, uma narrativa já ganhou força ou uma campanha de ataques já produziu consequências.
Em 2026, decidimos fazer diferente e enfrentar o problema na raiz. Vamos identificar essas narrativas antes que elas se consolidem, compreender como circulam e responder de maneira coordenada enquanto a disputa pública está acontecendo. Por isso, Aláfia Lab, ARTIGO 19, AzMina, Gênero e Número, Lamparina, Nem Presa Nem Morta, Quid e Transmídia se uniram em uma estratégia coletiva de ação. Oito organizações que, de diferente formas, têm olhado para desinformação, gênero e violência política, unidas para evitar que as narrativas que atacam nossos direitos cresçam e se consolidem.
Durante o período eleitoral, vamos monitorar como temas ligados a gênero e raça estão sendo mobilizados, identificar narrativas emergentes e padrões de ataque e produzir informação qualificada para responder a eles. Também vamos capacitar jornalistas e comunicadores para cobrir esses assuntos com responsabilidade, produzir conteúdos e estratégias de comunicação capazes de disputar o debate público e utilizar as evidências produzidas para incidir junto às plataformas digitais e às instituições responsáveis pela integridade das eleições.
Mais do que reagir a cada nova mentira, vamos antecipar movimentos e fortalecer outras formas de falar sobre direitos, participação política e democracia. Porque, quando passamos toda a eleição apenas respondendo aos ataques, são aqueles que espalham desinformação que acabam escolhendo os assuntos, as perguntas e os termos do debate.
É uma missão difícil: eles têm milhões de reais para pagar anúncios, nós temos a força da vontade política e uma articulação potente. Por isso, contamos também com vocês que nos acompanham para somar e ajudar a fazer frente a isso. Você pode somar divulgando nossas ações, fazendo circular informação qualificada e ajudando a ampliar as mensagens que defendem direitos e participação democrática.
Em 2026, não queremos passar mais uma eleição apenas desmentindo a próxima mentira. Queremos agir antes que ela se transforme na narrativa que organiza o debate.
A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul e a Juntes!Saúde Sexual e (não) Reprodutiva para Todes realizaram, no dia 17 de agosto, em Florianópolis, a formação “Acesso à informação e aborto [legal]”: um encontro dedicado a debater o direito ao aborto legal para a população trans, com olhar atento ao cenário nacional e ao contexto específico de Santa Catarina.
O aborto legal é um direito garantido por lei no Brasil em casos de estupro, risco de vida da pessoa gestante e anencefalia fetal. No entanto, o acesso a esse direito ainda é marcado por barreiras institucionais, desinformação e, no caso da população trans, por uma camada adicional de invisibilidade.
Pessoas trans com possibilidade gestacional frequentemente enfrentam obstáculos específicos ao buscar serviços de saúde reprodutiva, desde a ausência de protocolos de atendimento que reconheçam suas identidades até a falta de informação sobre seus direitos. Em muitos serviços, a própria existência dessas pessoas como sujeitos que gestam ainda não é reconhecida pelas instituições públicas, o que transforma o acesso ao aborto legal em um desafio ainda maior.
Debater aborto legal para a população trans é, portanto, debater o direito à saúde integral, ao reconhecimento da identidade e à dignidade, dimensões inseparáveis de uma comunicação verdadeiramente comprometida com os direitos humanos.
Em 2025, a ARTIGO 19 realizou a atualização do Mapa do Aborto Legal, resultado de ampla pesquisa e coleta de dados públicos sobre os serviços de aborto legal no Brasil. Pela primeira vez, em toda a metodologia de pesquisa, há perguntas direcionadas a compreender o acesso ao aborto legal pela população trans. O material apresenta de forma inédita respostas evasivas dos serviços disponíveis, as barreiras institucionais enfrentadas por pessoas usuárias e a ausência de dados interseccionais nas bases federais.
A partir desses achados, a formação teve como objetivo fomentar o debate, compartilhar aprendizados e fortalecer estratégias coletivas de acesso ao direito – com foco especial nas especificidades enfrentadas pela população trans no contexto de Santa Catarina e no cenário nacional.
