ARTIGO 19 contribui com consulta da Anatel sobre regras para cabos submarinos

A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul e a ARTICLE 19, junto com o Instituto Bem Estar Brasil (IBEBrasil) participaram da Tomada de Subsídios nº 02/2026 da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que discute a consolidação e atualização das regras aplicáveis a cabos submarinos de telecomunicações no Brasil. As recomendações também foram elaboradas em parceria com Instituto Bem-Estar Brasil (IBEB).  

O Brasil ocupa uma posição de liderança no mercado de cabos submarinos, com aproximadamente 17 sistemas de cabos internacionais chegando em seu litoral. No entanto, o país ainda não dispõe de um marco regulatório abrangente para essa infraestrutura crítica, quadro que pode começar a mudar a partir de agora. 

A consulta pública da Anatel faz parte de um esforço do governo brasileiro para fortalecer a infraestrutura de telecomunicações e reduzir a exclusão digital no país. Ela ocorre em um momento oportuno: como a ARTICLE 19 já destacou anteriormente, as tensões geopolíticas têm levado desenvolvedores de cabos a priorizar novas rotas, evitando os tradicionais pontos de conectividade. Essa mudança tem beneficiado o Brasil, com novos projetos — como o cabo Waterworth, planejado pela Meta — conectando a América do Sul diretamente à África e com previsão de aterragem na costa brasileira. 

A consulta pública da Anatel reflete as preocupações do governo com o estado da conectividade no Brasil, abordando questões que vão desde o fortalecimento da resiliência física e da cibersegurança até a promoção de uma distribuição geográfica mais equilibrada das estações de aterragem de cabos pelo país. Embora essas preocupações sejam legítimas, concentrar o debate apenas nesses aspectos pode resultar em uma visão incompleta do tema. 

Na contribuição, as organizações defendem que a infraestrutura internacional de cabos submarinos seja regulada de forma a permanecer acessível a um ecossistema plural de conectividade. A expansão de cabos e da capacidade instalada é importante, mas não garante, por si só, mais concorrência, resiliência ou benefícios públicos. 

A contribuição apresenta três prioridades principais: 

  • Transparência na governança dos cabos: a Anatel deve ter acesso a informações agregadas sobre a capacidade efetivamente ativada; proporção destinada para uso próprio e para uso de terceiros; se há capacidade comprometida por contratos de longo prazo; quanto é destinado para redes públicas e para redes privativas; e diversidade de rotas e distribuição geográfica da capacidade internacional. 
  • Mercado aberto, competitivo e interoperável: a regulação deve incentivar estações de aterragem de acesso aberto, oferta de capacidade a terceiros em condições objetivas e não discriminatórias, infraestrutura neutra, modelos no atacado e critérios transparentes de interconexão. 
  • Integração com um ecossistema plural de conectividade: critérios regulatórios devem incentivar, por exemplo, a distribuição territorial dos benefícios da conectividade internacional e condições objetivas e não discriminatórias que facilitem o acesso a essa capacidade por pequenos provedores, operadores regionais, redes acadêmicas, redes comunitárias e outras iniciativas locais de conectividade;  
  • A ARTIGO 19, ARTICLE 19 e IBEBrasil também destacam que segurança e resiliência dependem de diversidade de rotas, interoperabilidade, redução de pontos únicos de falha e planejamento do ciclo de vida da infraestrutura crítica. 

Para as organizações, a regulação deve assegurar que a capacidade internacional beneficie diferentes operadores, regiões e usuários finais — e não apenas redes privativas verticalmente integradas ou interesses privados específicos. 

Leia a contribuição completa à Tomada de Subsídios da Anatel sobre cabos submarinos.

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