Por Ravik Oliveira – Artista, Comunicador e Mestrando no Programa de Pós-graduação Profissional em Artes da Cena (PROA) da Escola Superior de Artes Célia Helena (ESCH), em São Paulo. Sua pesquisa investiga as relações entre religiosidades e a produção artística e cultural, com foco nas formas pelas quais diferentes manifestações religiosas se relacionam com as políticas públicas de cultura e com processos de criação artística.

Estudantes mobilizados por uma página no Instagram, vinculada ao pastor Lucas Teodoro, são convocados a participar de culto na Praça de Serviços da UFMG, em junho de 2025. Durante a ocupação, os participantes tocaram instrumentos, cantaram e se ajoelharam no local. | Imagem: redes sociais.
Nos últimos anos, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no campus Pampulha, em Belo Horizonte, tem sido palco de ações organizadas por grupos religiosos do segmento evangélico em espaços acadêmicos de evidência.
Um episódio amplamente difundido ocorreu quando estudantes e apoiadores realizaram um culto em área aberta da universidade, com fiéis orando de joelhos, cânticos e pregações. Vídeos compartilhados em redes sociais mostram o grupo reunido no campus, enquanto outros estudantes circulam ou acompanham a atividade.
A repercussão desses registros suscitou debates públicos sobre a presença de manifestações confessionais em um espaço acadêmico público, tensionando os limites entre liberdade religiosa e neutralidade em instituições científicas de ensino, pesquisa e extensão.
Reportagens de grande circulação reforçaram esse enquadramento, legitimando publicamente práticas de cunho evangélico em universidades brasileiras. Em uma coluna da revista Veja, a presença de cultos evangélicos em instituições públicas foi interpretada como efeito da ampliação dessas práticas no espaço universitário, frequentemente justificadas pelos participantes como expressão legítima da fé e do direito à liberdade religiosa.
A questão não é apenas saber se a religião/religiosidade pode e/ou deve estar na universidade e como. A questão é compreender como diferentes manifestações religiosas são reconhecidas, recebidas e legitimadas socialmente quando ocupam esse espaço e por quais atores, em suas diversas complexidades e contextos.
Exu nas escolas e outras perspectivas
Em diálogo com esse cenário, foi realizada, no âmbito da UFMG, uma oficina cultural articulada a uma celebração religiosa ecumênica promovida pelo Centro Cultural e Religioso de Matriz Africana Casa São Lázaro, em devoção aos caboclos da Umbanda. A atividade ocorreu em espaço aberto da universidade durante o evento Domingo no Campus, em comemoração aos 98 anos da UFMG, em 7 de setembro de 2025. Coordenada pelo sacerdote Márcio Ferreira de Sá, servidor técnico terceirizado da universidade, conjuntamente com sua equipe, a ação teve caráter educativo, combinando explicações sobre práticas e significados dos rituais, degustação coletiva de comidas tradicionais de matrizes africana e originária, bem como a realização de um culto articulado a uma reflexão cultural e histórica.

Márcio Ferreira de Sá, Doté Márcio de Azansu na oficina Encantarias Caboclas durante o evento Domingo no Campus, realizado em comemoração ao 98º aniversário da UFMG, em 7 de setembro de 2025 | Foto: Ravik Oliveira
A organização da atividade ocorreu por meio de inscrição em chamada pública institucional, processo no qual o sacerdote enfrentou entraves burocráticos relacionados à inscrição em plataforma digital e à formulação conceitual da proposta cultural. A repercussão da ação evidenciou a potência da expressão religiosa afro-brasileira como instância cultural e formativa em um ambiente público de educação superior.
Tensionamentos sobre o Estado Laico

Em vídeo publicado na série documental “Minha História”, no perfil oficial da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) no Instagram, o servidor terceirizado Márcio Ferreira de Sá relata sua trajetória profissional na instituição e aborda também aspectos de sua religiosidade. Após a publicação do vídeo, ele foi alvo de comentários de teor racista e de intolerância religiosa, nos quais sua religiosidade e a legitimidade de sua manifestação no espaço universitário foram questionadas. link do vídeo: https://www.instagram.com/p/DZatXPwIJrI/
O Estado laico não pressupõe a ausência da religião no espaço público, mas a diferenciação entre as instituições religiosas e as esferas de organização da vida social, como o Estado, o direito, a ciência e a educação. Na perspectiva clássica da secularização, associada à modernidade e à racionalização, essa diferenciação reduziria a capacidade da religião de organizar integralmente a vida social.
