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A ARTIGO 19 esteve no dia 28 de agosto na audiência pública “Rádios Comunitárias: desafios e perspectivas”, que aconteceu na sede da Procuradoria Regional da República da 3ª região, em São Paulo. De iniciativa da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), o evento foi a primeira de uma série de audiências com o mesmo tema que deve percorrer todas as cinco regiões do país até o final do ano, segundo estimativa do próprio órgão.

Reunindo organizações civis, representantes do poder público e de rádios comunitárias da região, o evento teve como objetivo promover o diálogo entre os divergentes interesses e opiniões acerca da radiodifusão. As organizações que estiveram presentes, além da ARTIGO 19, foram o Coletivo Intervozes, a Associação Mundial de Rádios Comunitárias (AMARC), o Movimento Nacional de Rádio Comunitária (MNRC), a Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra), a Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), esta última representando o interesse comercial na radiodifusão. Do poder público, estiveram a Anatel e o Ministério Público Federal. Já o Ministério das Comunicações e a Polícia Federal, que haviam confirmado presença, não compareceram.

A mesa de abertura discutiu o tema “Democracia e Radiodifusão: o espaço da rádio comunitária”, e foi composta pela Abert, ARTIGO 19, MNRC, AMARC e ABRAÇO. Dando início ao debate, a palavra foi dada ao representante da Abert, que levou questões técnicas e enfatizou a importância da legalidade, ressaltando que também eram vítimas de fiscalizações periódicas e rigorosas. O representante da Abraço, José Soter, criticou a postura da Abert, apontando que a associação comercial insistia em tratar da tecnicidade da questão, que era, na verdade, uma questão política.

Em seguida, Paula Martins, diretora da ARTIGO 19, lembrou a função social que muitas rádios comunitárias têm e a sua importância em cada região do país. Paula falou de pesquisas jurisprudenciais que evidenciam a tendência do Poder Judiciário em criminalizar as rádios comunitárias, ao invés de optar por sanções administrativas ou cíveis (como recomendado pelo direito internacional), e que tal atitude incrimina um direito fundamental, que é o da liberdade de expressão. “A liberdade de expressão não é somente um direito individual, mas coletivo, e, ao cercear o direito de um comunicador comunitário, o direito da comunidade de receber a informação também é violado”, disse.

Já o representante do MNRC, Ângelo Inácio, apontou o monopólio da comunicação e a propriedade por políticos como um problema estrutural e que impede a democratização dos meios de comunicação. Segundo entendem, o Ministério das Comunicações contribuiu e continua contribuindo para o fortalecimento desse grupo de interesse, opinião que foi reiterada por José Soter, da Abraço, dizendo haver um “cerco absoluto” às rádios comunitárias, que parte dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, tendo a Abert grande influência em todos os três.

A discrepância de tratamento recebido pelas rádios comerciais em relação às comunitárias pode ser aferida numericamente: enquanto às comunitárias é imposto o limite de 25 watts, o limite das comerciais é de 10 mil watts.

A mesa seguinte foi composta por Pedro Ekman, do Intervozes, Everaldo Gomes, da Anatel, Jefferson Dias, procurador da República, e por um representante da rádio Heliópolis, para tratar do tema “Fiscalização da Radiodifusão: desafios e perspectivas”. Uma das questões levantadas abordou a legalidade por parte das emissoras comerciais, evidenciando irregularidades em práticas comuns como a propriedade por políticos e o arrendamento de horários, geralmente feito por igrejas. Jefferson Dias enfatizou o caráter “esquizofrênico” do Ministério Público em seu tratamento para com as rádios comunitárias, destacando a falta de unidade sobre a questão como um grande entrave.

Foi destacado, tanto pelas organizações como pelos comunicadores comunitários, o dever do Ministério Público em se aliar às rádios comunitárias, tendo em vista a função social exercida por elas e a garantia da liberdade de expressão, almejando a democratização dos meios de comunicação.

