Debate com Peter Schmidt sobre economia da atenção e liberdade de expressão

No dia 5 de março, a ARTIGO 19 Brasil e América do Sul realizou, na Faculdade de Direito da USP, um debate público com Peter Schmidt, coeditor de Attensity! A Manifesto of the Attention Liberation Movement e diretor da Strother School of Radical Attention (SoRA), em Nova York. A mesa  foi integrada também por Anna Bentes (FGV), pesquisadora na interseção entre comunicação, psicologia e tecnologia. 

O encontro analisou como o atual modelo de negócios das grandes plataformas transforma a atenção humana em mercadoria — dinâmica que os autores do manifesto descrevem como “fraturamento humano” (human fracking), sustentada por algoritmos que maximizam engajamento por meio de estímulos contínuos, feeds infinitos e micro direcionamento. O debate conectou esses mecanismos aos impactos sobre autonomia intelectual, formação de opinião e qualidade do debate público.  

Para Anna Bentes, que há anos pesquisa e discute o tema da economia da atenção, o evento teve o mérito de promover algo inusual: focar o debate especificamente no tema da atenção. Para ela, propor um ativismo da atenção traz uma dimensão mais coletiva e criativa, que vai além da dimensão digital. 

A discussão dialoga com a agenda da ARTIGO 19 de defesa do direito à liberdade de pensamento, e expressão e ao acesso à informação, que demanda enfrentar os processos econômicos e a materialidade técnica das plataformas digitais, não apenas a remoção pontual de conteúdos. Esse enfoque — de natureza estrutural e coletiva — foi reforçado também em artigo recente coassinado por Raquel da Cruz Lima e Vitória Oliveira no Le Monde Diplomatique Brasil, que propõe a criação de “santuários da atenção” e políticas que tratem a atenção como bem comum, e não como insumo privado a ser explorado.  

A presença de Peter Schmidt no Brasil integrou uma agenda de lançamento e debates públicos sobre Attensity! — obra que apresenta o “ativismo da atenção” como resposta à captura algorítmica e mercantilização do foco humano, propondo três eixos de ação: estudo, coalizão e santuários. A publicação, lançada pela Penguin Random House/Crown, já circula em eventos culturais e acadêmicos e conta com materiais de apoio e trechos públicos disponibilizados pelos editores.  

Além do debate em São Paulo, Schmidt tem participado de entrevistas e programas que ampliam o tema no Brasil e no exterior, destacando o risco de uma “monocultura da atenção” e defendendo respostas coletivas ao problema, além de diálogos em podcasts e eventos literários internacionais. Esses registros reforçam a ideia central de que vontade individual não basta frente a uma indústria trilionária de captação de atenção: é preciso incidência pública, transparência e regulação. 

Ao promover o encontro, a ARTIGO 19 reforça o compromisso de ampliar o debate público e formular caminhos regulatórios e sociais que garantam às pessoas o direito de formar opiniões livres de manipulações invisíveis mediadas por algoritmos e mercados de dados. 

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