Uma faca de dois gumes, pois ao mesmo tempo em que a separação entre religião e Estado protege as instituições públicas da imposição de uma determinada fé ou ideia, os próprios critérios históricos utilizados para definir o que é religião, ciência, cultura ou conhecimento podem reproduzir hierarquias construídas em contextos e por conceitos eurocêntricos.
No Brasil, a separação formal entre Igreja e Estado convive historicamente com uma forte presença cristã nos espaços públicos, muitas vezes naturalizada como cultura e/ou tradição, enquanto outras tradições religiosas, pautadas em outros regimes de conhecimento, enfrentam maiores disputas e dificuldades por reconhecimento e legitimação.
Materialidade ritual, destruição e conflito simbólico
Após essa participação institucional, no dia 19 de setembro de 2025, a Casa São Lázaro, localizada na região norte periférica de Belo Horizonte, foi alvo de invasão e depredação. Assentamentos religiosos foram destruídos, objetos subtraídos e, no local, foram deixadas duas imagens religiosas católicas em substituição aos elementos rituais atingidos, conforme registrado pela imprensa e por materiais audiovisuais amplamente divulgados. Na mesma semana, um segundo episódio de invasão e destruição do Bara, assentamento de Exu na entrada (o guardião), ampliou a percepção de vulnerabilidade do espaço, dirigido por Márcio Ferreira de Sá, conhecido como Doté Márcio de Azansu, sacerdote de candomblé e umbanda e referência comunitária na promoção da cultura afro-brasileira.

A invasão do Centro Cultural e Religioso de Matriz Africana Casa São Lázaro, ocorrida em setembro de 2025, foi noticiada por veículos de imprensa de todo o país. | Imagem: reprodução das reportagens
O terreiro foi revirado e assentamentos e materiais usados nos cultos religiosos foram quebrados. Muitos objetos de valor histórico e inestimável, como representações de figuras africanas e jogos de búzio, foram levados. Na ocasião, foram feitos boletins de ocorrência, mas os autores da invasão e os objetos não foram encontrados.
Esse episódio em que um signo religioso católico, duas imagens de Nossa Senhora, são colocadas no lugar de assentamentos específicos de uma religião de matriz africana permite uma análise que ultrapassa o registro do dano material e se inscreve no campo simbólico, político e institucional da secularização no Brasil.
Em primeiro lugar, é necessário afirmar o dado verificável: houve a remoção ou destruição de assentamentos religiosos e a substituição física desses elementos por imagens católicas. Este gesto não se limita à depredação comum. Trata-se de uma operação simbólica de substituição, na qual um signo é removido e outro é deliberadamente colocado em seu lugar.
Isso diferencia o ocorrido de atos de vandalismo aleatório. Embora o grau de intencionalidade simbólica não possa ser plenamente verificado, o gesto, contudo, é factual.
No campo das religiões de matriz africana, os assentamentos não operam como objetos decorativos, simbólicos e representacionais, mas como dispositivos de presença e inscrição da memória, nos quais se articulam corpo, matéria, tempo ritual e ancestralidade.
Constituídos segundo regras próprias, autorizações sacerdotais e práticas reiteradas de cuidado, os assentamentos integram um regime cosmológico no qual o sagrado se realiza por meio de ações continuamente reativadas. À luz do pensamento de Leda Maria Martins, essa materialidade participa de uma oralitura da memória, na qual o conhecimento se escreve no corpo, no espaço e nos objetos, ativando um tempo espiralar que articula passado, presente e ancestralidade.

Invasão à Casa São Lázaro, em 19 de setembro de 2025. Imagens católicas entre assentamentos religiosos depredados. | Fotos: reprodução das reportagens
A ciência também ajuda a compreender a violência contra os assentamentos
O episódio dos assentamentos pode ser compreendido, sob a ótica de Leda Maria Martins, como um ato de violência contra a oralitura e o tempo espiralar. Se a materialidade ritual é o suporte onde a memória ancestral se inscreve e se reativa, sua depredação não é apenas vandalismo, mas uma tentativa de interromper o fluxo comunicativo entre o presente e a ancestralidade. A substituição forçada por um signo católico não é um encontro de tempos, mas uma tentativa de imposição da linearidade histórica sobre a circularidade ritual, visando estancar a capacidade produtiva de sentido e vida do território negro.
A substituição desses assentamentos por um signo católico desloca o conflito para outro plano. Mesmo reconhecendo que o catolicismo pode estar presente de forma sincrética em casas de matriz africana, e que, no caso específico da Casa São Lázaro, essa presença faz parte de sua história e prática, o gesto analisado não é sincrético. O sincretismo pressupõe incorporação, tradução e convivência simbólica. Aqui, o que ocorre é substituição forçada, não convivência. Ao destruir o que é percebido como “mágico” ou “perigoso” para instaurar uma “verdade” moralizante. Essa operação simbólica de “correção” demonstra que, na prática brasileira, a laicidade falha em proteger a pluralidade, permitindo que o ódio religioso atue como ferramenta de apagamento de saberes que o Estado ainda hesita em fomentar com a mesma equidade dedicada às matrizes cristãs.