OEA-2

A Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão da CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos), que é ligada à OEA (Organizações dos Estados Americanos) lançou recentemente seu site em português. Na página podem ser encontrados, traduzidos para português, os principais relatórios temáticos produzidos pela Relatoria Especial, assim como comunicados de imprensa, os documentos básicos sobre o direito à liberdade de expressão no sistema interamericano, todas as declarações conjuntas realizadas com outros relatores especiais para a liberdade de expressão e diversos conteúdos sobre os vários temas envolvendo o direito à liberdade de expressão e ao acesso à informação.

Veja abaixo a lista de algumas das publicações traduzidas para o português, e que estão disponíveis para consulta e download através do novo site da Relatoria Especial:

Liberdade de Expressão e Internet (2013): a publicação inclui uma sistematização dos padrões que visam promover o respeito à liberdade de expressão na internet. O documento analisa as melhores práticas na matéria, bem como a jurisprudência e doutrina internacionais aplicáveis.

Violência contra jornalistas e funcionários de meios de comunicação: Padrões interamericanos e práticas nacionais de prevenção, proteção e realização da justiça (2013): a publicação apresenta uma revisão dos padrões internacionais em matéria de prevenção, proteção e luta contra a impunidade de crimes cometidos contra jornalistas. O relatório estuda, entre outras questões, os avanços e desafios dos programas e mecanismos desenvolvidos por alguns países na região em matéria de proteção e prevenção da violência contra jornalistas, e apresenta recomendações específicas para melhorar a proteção dos jornalistas e a luta contra a impunidade dos crimes cometidos.

O Direito de Acesso à Informação no Marco Jurídico Interamericano Segunda Edição. (2012): a publicação explica quais são os princípios que devem reger o desenho e a implementação de um marco jurídico que garanta o direito de acesso à informação. Do mesmo modo, explicam-se os conteúdos mínimos deste direito segundo a doutrina e jurisprudência regional. A sua segunda edição inclui uma seção com algumas decisões internas dos países da região, que, no critério da Relatoria Especial, constituem boas práticas em matéria de acesso à informação, e que por isso devem ser divulgadas e discutidas.

Marco Jurídico Interamericano sobre o Direito à Liberdade de Expressão (2009): o objetivo desta publicação é apresentar de modo sistemático e atualizado a jurisprudência interamericana que define o âmbito de aplicação e o conteúdo deste direito. Entre os temas mais importantes, destacam-se: a importância, função, características e restrições ao exercício do direito à liberdade de expressão, bem como os tipos de discurso protegidos; a proibição da censura e das restrições indiretas; os jornalistas e os meios de comunicação social; a liberdade de expressão por parte de funcionários públicos; e a liberdade de expressão no âmbito dos processos eleitorais.

Uma Agenda Continental para a Defesa da Liberdade de Expressão (2009): esta publicação, além fazer um resumo dos padrões interamericanos em matéria de liberdade de expressão, reconhece os avanços regionais alcançados nas Américas em relação à plena garantia do direito à liberdade de expressão, mostra os mais importantes desafios que a região enfrenta nesta matéria e apresenta uma série de recomendações concretas, viáveis e factíveis que a Relatoria considera necessárias para enfrentar tais desafios.

Acesse o site em português aqui.

Data: 10/09/2014 (quarta-feira)
Horário: das 8h às 17h
Local: Sede da Abong
Endereço: Rua General Jardim, 660

8h – 9h

Inscrições

9h – 10h15
Abertura

Boas vindas, apresentação dos objetivos do seminário e da agenda

Painel 1 – Análise de contexto – o papel da sociedade civil na definição dos ODS

  • Iara Pietricovsky – Inesc
  • Nalu Faria – Marcha Mundial das Mulheres
  • Damien Hazard e Alessandra Nilo – Abong

 

10h15-10h45
Debate

10h45 – 11h15
Coffee Break

11h15 – 12h30
Painel 2 –
Mesa temática composta por representantes das áreas das metas mais sensíveis da negociação dos ODS.