A iniciativa reforça o nosso compromisso com o direito à informação como ferramenta de garantia de direitos e a compreensão de que acesso à saúde reprodutiva é também uma pauta de liberdade de expressão, de dignidade e de justiça.
Estão abertas as inscrições para a Hackathon do Festival Compartilhe, iniciativa da ARTIGO 19 Brasil e América do Sul e da Electronic Frontier Foundation (EFF), voltada à construção colaborativa de soluções tecnológicas alternativas ao monopólio das grandes plataformas digitais.
A atividade acontecerá nos dias 23, 24 e 25 de setembro de 2026, no Hub Green Sampa, localizado na Rua Sumidouro, 580, Pinheiros, em São Paulo (SP). Ao longo de três dias, reunirá pessoas desenvolvedoras, comunicadoras, jornalistas, artistas, ativistas de direitos humanos e demais interessadas em imaginar e desenvolver ferramentas práticas para uma internet mais livre, diversa e plural.
As pessoas participantes trabalharão em equipes de 1 a 5 integrantes para criar ferramentas práticas — como aplicativos, protocolos, processos, frameworks, projetos de governança tecnológica ou protótipos — que possam ser utilizadas por pessoas, coletivos, organizações e comunidades em diferentes contextos.
As propostas deverão dialogar com um ou mais eixos temáticos: por exemplo, redistribuição de atividades econômicas das big techs e cooperativismo de plataforma; medidas de promoção da concorrência, como portabilidade e interoperabilidade de dados; redes seguras de colaboração; e auditoria ou observação democrática de plataformas digitais.
A chamada busca incentivar soluções extensíveis, replicáveis, customizáveis, escaláveis e acessíveis, capazes de fortalecer a autonomia de comunicadores, artistas, coletivos, organizações, comunidades e desenvolvedores frente à concentração econômica e política do ambiente digital.
As inscrições devem ser feitas pelo formulário de inscrição até 31 de agosto de 2026, às 23h59, no horário de Brasília. Candidaturas individuais serão aceitas, desde que a proposta possa ser desenvolvida individualmente; mediante concordância, participantes individuais poderão integrar novas equipes.
As propostas serão avaliadas por critérios como alinhamento à chamada, clareza, inovação, viabilidade, impacto, interdisciplinaridade, experiência da equipe e diversidade. A divulgação das propostas selecionadas está prevista para o início de setembro, seguida de um encontro inicial online de preparação em meados do mesmo mês.
A hackathon contará com premiação de R$ 10 mil para o primeiro lugar, R$ 8 mil para o segundo, R$ 6 mil para o terceiro e R$ 2 mil para menção honrosa.
Inscreva sua proposta e ajude a construir ferramentas abertas, acessíveis e orientadas aos direitos humanos para uma internet mais democrática, plural e livre da dependência das big techs.
A campanha Brasil Faz Melhor lança uma frente de comunicação dedicada às tecnologias digitais para mostrar como o país tem produzido soluções capazes de combinar escala, inclusão, criatividade e interesse público.
A iniciativa parte de exemplos reconhecidos no cotidiano brasileiro, como o Pix, o Gov.br, a urna eletrônica e a cultura digital das redes, para afirmar uma narrativa simples: tecnologia boa é aquela que conecta, protege e inclui. Nosso país mostra que inovação de verdade é aquela que amplia acesso, fortalece direitos e coloca as pessoas no centro.
Quando o assunto é tecnologia, o Brasil costuma ser lembrado por sua escala: um país continental, hiper conectado, criativo, capaz de colocar milhões de pessoas no mesmo sistema em pouco tempo. Mas a história mais importante não está apenas no tamanho. Está no jeito brasileiro de transformar necessidade em solução coletiva.
Inspirada pelos debates sobre Futuros Comuns, a contribuição da ARTIGO 19 Brasil e América do Sul para a campanha Brasil Faz Melhor propõe olhar para o eixo de tecnologias digitais como uma agenda de autoestima e responsabilidade.
O país tem experiências públicas, comunitárias e cidadãs que mostram que inovação não precisa repetir modelos extrativistas, opacos ou excludentes. Pode ser construída com soberania digital, proteção de direitos, comunicação como direito, redes livres, dados de interesse público e participação social.