O mesmo signo, em contextos distintos, não tem o mesmo valor social e político. Um elemento católico utilizado internamente por um terreiro, sob sua própria lógica ritual, é diferente de um elemento católico imposto externamente no lugar de símbolos africanos destruídos. O primeiro é apropriação; o segundo é imposição. O ato de substituir assentamentos por imagens católicas não é um vandalismo comum, mas um gesto que pode ser lido, nos termos do debate sobre epistemicídio, de acordo com Sueli Carneiro, como algo que visa “civilizar” o espaço periférico, tentando apagar o repertório vivo da oralitura e da ancestralidade para impor um arquivo colonial hegemônico.
O gesto pode ser lido como uma reafirmação simbólica de hierarquia religiosa, ainda que realizada fora do aparato estatal. A laicidade formal não impede que agentes sociais operem segundo hierarquias culturais internalizadas, nas quais certos signos são percebidos como legítimos e outros como descartáveis. A secularização, aqui, não se manifesta como retirada da religião da esfera pública, mas como gestão desigual da presença religiosa.
Há ainda um elemento importante: o uso de um símbolo católico específico, associado à figura materna, à proteção e à moralidade, pode funcionar como um signo de correção, de“substituição do erro pelo certo”, no imaginário social brasileiro.
Do ponto de vista da cultura, o ataque não se dirige apenas à religião, mas à cultura africana enquanto sistema de saber, memória e materialidade. Os assentamentos são também patrimônio cultural imaterial, ainda que raramente reconhecidos como tal pelo Estado ou por políticas de preservação. A substituição por um símbolo católico opera, assim, como um gesto de apagamento cultural, no qual uma forma de religiosidade considerada “tradicional” ou “civilizada” ocupa o lugar de outra historicamente racializada e marginalizada.
A disputa da universidade chega ao Ministério Público Federal
O episódio dos cultos convocados por página do Instagram na UFMG ganhou outro desdobramento em maio de 2026, quando o líder do movimento, Lucas Teodoro, natural de Goiânia (GO), foi intimado pelo Ministério Público Federal (MPF) para prestar esclarecimentos sobre uma celebração realizada na Praça de Serviços da universidade, em junho de 2025. O procedimento teve origem em uma representação apresentada pela Associação Movimento Brasil Laico, que questionou a realização de cultos religiosos em espaços públicos da universidade e pediu a adoção de medidas para impedir novos encontros dessa natureza.
Segundo ele, os participantes estavam reunidos voluntariamente para orar e adorar a Deus. Em vídeo publicado em suas redes sociais e posteriormente reproduzido por veículos de comunicação cristãos, ele afirmou que os estudantes chegaram a se ajoelhar durante a celebração e que o grupo não utilizou equipamentos de som. Em outra publicação, o líder relatou que mais de 1.500 jovens teriam participado do encontro e apresentou a universidade como um campo missionário para a evangelização cristã.
A representação apresentada ao MPF, entretanto, colocou o episódio sob outra perspectiva. O Movimento Brasil Laico questionou se a utilização de um espaço da universidade para uma manifestação religiosa poderia comprometer a laicidade do Estado, o pluralismo e a isonomia entre diferentes crenças. O procedimento chegou a ser arquivado inicialmente, sob o entendimento de que a realização de um culto, sem comprovação de coação ou desvirtuamento de recursos públicos, não seria suficiente para caracterizar uma violação da laicidade. O entendimento também considerou que a universidade possui o dever de garantir a liberdade religiosa.
O arquivamento, porém, foi contestado. A subprocuradora-geral da República Mônica Nicida Garcia considerou prematuro encerrar o caso e determinou a continuidade das apurações. Entre as questões levantadas estava a necessidade de verificar se a utilização da infraestrutura da UFMG poderia ter representado uma forma de subvenção indireta a uma religião específica, se teria ocorrido comprometimento do pluralismo de ideias ou quebra da isonomia. O próprio MPF informou que o inquérito civil busca apurar se a realização de eventos religiosos em espaços públicos de uma instituição federal de ensino viola a laicidade, a liberdade de crença de outros estudantes ou as normas de utilização dos bens públicos.