  • Meios de Implementação/ Taxa sobre Transações Financeiras – TTF – Alessandra Nilo
  • Sociedades pacíficas e acesso à justiça – Robert Muggah – Instituto Igarapé
  • Liberdade de expressão – Paula Martins – Artigo 19 (10’)
  • Mudanças climáticas – Adriana Ramos – ISA/Abong
  • Parcerias estratégicas – Sérgio Haddad – Ação Educativa
  • Juventude – Victor Baldino – Engajamundo

12h30 – 13h
Debate

13h – 14h30
Almoço

14h30 – 16h
Painel 3 –
Roda de diálogo com governo

José Antonio Marcondes, embaixador, negociador do Brasil e sub-secretário geral do meio ambiente, energia e tecnologia do MRE

Vanessa Dolce, da Secretaria Geral da Presidência da República, representando o Grupo Interministerial de Trabalho para o Pós 2015

Mario Mottin, negociador do Brasil no Comitê de Especialistas da ONU para o financiamento do desenvolvimento sustentável

Cláudio Fernandes – TTF Brasil – Taxa sobre Transações Financeiras/Gestos/Abong 

16h – 16h30
Coffee break

16h30 – 17h
Debate e encerramento

Data: 09/09/2014 (terça-feira)
Horário: das 9h às 18h
Local: Sede da Abong
Endereço: Rua General Jardim, 660

Programação

9h – 9h30
Boas vindas e rodada de apresentações

9h30 – 11h15
O que são os ODS? Histórico, oportunidades e limitações

11h15 – 11h30
Coffe Break

11h30 – 13h
Qual o processo de definição dos ODS? Entendendo a agenda das negociações.

13h – 14:30
Almoço

14h:30 – 16h
Atividade prática: os 17 ODS propostos pelo Grupo de Trabalho Aberto (GTA)

16h – 16h15
Coffe Break

16h15 – 18h
Atividade prática: como pautar os ODS?

Oficina ODS

Estão abertas as inscrições para a oficina “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – entender o tema para pautar a sociedade”, que acontece no dia 9 de setembro. A iniciativa é fruto de parceria entre a ARTIGO 19, a Abong (Associação Brasileira de ONGs) e a FES (Friedrich-Ebert–Stiftung).

A oficina é voltada para comunicadores, como jornalistas e blogueiros, e tem o objetivo de explicar sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), abordando seu histórico e jogando luz sobre o que eles efetivamente representam.

Atualmente em discussão na ONU, os ODS são uma série de objetivos de caráter social, econômico e ambiental a serem alcançados pelos países do mundo todo. Eles entrarão em vigor no dia 1º de janeiro de 2016, substituindo os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, cujo prazo para serem alcançados termina no final de 2015.

Os ODS começaram a ser traçados a partir da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, conhecida como Rio+20, e que ocorreu em junho de 2012, no Rio de Janeiro.

Uma vez definidos, os ODS deverão guiar os esforços de governos, empresas e sociedade civil para atingi-los.

As vagas para a oficina são limitadas. Para se inscrever, acesse o formulário aqui.

A OFICINA

A oficina acontece no dia 9 (terça-feira), das 9h às 18h, na sede da Abong (Rua General Jardim, 660).

Na parte da manhã, a oficina irá apresentar os ODS, abordando o processo de sua definição e suas principais polêmicas.

Já a parte da tarde será reservada para exercícios práticos, que servirão também para preparar a cobertura do seminário sobre ODS que será realizado no dia seguinte.

Confira a programação aqui.


SEMINÁRIO

Já no dia 10, das 8h às 17h, acontece o seminário “Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável: o que está em jogo nestas negociações? Análise e estratégias da sociedade civil”.

Representantes de ONGs, movimentos sociais, universidades e governo estarão presentes para discutir os rumos do processo de definição dos ODS.

O evento também terá a presença de membros do governo responsáveis pelas negociações na ONU.

Veja a programação aqui.