“Esse é o Brasil que faz melhor: um país que sabe que tecnologia não pode ser luxo, vitrine ou ferramenta de concentração de poder. Tecnologia boa é a que chega aonde precisa chegar. É aberta, auditável, democrática, inclusiva e feita para servir ao interesse público. É o digital que fortalece o presencial, amplia participação, reconhece saberes dos territórios e cria caminhos para que comunidades deixem de ser apenas usuárias e passem a ser autoras das soluções que impactam suas vidas”, comenta Paulo José Lara, codiretor executivo da ARTIGO 19.
O futuro digital brasileiro não cabe no singular. Ele nasce em escolas, periferias, laboratórios cidadãos, iniciativas de software livre, rádios comunitárias, coletivos de comunicação, serviços públicos digitais e soluções populares que respondem a problemas reais. O Brasil faz melhor quando transforma tecnologia em bem comum.
A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul participou do 196º Período de Sessões da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), realizado entre 3 e 7 de agosto de 2026, em Washington, D.C., em duas agendas centrais para a proteção de direitos humanos na região: a situação dos povos indígenas transfronteiriços nas Américas e a responsabilização das plataformas digitais por seus impactos sobre direitos fundamentais.
Na audiência sobre povos indígenas transfronteiriços, a ARTIGO 19 e o Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (Opi) apresentaram subsídios sobre a situação dos Povos Indígenas em Isolamento e Contato Inicial (PIACI), com foco no Corredor Territorial Yavarí-Tapiche, localizado entre Brasil e Peru. O território reúne aproximadamente 16,2 milhões de hectares de florestas contínuas e abriga a maior concentração conhecida de povos indígenas isolados e de recente contato do mundo.
“As fronteiras nacionais não correspondem aos modos de vida, deslocamentos e formas de ocupação territorial desses povos. Por isso, políticas públicas limitadas aos marcos administrativos de cada país são insuficientes para assegurar sua sobrevivência física e cultural. A proteção efetiva dos PIACI exige cooperação internacional permanente, reconhecimento dos corredores territoriais como unidades de proteção e adoção reforçada dos princípios da precaução, da não intervenção e do não contato”, explica Raquel da Cruz Lima, coordenadora do Centro de Referência Legal da ARTIGO 19.
O documento apresentado à CIDH também destaca ameaças que operam de forma transfronteiriça, como exploração madeireira ilegal, mineração, narcotráfico, pesca e caça predatórias, projetos de infraestrutura, exploração de petróleo e gás, contaminação por mercúrio, surtos epidemiológicos e campanhas políticas que buscam negar a existência de povos indígenas isolados. Essas dinâmicas atravessam fronteiras, enquanto as respostas estatais seguem fragmentadas.
Em outra audiência, sobre responsabilização das plataformas digitais e seus impactos nos direitos humanos, a ARTIGO 19 integrou uma coalizão de organizações da sociedade civil que discutir como o modelo de negócio das grandes plataformas digitais afeta os direitos à privacidade, direito à igualdade e à não discriminação, a liberdade de pensamento e os direitos da criança. A discussão abordou a necessidade de a Comissão Interamericana incluir a perspectiva das escolhas de designdas plataformas digitais para a compreensão dos danos causados por essas empresas.
Para a ARTIGO 19, os debates realizados na CIDH reforçam que a proteção dos direitos humanos nas Américas exige respostas regionais coordenadas, baseadas em prevenção, transparência, participação social e proteção de grupos em situação de maior vulnerabilidade.
Estão abertas as inscrições para a Hackathon do Festival Compartilhe— por uma internet mais livre, diversa e plural, iniciativa da ARTIGO 19 Brasil e América do Sul e da Electronic Frontier Foundation (EFF), voltada à construção colaborativa de soluções tecnológicas alternativas ao monopólio das grandes plataformas digitais.