O caso mostra que a discussão sobre a religião dentro da universidade está longe de ser simples. De um lado, os organizadores dos cultos reivindicam o direito de manifestar publicamente sua fé e afirmam que impedir essas reuniões seria uma forma de discriminação religiosa. De outro, a representação ao MPF questiona se a universidade pública pode oferecer suas estruturas para manifestações religiosas sem produzir algum tipo de favorecimento.
O ponto parece estar na diferença entre os regimes de linguagem e de legitimidade mobilizados pelas diferentes manifestações religiosas no espaço universitário. Enquanto o movimento evangélico realiza uma atividade assumidamente religiosa e reivindica o direito de exercer sua prática de culto no interior da universidade, a religiosidade de matriz africana ingressa nesse mesmo espaço por meio da apresentação de saberes tradicionais, práticas culturais, processos educativos e conhecimentos relacionados ao patrimônio imaterial.
A atividade “Encantarias Caboclas”, realizada pela Casa São Lázaro durante o Domingo no Campus apresenta conhecimentos de matriz africana e indígena por meio de uma linguagem associada à cultura, à educação, à tradição e à transmissão de saberes ancestrais que constituem a identidade do povo brasileiro em sua diversidade.
Essa distinção ganha relevância diante da própria função social atribuída à universidade como espaço de produção, transmissão, valorização e circulação de conhecimentos. No caso dos saberes relacionados às matrizes africanas e indígenas, há ainda um contexto normativo mais amplo de reconhecimento de sua relevância educacional. A Lei nº 10.639/2003, ao alterar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, posteriormente ampliado pela Lei nº 11.645/2008 para incluir também a temática indígena.
Os episódios reunidos nesta trajetória não permitem concluir que a religião deva ser afastada da universidade, mas colocam em questão as condições e as formas pelas quais diferentes formas de religiosidade ocupam o espaço público.
Terreiro de candomblé de BH vence prêmio nacional de jornalismo e comunicação
Alvo de intolerância, Casa São Lázaro obteve primeiro lugar no Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira
A publicação “Do Orum ao Ayê”, produzida pela Casa São Lázaro, recebeu o primeiro lugar do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação, na categoria Iniciativa de Educação Midiática, promovido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. A solenidade foi realizada nesta quinta-feira (11), em Brasília. O material, em formato de revista, apresenta informações sobre as religiões de matriz africana, desmistificando estereótipos e mentiras acerca dessas crenças.
O terreiro, localizado em Venda Nova, foi vítima de invasão e destruição por duas vezes em 2025. Até hoje, os autores do ato de intolerância não foram identificados. “Na época da invasão, recebemos o contato de outras casas que passaram por situações semelhantes. A gente sabe que a violência só existe quando a educação e o conhecimento não chegam. Poderíamos ter apenas juntando os cacos, mas resolvemos agir para que isso não acontecesse mais conosco e também com outros terreiros”, reflete o Doté Márcio de Azansú, sacerdote responsável pelo terreiro.
Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira
O Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação em Defesa do Meio Ambiente, Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais é uma iniciativa da Secretaria da Comunicação Social da Presidência da República. Ao todo, foram mais de 900 inscrições.
A cerimônia de premiação ocorreu na quinta-feira (11) de junho de 2026, no Palácio do Itamaraty, em Brasília, e reuniu autoridades do governo federal, representantes de organismos internacionais e lideranças da sociedade civil. O concurso homenageia o legado do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, assassinados em 2022 no Vale do Javari (AM).
Do orum ao ayê – Publicação educativa para combate à desinformação sobre religiões de matriz africana – Volume 1 (Abril de 2026)
A Casa São Lázaro apresentou a publicação “Do orum ao ayê”, produzida no âmbito do edital “Periferia Sem Fake”, com o objetivo de trazer informação de qualidade a respeito das religiões de matriz africana no Brasil.
Em 2025, a casa foi vítima, por duas vezes, de violação de seu espaço, em ato claro de intolerância religiosa, que se repete em diversos locais de culto, sobretudo aqueles de matriz africana.
A resposta da comunidade foi lançar a publicação em formato de textos produzidos por integrantes da casa com esclarecimentos e informações para dissipar preconceitos e mentiras propagadas contra as religiões afro-brasileiras.

Acesse a publicação pelo link abaixo
Este trabalho foi realizado no âmbito do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação em Defesa do Meio Ambiente e Direito dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais promovido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República – SECOM/PR, com apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e em parceria com membros do Governo Federal e organizações da sociedade civil peticionárias que compõem a Mesa de Trabalho Conjunta, no âmbito das ações voltadas ao cumprimento do Plano de Ação relativo às Medidas Cautelares 449-22 estabelecidas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos – CIDH.