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No próximo dia 3 de setembro, em São Paulo, diversas entidades que discutem temas ligados ao meio ambiente vão participar do seminário “Democracia Ambiental no Brasil e o Acordo Regional do Princípio 10”. O evento é uma iniciativa da ARTIGO 19, do Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), e do GovAmb/USP (Laboratório de Governança Ambiental da Universidade de São Paulo), e conta com o apoio do FBOMS (Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e Desenvolvimento).

O objetivo do encontro é debater e difundir informações sobre os desafios brasileiros em relação a participação social, ao acesso à informação e à justiça em questões ambientais e o processo de construção do acordo sobre o Princípio 10 entre governos da América Latina e do Caribe.

O Princípio 10 é parte da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, documento final da Eco-92, e define o compromisso dos governos em garantir o acesso à participação, à informação e à justiça nas questões ambientais.

O evento contará com a presença de Bernardo Macke, da Coordenação-Geral de Desenvolvimento Sustentável do Ministério das Relações Exteriores, e negociador brasileiro do acordo do Princípio 10.

Para Paula Martins, diretora-executiva da ARTIGO 19, o evento é fundamental para dar prosseguimento ao debate no âmbito regional. “É essencial que a sociedade brasileira se envolva nesse debate e acompanhe os compromissos que têm sido assumidos pelo governo brasileiro. Um novo tratado regional sobre o tema poderia em muito ajudar a consolidar a democracia ambiental em nossa região, deixando claro que não pode existir desenvolvimento sustentável sem o tripé Acesso à Informação-Participação-Justiça”, defende.

O coordenador de projetos do Imaflora, Renato Morgado, destaca a importância do seminário. “A construção de um acordo regional sobre o Princípio 10 possui o potencial de aprofundar a democracia ambiental em nosso país e na região. O evento será uma importante oportunidade para discutirmos o processo de construção desse acordo e os desafios da democracia ambiental no Brasil”, afirma.

Para Vanessa Empinotti, professora da UFABC (Universidade Federal do ABC) e pesquisadora associada à GovAmb/USP, a participação sem acesso à informação não promove uma discussão democrática sobre as questões ambientais. “Temática ainda recente no país, a transparência e o acesso à informação se tornam cada vez mais estratégicos nas ações da gestão descentralizada e participativa no âmbito ambiental. Este evento irá contribuir no aprofundamento de tal discussão e no desenvolvimento de futuras ações”, frisa.

O evento ocorre no espaço Impact Hub, das 14h às 18h.

Em caso de dúvidas, envie um email para comunicacao@artigo19.org/old.

SERVIÇO
Evento: Seminário “Democracia Ambiental no Brasil e o Acordo Regional do Princípio 10”
Data: 03/09 (quarta-feira)
Horário: das 14 às 18h
Local: Impact Hub
Endereço: Rua Bela Cintra, 409

PROGRAMAÇÃO

14h00 – Abertura

14h20 – Mesa redonda “Democracia Ambiental no Brasil: desafios e perspectivas”

Rubens Born – FBOMS e Fundação Grupo Esquel Brasil

Silvia Capelli – Promotora de Justiça e Coordenadora da Rede Latino americana do Ministério Público Ambiental

Vanessa Empinotti – professora da UFABC e pesquisadora associada do GovAmb – Usp

16h00 – Intervalo

16h20 – Mesa-redonda “A construção do acordo regional sobre o Principio 10”

Bernardo Macke – Ministério das Relações Exteriores
Paula Martins – diretora-executiva da ARTIGO 19 e membro da Iniciativa de Acesso (TAI)
Renato Morgado – coordenador de projetos do Imaflora

18h00 – Encerramento

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Os desafios e as perspectivas no campo da radiodifusão comunitária serão debatidos em audiência pública que a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, por meio de seu Grupo de Trabalho Comunicação Social, promove no dia 28 de agosto, em São Paulo.

O diálogo reunirá representantes de organizações da sociedade civil, do poder público e de entidades do setor e tem como proposta oferecer um espaço de interlocução sobre processos de outorga, fiscalização, direitos e deveres na operação de uma rádio comunitária – que constitui importante instrumento para a democratização das comunicações no País.