A atividade acontecerá nos dias 23, 24 e 25 de setembro de 2026, no Hub Green Sampa, localizado na Rua Sumidouro, 580, Pinheiros, em São Paulo (SP). Ao longo de três dias, reunirá pessoas desenvolvedoras, comunicadoras, jornalistas, artistas, ativistas de direitos humanos e demais interessadas em imaginar e desenvolver ferramentas práticas para uma internet mais livre, diversa e plural.
As pessoas participantes trabalharão em equipes de 1 a 5 integrantes para criar ferramentas práticas — como aplicativos, protocolos, processos, frameworks, projetos de governança tecnológica ou protótipos — que possam ser utilizadas por pessoas, coletivos, organizações e comunidades em diferentes contextos.
As propostas deverão dialogar com um ou mais eixos temáticos: por exemplo, redistribuição de atividades econômicas das big techs e cooperativismo de plataforma; medidas de promoção da concorrência, como portabilidade e interoperabilidade de dados; redes seguras de colaboração; e auditoria ou observação democrática de plataformas digitais.
A chamada busca incentivar soluções extensíveis, replicáveis, customizáveis, escaláveis e acessíveis, capazes de fortalecer a autonomia de comunicadores, artistas, coletivos, organizações, comunidades e desenvolvedores frente à concentração econômica e política do ambiente digital.
As inscrições devem ser feitas pelo formulário de inscrição até 31 de agosto de 2026, às 23h59, no horário de Brasília. Candidaturas individuais serão aceitas, desde que a proposta possa ser desenvolvida individualmente; mediante concordância, participantes individuais poderão integrar novas equipes.
As propostas serão avaliadas por critérios como alinhamento à chamada, clareza, inovação, viabilidade, impacto, interdisciplinaridade, experiência da equipe e diversidade. A divulgação das propostas selecionadas está prevista para o início de setembro, seguida de um encontro inicial online de preparação em meados do mesmo mês.
A hackathon contará com premiação de R$ 10 mil para o primeiro lugar, R$ 8 mil para o segundo, R$ 6 mil para o terceiro e R$ 2 mil para menção honrosa.
Inscreva sua proposta e ajude a construir ferramentas abertas, acessíveis e orientadas aos direitos humanos para uma internet mais democrática, plural e livre da dependência das big techs.
Entre os dias 23 e 25 de setembro, a ARTIGO 19 realiza o Festival Compartilhe no Hub Green Sampa — Centro de Inovação Verde Bruno Covas, em Pinheiros, São Paulo. O espaço fica na Rua Sumidouro, 580, a cerca de 5 minutos a pé da estação Pinheiros – veja como chegar.
O Festival nasce da urgência de imaginar e construir outros futuros para a internet e para a comunicação. Em um cenário marcado pela concentração de poder das grandes plataformas digitais, pela dependência de infraestruturas privadas, pela crise de sustentabilidade do jornalismo independente e pela circulação acelerada de desinformação, o encontro propõe um espaço de diagnóstico, troca e experimentação coletiva.
A programação reunirá mesas de debate, oficinas práticas, hackathon, feira de iniciativas, gravações de podcasts e intervenções artísticas. Entre os temas previstos estão dados como bem comum, soberania digital, tecnologias abertas, redes comunitárias, regulação econômica das grandes plataformas, novos modelos de sustentabilidade para a comunicação independente, inteligência artificial e redução de danos, comunicação indígena, mídia comunitária e justiça climática.
Ao reunir grupos, coletivos, veículos, especialistas e organizações, o Festival Compartilhe quer criar conexões, fortalecer redes e abrir caminhos concretos para uma comunicação mais democrática, diversa, sustentável e menos dependente da lógica das big techs.
Confira a programação abaixo e no anexo(sujeita a alterações)
Dia 1 — Quarta-feira, 23 de setembro
O primeiro dia do festival começa com a abertura oficial e mergulha nos debates centrais sobre modelos alternativos de negócios na comunicação digital e a relação entre dados e soberania territorial.
9h – 9h30 | Boas-vindas e abertura
9h30 – 11h30 | Painel: Novos modelos de negócios: tecnologia e concorrência contra a dependência das big techs
Com Elaine Silva (Alma Preta), Sérgio Spagnuolo (Núcleo Jornalismo), Rodrigo Lara Mesquita (jornalista e pesquisador) e Daniela Soares (Gerente de Acelerações na ADE Sampa). Moderação: Ester Borges (Momentum – Journalism and Tech Task Force).
