2º lugar • A Floresta Sabe: governança territorial Ashaninka e regeneração da Amazônia

Davison Brasileiro

A Floresta Sabe: governança territorial Ashaninka e regeneração da Amazônia, de Davison Brasileiro, conquistou o segundo lugar na categoria Fotojornalismo, Ilustração, Charge, Cartum, HQs ou Grafite do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira.

Realizada em março de 2023 na comunidade Ashaninka de Apiwtxa, situada às margens do rio Amônia, na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, no Acre, a iniciativa documenta uma experiência concreta de proteção territorial e regeneração da Amazônia. O trabalho aproxima o público das práticas e dos conhecimentos desenvolvidos pela comunidade para defender a floresta, fortalecer sua autonomia e assegurar a continuidade da vida em seu território. Sua primeira apresentação pública ocorreu na exposição SEED – Design.

A obra parte do entendimento de que a floresta não é um espaço vazio nem uma paisagem a ser administrada à distância. Ela é um território vivo, formado por relações entre pessoas, animais, plantas, rios, conhecimentos e práticas transmitidas entre gerações. Ao registrar o cotidiano de Apiwtxa, o trabalho valoriza a capacidade dos Ashaninka de produzir respostas próprias aos desafios ambientais e de construir formas de governança baseadas na responsabilidade coletiva, na autonomia e no cuidado.

A experiência apresentada demonstra que a proteção da Amazônia depende da presença e do protagonismo dos povos indígenas. São as comunidades que vivem na floresta que identificam ameaças, monitoram seus territórios, preservam conhecimentos sobre a biodiversidade e desenvolvem estratégias de uso capazes de conciliar as necessidades humanas com a manutenção dos ciclos naturais. Nesse sentido, regenerar a floresta não significa apenas recompor a vegetação, mas também fortalecer vínculos comunitários, recuperar conhecimentos, proteger fontes de alimento e garantir condições para que as novas gerações permaneçam no território.

Ao deslocar o olhar para as soluções construídas pelos próprios Ashaninka, A Floresta Sabe rompe com representações que apresentam os povos indígenas apenas como vítimas da destruição ambiental. A iniciativa evidencia sua atuação como sujeitos políticos, produtores de conhecimento e agentes fundamentais da conservação. Com isso, reconhece que a experiência acumulada por essas comunidades não é um elemento secundário, mas uma referência indispensável para enfrentar a crise climática e a perda de biodiversidade.

O trabalho também propõe uma reflexão sobre os diferentes sentidos atribuídos à ideia de desenvolvimento. Em vez de separar natureza, cultura e vida social, a governança territorial Ashaninka compreende esses elementos como partes de uma mesma rede. Essa perspectiva questiona modelos econômicos baseados na exploração intensiva da floresta e afirma a possibilidade de construir relações orientadas pela reciprocidade, pela regeneração e pela responsabilidade com o futuro.

Mais do que registrar uma comunidade e suas práticas, A Floresta Sabe convida o público a reconhecer que proteger a Amazônia exige garantir direitos territoriais, respeitar a autodeterminação e criar condições para que os povos indígenas conduzam suas próprias estratégias de cuidado. A obra reforça que não há conservação efetiva sem autonomia, nem regeneração ambiental sem o reconhecimento dos conhecimentos produzidos por quem vive e protege a floresta.

Acesse o trabalho na íntegra aqui

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