De acordo com a lei nº 9.612/1998, que institui o Serviço de Radiodifusão Comunitária no Brasil, as rádios comunitárias visam dar oportunidade à difusão de ideias, elementos de cultura, tradições e hábitos sociais da comunidade, além de oferecer mecanismos à formação e integração da comunidade e também de prestação de serviços de utilidade pública, entre outros pontos.

A audiência pública colocará em foco dois temas centrais: “Democracia e Radiodifusão: o espaço da rádio comunitária”, que discutirá a legislação brasileira, estabelecendo uma análise comparativa com os parâmetros internacionais, e “Fiscalização da Radiodifusão: desafios e perspectivas”, com foco na aplicação da lei pelo Estado e de seu agir na fiscalização da radiodifusão – identificando os tratamentos destinados às rádios comunitárias e comerciais a partir de casos concretos e das informações prestadas pelos órgãos fiscalizadores.

A ARTIGO 19 comporá a primeira mesa, ao lado de representantes do Ministério Público Federal e do Ministério das Comunicações. O evento também contará com a exposição de representantes da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), da Abra (Associação Brasileira de Radiodifusores), da Amarc (Associação Mundial de Rádios Comunitárias, da Abraço (Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária) e do MNRC (Movimento Nacional de Rádio Comunitária). Já o segundo painel reunirá representantes do Ministério Público Federal, da Superintendência de Fiscalização Regional da Agênca Nacional de Telecomunicações (Anatel), da Polícia Federal, do Coletivo Intervozes e da Rádio Savic.

Aberto ao público, o diálogo acontece no auditório da Procuradoria Regional da República 3ª Região, localizada na Av. Brigadeiro Luís Antônio, 2020, em São Paulo.

O evento terá com transmissão online, disponível pelo site da TV MPF. A programação completa, subsídios para discussão e mais informações podem ser acessadas no hotsite do evento.

Programação:

13h30 – ABERTURA

13h45 – PRIMEIRA MESA – Democracia e Radiodifusão: o espaço da rádio comunitária

Componentes:

– Ministério Público Federal

– Ministério das Comunicações

– ARTIGO 19

Expositores:

– Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão – ABERT

– Associação Brasileira de Radiodifusores – ABRA

– Associação Mundial de Rádios Comunitárias – AMARC

– Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária – ABRAÇO

– Movimento Nacional de Rádio Comunitária – MNRC

15h05 – Palavra aberta ao público

15h35 – SEGUNDA MESA – Fiscalização da Radiodifusão: desafios e perspectivas

Componentes:

– Ministério Público Federal

– Anatel (Superintendência de Fiscalização Regional)

– Polícia Federal (Superintendência Regional)

– Intervozes

– Rádio Savic

16h50 – Palavra aberta ao público

17h20 – Eventuais deliberações e encerramento

Cristian Goes
Cristian Góes durante audiência na Comissão Interamericana de Direitos Humanos

O ministro Ricardo Lewandowski e a segunda turma do Supremo Tribunal Federal indeferiram, no último dia 15, um recurso que buscava reverter decisão do TJSE (Tribunal de Justiça de Sergipe) que condenou o jornalista José Cristian Góes a sete meses e 16 dias de prisão por conta de uma crônica ficcional escrita por ele. Dessa forma, a sentença contra o jornalista, que foi convertida em prestação de serviços, fica mantida.

Cristian Góes, como é conhecido, foi condenado em julho de 2013 em razão da crônica “Eu, o coronel em mim”, publicada em seu blog um ano antes. O texto descrevia um coronel fictício, afeito a arbitrariedades, mas não citava nomes, lugares nem datas.

À época, o desembargador Edson Ulisses, vice-presidente do TJSE, alegou que a crônica se referia ao então governador de Sergipe, Marcelo Déda, morto em 2013, e ao próprio desembargador, que era cunhado de Déda. Dois processos foram abertos contra o jornalista, um na esfera criminal e outro na cível. Mesmo após ter alegado uma série de irregularidades processuais, Cristian Goés foi condenado a sete meses e 16 dias de prisão pelo crime de injúria.