11h30 – 12h30 | Oficina: Comunidade CTRL+Z — Como abrimos uma porta para fora das big techs?
Com Equipe CTRL+Z.
12h30 – 14h | Pausa para o almoço
Com a apresentação da Roda de Código — atividade interativa de livecoding e arte generativa ao vivo.
14h – 15h30 | Painel: Dados como bem de natureza coletiva: da economia da atenção à soberania territorial
Com Nina Santos (pesquisadora e secretária-executiva da SAD – Sala de Articulação contra a Desinformação), Jader Gama (Grupo Cosmotécnicas Amazônidas), Adriana Veloso (Mídia Tática, autora de livro) e Kim Loeb (Um Minuto de Sua Atenção). Moderação: Dríade Aguiar (Mídia Ninja).
15h30 – 17h | Oficina: Retomando o Controle: As Redes Sociais Alternativas e o Fediverso
Com Damny Laya e Nara Schenkel.
17h – 18h | Encerramento do dia — Apresentação musical: Pagode Na Lata
10h – 17h | Gravações de podcast — Papo Preto (Alma Preta)
10h – 18h | Lançamento do livro “Inteligência Artificial, Privacidade e Democracia” de Adriana Veloso Meireles
10h – 17h | Feira de Convivência
Com 2050, Pajubá Tech, Desterro Jornalismo, Abaré Escola de Jornalismo, Frente de TI do MST, Núcleo de Tecnologia do MTST, Toda Cidadã, Cataki, Um Minuto de Sua Atenção, Vote Pela Paz e Sleeping Giants Brasil.
14h – 18h | Hackathon
Dia 2 — Quinta-feira, 24 de setembro
O segundo dia amplia o olhar para a comunicação comunitária e indígena como ferramentas de defesa territorial e justiça climática, além de aprofundar o debate sobre conectividade e soberania digital.
9h – 9h30 | Recepção
9h30 – 11h | Painel: Construindo confiança por meio da comunicação democrática e local: um antídoto contra a desinformação climática
Com Jéssica Santos (Rede de Notícias da Amazônia), Yorman Galviz (Associação Civil EscuChamos), Ana Müller (Mesa de Comunicação Popular de Salta e Jujuy), Daniela Parra (REDES pela Diversidade, Equidade e Sustentabilidade) e Magali do Nascimento Cunha (Bereia). Moderação: Lorenzo Vargas (WACC).
Com Vitória Régia da Silva (Gênero e Número) e Samantha Silva dos Reis (data_labe)
12h15 – 13h15 | Pausa para o almoço
13h15 – 14h45 | Painel: Território, Espectro, Memória: a mídia indígena no Brasil e a defesa da terra e da vida
Com Charles Nogueira (Conselho Indígena de Roraima – Taurepang), Samara Para Mirim (Coletivo Arandu Mirim – Mbyá-Guarani), Takarauku Mỹky (Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Mỹky) e Naine Terena (Oráculo Comunicação, Educação e Cultura). Moderação: Djalma Ramalho (Aranã Caboclo/Cultural Survival).
14h30 – 16h | Oficina: Imaginando futuros digitais a partir de infraestruturas de redes alternativas
Com Ariel Santos, Fernanda Monteiro e Nádia Pontes (Rede Transfeminista de Cuidados Digitais – RTCD).
15h30 – 17h | Painel: Conectividade Centrada na Comunidade, Justiça Digital e Resiliência Climática
Com Pedro Eckman (Intervozes/Nhandeflix), Tâmara Terso (Intervozes/Do Quintal à Cozinha), Hiure Queiroz (Coolab), Oona Castro (Nupef/Tridecs) e Adrián Lopez (Wiki Katat México). Moderação: Bruna Zanolli (LocNet/Rhizomatica).
17h – 18h | Encerramento do dia — Apresentação musical: Craca e Sandra-X
Ativações permanentes do Dia 2
9h30 – 17h | Feira de Convivência
Com 2050, Pajubá Tech, Desterro Jornalismo, Abaré Escola de Jornalismo, Frente de TI do MST, Núcleo de Tecnologia do MTST, Toda Cidadã, Cataki e Sleeping Giants Brasil.
O terceiro e último dia do festival concentra os debates sobre regulação econômica e mercados digitais e marca a etapa final da hackathon, com a apresentação dos pitches e a proclamação dos grupos vencedores.
Também haverá atividades para o público infanto-juvenil — uma ótima oportunidade para trazer as crianças! A programação inclui uma oficina de programação e eletrônica, em que será possível criar seu próprio Genius, além de jogos interativos que combinam arte, tecnologia e educação em experiências lúdicas.
9h – 9h30 | Recepção
9h30 – 12h | Oficina: Apoiando Modos de Vida Comunitários por meio de Serviços Digitais Locais
Com Tania Silva (Coolab/Tranca Rede), Peter Bloom e Nilson Rocha (HERMES) e Luandro Vieira (Community Box). Moderação: Luisa Pereira.
11h – 12h30 | Painel: Por mercados digitais mais livres e abertos: intersecções entre soluções tecnológicas e regulação econômica
Com Nina da Hora (cientista e pesquisadora), Paulo Henrique de Oliveira (CADE), Luã Cruz (CTRL+Z) e Luana Barbosa (Pajubá Tech). Moderação: Flora Rebello Arduini (Luminate).
12h30 – 13h30 | Pausa para o almoço
14h – 15h | Oficina: Programação e eletrônica para crianças: crie seu próprio jogo Genius com arduino (recomendada para crianças com 7 a 12 anos, acompanhadas de responsáveis – vagas limitadas)
Com Raquel da Cruz Lima (ARTIGO 19), Jeff Nascimento (@jnascim) e Matias Desenzi.
15h – 16h | Cerimônia final da Hackathon
16h – 17h | Encerramento Geral
Ativações permanentes do Dia 3
9h30 – 16h | Feira de Convivência
Com 2050, Pajubá Tech, Desterro Jornalismo, Abaré Escola de Jornalismo, Frente de TI do MST, Núcleo de Tecnologia do MTST, Toda Cidadã, Cataki, Vote Pela Paz e Sleeping Giants Brasil.
9h30 – 16h | Hackathon — ajustes finais, pitches e proclamação dos vencedores
12h – 15h | Jogos interativos: Máquina Tudo Coletivo Criativo
O Festival Compartilhe é uma realização da ARTIGO 19 Brasil e América do Sul com apoio da ADE SAMPA (Agência São Paulo de Desenvolvimento), Prefeitura de São Paulo, WACC (Asociación Mundial para la Comunicación Cristiana), APC (Association for Progressive Communications), Rhizomatica, CTRL+Z, Brasileiragem, EFF (Electronic Frontier Foundation), Sleeping Giants Brasil e Cultural Survival.
A ARTIGO 19 celebra sua nomeação como uma das organizações integrantes do Comitê de Implementação, Monitoramento e Avaliação do Plano Nacional de Proteção a Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (Portaria MDHC n. 1.236/2026).
A eleição, realizada em espaço próprio da sociedade civil em maio deste ano, e a nomeação representam um reconhecimento da trajetória da organização na defesa da liberdade de expressão, do direito à comunicação e da proteção integral de pessoas e coletivos que atuam na linha de frente da defesa de direitos no Brasil.
Essa nomeação também marca um passo importante em uma luta construída ao longo de mais de 15 anos pela existência de um plano e de uma política pública capazes de responder, de forma efetiva, aos anseios e às necessidades de defensoras e defensores de direitos humanos, comunicadoras e comunicadores ameaçados. Trata-se de uma agenda que exige compromisso permanente do Estado, participação social qualificada e mecanismos capazes de enfrentar as múltiplas formas de violência, silenciamento e intimidação que atingem quem defende direitos.