“Esse tipo de condenação é uma forma infelizmente comum no Brasil de se inibir críticas de interesse público. Mesmo travestida de decisão judicial, trata-se de um atentado à liberdade de expressão”, afirma a advogada do Centro de Referência Legal da ARTIGO 19 Camila Marques.

Desde que foi condenado, o jornalista tem recorrido da decisão nas diversas instâncias domésticas. No ano passado, chegou a ser ouvido em audiência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da OEA (Organizações dosEstados Americanos), que para discutiu a incompatibilidade da legislação brasileira no que diz respeito aos crimes contra a honra (difamação, calúnia e injúria) e desacato, com os padrões internacionais.

Em debate realizado nesta segunda-feira (18), na Faculdade de Direito da USP, em São Paulo, a Relatora Especial para Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, Catalina Botero, e o ex-Relator Especial para Promoção e Proteção do Direito à Liberdade de Opinião e Expressão da ONU, Frank La Rue, afirmaram a importância da garantia do direito à livre manifestação como exercício da liberdade de expressão de cidadãos e cidadãs. E destacaram a posição dos órgãos internacionais acerca da proteção que deve ser dada a jornalistas e comunicadores em geral na cobertura de protestos sociais.

“Comunicadores que estão cobrindo protestos sociais têm direito à prevenção ao uso da violência porque o simples fato de uma manifestação ser documentada contribui para evitar a repressão do Estado contra manifestantes. Além disso, quanto mais gente estiver documentando um protesto, mais plural será a visão que a sociedade terá sobre essa manifestação”, afirmou Catalina.

A relatora para liberdade de expressão da OEA frisou que, segundo a organização, qualquer pessoa que esteja documentando, mesmo com telefone celular, um protesto, deve gozar desta proteção, que inclui, entre outros, o direito de não ser detida pelo fato de estar documentando um protesto e o direito de não ter seu material capturado ou apreendido. “Não há motivo ou finalidade legítima para que a força pública fique com o material de registro”, afirmou.

Frank La Rue lembrou que tal proteção não se trata de um privilégio, mas sim de um direito da própria sociedade. “Jornalistas facilitam o acesso à informação e o direito de toda sociedade ser informada”, explicou, destacando que dessa informação resulta também o “direito de participação na vida política de um país”.

O assessor regional de Comunicação e Informação da Unesco para o Mercosul e Chile, Guilherme Canela, que também participou do debate, lembrou que o direito à liberdade de expressão pressupõe também o direito de buscar informações e receber informações. “Temos aí também a ideia de informação pública, de diversidade e pluralidade para garantir democracia e a voz das minorias”, acrescentou.

No entanto, se nas ruas muitos manifestantes têm sido reprimidos e comunicadores têm sofrido a repressão das forças de segurança, parte do discurso que legitima esta prática tem sido veiculado no Brasil pelos próprios meios de comunicação de massa, ponderou Ana Claudia Mielke, do Intervozes. “Neste sentido, nossa liberdade de expressão também está sendo cerceada pela concentração econômica dos meios de comunicação no país, que impede uma diversidade de discursos”, avaliou.

Paula Martins, diretora-executiva da ARTIGO 19, lembrou que não é somente no contexto de protestos que comunicadores e defensores são vítimas de diversos tipos de violência e impedimentos para desenvolver o seu trabalho. “Eles também enfrentam frequentemente outras violações como agressões físicas e verbais, apreensão e danos a equipamentos, pressões econômicas, censura corporativa, falta de respaldo dos meios de comunicação, falta de material de trabalho e de segurança adequados, desrespeito e outras formas de intimidação. E há ainda os casos extremos, como ameaças de morte e assassinatos. Esses problemas comprometem, e muito, o exercício da liberdade de expressão no nosso país”, disse.

Além do tema dos protestos e da violência contra comunicadores, o debate “Liberdade de Expressão – nas mídias, nas redes e nas ruas” também abordou questões como a liberdade de expressão na internet, a proteção de grupos vulneráveis – como crianças e adolescentes – nos meios de comunicação de massa, e políticas de educação para a mídia. A atividade foi organizada pela ONG ARTIGO 19 e pelo Intervozes.