“A participação da sociedade civil nesse espaço é fundamental para garantir que a política de proteção avance com transparência, controle social e compromisso com as pessoas, grupos e comunidades que atuam na defesa de direitos. A presença de organizações da sociedade civil no Comitê fortalece a possibilidade de acompanhamento contínuo da implementação do Plano, contribuindo para que suas diretrizes se traduzam em medidas concretas, acessíveis e territorialmente adequadas”, explica Maria Tranjan, coordenadora de Proteção e Participação Democrática na ARTIGO 19.
Nesse processo, a organização contribuiu para sistematizar perspectivas, desafios e horizontes da política de proteção, destacando potencialidades e limites da proposta e reafirmando que políticas nacionais voltadas a esses grupos são essenciais não apenas para garantir que ativistas, comunicadoras e comunicadores possam exercer seu trabalho com segurança, mas também para fortalecer a democracia e enfrentar práticas autoritárias.
Entre as prioridades institucionais da ARTIGO 19 para sua participação no Comitê estão:
defesa da liberdade de expressão, inclusive por meio da implementação de mecanismos específicos de proteção a comunicadoras e comunicadores;
garantia de medidas capazes de coibir a violência digital e o vigilantismo facilitado por tecnologias, bem como de fortalecer a capacidade do Estado para acolher, analisar e responder a casos dessa natureza;
implementação de ações que combatam a censura e a criminalização da expressão, especialmente em territórios de favelas e periferias;
construção de medidas de proteção orientadas pela interseccionalidade, considerando critérios de gênero, raça, sexualidade e território.
Ao integrar o Comitê, a ARTIGO 19 reafirma seu compromisso histórico com a liberdade de expressão, o direito à comunicação, a proteção de comunicadoras e comunicadores e a defesa de um ambiente seguro para todas as pessoas que promovem direitos humanos e proteção ambiental.
Seguiremos contribuindo para que o Plano seja implementado de forma efetiva, participativa e permanente, com escuta ativa dos territórios, respeito às especificidades das pessoas ameaçadas e compromisso com a prevenção, a proteção, a responsabilização e a reparação.
Entre os dias 21 e 23 de julho, a equipe da ARTIGO 19 Brasil e América do Sul se reuniu em São Paulo/SP para uma reunião geral da organização. Durante três dias, todos os colaboradores participaram de atividades voltadas à troca de experiências, ao planejamento institucional e à convivência entre as equipes.
A programação foi construída para ampliar o conhecimento sobre os projetos e iniciativas desenvolvidos pela organização, promover discussões sobre temas estratégicos e criar momentos de integração e cuidado. O encontro também foi uma oportunidade para compartilhar desafios, perspectivas e prioridades para o próximo período.
As atividades dos dois primeiros dias incluíram apresentações sobre a estrutura da organização, o processo global de transformação da ARTIGO 19 e o trabalho realizado pelas diferentes equipes.
“Se teve algo que os anos de avanço do autoritarismo no Brasil nos ensinou é que precisamos estar juntos para estarmos mais fortes e o espírito desses dias foi esse. Poder pensar estrategicamente, criativamente, mas desde um lugar do cuidado coletivo, autocuidado e de circular uma energia potente”, comentou Raísa Cetra, codiretora executiva da organização.
Entre os destaques da programação estiveram a atividade de escuta interna “Palavras, imagens e futuros para a ARTIGO 19”, que integra o processo de construção do rebranding dos 20 anos da organização, a oficina “Entre Traços”, dedicada à produção coletiva de autorretratos e retratos da equipe, e a experiência sensorial “Entre Sentidos”, voltada ao bem-estar das pessoas participantes.
No dia 23 de julho, a programação continuou no escritório da ARTIGO 19. A equipe realizou uma visita guiada ao Memorial da Resistência para conhecer mais do espaço, e conferir a exposição “No Olho da Rua”, e participou de atividades voltadas aos alinhamentos institucionais, incluindo a apresentação do Relatório Mensal de Atividades e dos Protocolos de Segurança da organização.
A imersão foi encerrada com um momento de confraternização, celebrando mais um encontro dedicado à troca de conhecimentos, ao fortalecimento do trabalho coletivo e à construção dos próximos passos da ARTIGO 19 Brasil e América do Sul.