 

Imagem Site Evento Relatores - FINAL

 

No próximo dia 18, a partir das 19h, a Faculdade de Direito de São Paulo recebe o debate “Liberdade de Expressão – nas mídias, nas redes e nas ruas”. O evento é uma realização docoletivo Intervozes e da ONG ARTIGO 19.

Presentes ao debate estarão a Relatora Especial para Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, Catalina Botero, e o ex-Relator Especial para Promoção e Proteção do Direito à Liberdade de Opinião e Expressão da ONU, Frank la Rue, além do assessor de comunicação e informação da Unesco para o Mercosul e Chile,Guilherme Canela.

Diversas organizações da sociedade civil que atuam na área de liberdade de expressão também deverão comparecer.

Entre os temas a serem debatidos, estão as violações ocorridas em manifestações, os desafios para a democratização da radiodifusão, violência contra comunicadores, e o uso do processo por difamação para cercear a liberdade de expressão.

Segundo Bia Barbosa, coordenadora-executiva do Intervozes, o momento pelo qual o Brasil passa é bastante oportuno para a realização do debate.

“Num momento em que crescem as violações ao exercício da liberdade de expressão no país, com repressões a manifestantes e a perpetuação de um sistema midiático concentrado e excludente ao conjunto da população brasileira, poder debater a importância da garantia deste direito com os relatores especiais da ONU e OEA, e ainda com a representação da Unesco na região, será de extrema importância para as organizações e movimentos brasileiros”, afirma.

Bia também diz que espera que o encontro possa surtir efeitos positivos. “Esperamos que a atividade contribua para sensibilizar as autoridades públicas, que têm poder para alterar este quadro preocupante que enfrentamos hoje”, conclui.

Paula Martins, diretora-executiva da ARTIGO 19, diz esperar que o encontro sirva ainda para aproximar sociedade civil e as Relatorias. “Um dos objetivos do evento é o de esclarecer sobre como mecanismos internacionais como as Relatorias da ONU e da OEA também podem ser utilizados como recurso na defesa e promoção da liberdade de expressão”, conta.

Quando

Evento: “Liberdade de Expressão – nas mídias, nas redes e nas ruas”

Data: 18/08 (segunda-feira)

Horário: 19h

Local: Faculdade de Direito de São Paulo

Endereço: Largo São Francisco, 95, Centro, São Paulo

Sobre os palestrantes

Frank La Rue

Nascido na Guatemala, é advogado especialista em direitos humanos, formado pela Universidad de San Carlos de Guatemala. Atuou de 2008 a julho de 2014 como Relator Especial da ONU para a Promoção e Proteção do Direito à Liberdade de Opinião e Expressão. É fundador do Center for Legal Action for Human Rights (CALDH) e está envolvido na promoção dos direitos humanos há mais de 30 anos.

Guilherme Canela

Bacharel em Relações Internacionais pela  Universidade de Brasília (UnB) e mestre em Ciências Políticas pela USP. Coordenou a área de Comunicação e Informação do Escritório da UNESCO no Brasil e atualmente atua como assessor de comunicação e informação do mesmo órgão. Foi membro titular do Grupo de Trabalho do Ministério da Justiça para subsidiar a regulamentação da classificação indicativa da programação de televisão e pesquisador associado do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da UnB.

Catalina Botero Marino

Nascida na Colômbia, graduou-se em Direito pela Universidad de Los Andes, pós-graduada pela mesma universidade, como também pela Universidad Complutense, Universidad Carlos III, e pelo Centro de Estudos Constitucionais. Trabalhou na Corte Constitucional da Colômbia por 8 anos, tendo ocupado diversos cargos na área acadêmica e de defesa dos direitos humanos. Desde 2008, é Relatora Especial para Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Seu mandato a frente do cargo vai até outubro, quando será substituída pelo uruguaio Edison Lanza.

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