A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul, através de seu programa de Proteção e Participação Democrática, lançou mais dois produtos vinculados ao projeto Mapa do Aborto Legal – uma cartilha e uma pesquisa, que dão conta de orientar pessoas interessadas no assunto de forma prática e informativa.

Acesse a seguir as versões digitais da cartilha “Aborto Legal: um guia para quem precisa acessar ou conhecer o direito, profissionais de saúde e ativistas” e da pesquisa “Mapa do Aborto Legal: direitos reprodutivos na encruzilhada da informação”*.

“Mais do que reunir e organizar informações, esses produtos são resultado de uma extensa pesquisa que checa e cruza dados públicos sobre os serviços de saúde listados para oferecer o aborto legal, buscando compreender as brechas no oferecimento de informações sobre o direito pelo Poder Público “, explica Maria Tranjan, coordenadora de Proteção e Participação Democrática e responsável pelo projeto.

Além da interface digital, da cartilha e da pesquisa (frutos de uma parceria com a emølab design | estúdio criativo), foi realizada a série de reportagens “Aborto e Democracia” em parceria com o Instituto AzMina, Paraíba Feminina, Portal Catarinas e Nós, Mulheres da Periferia sobre o aborto legal nas cinco regiões do Brasil.

*ERRATA: A ARTIGO 19 atualizou a primeira versão da pesquisa do Mapa do Aborto Legal, publicada em 02.12.2025.

As informações foram atualizadas em 06.08.2026. 

A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul esteve presente na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, a COP30, em Belém, Pará, para reforçar seu compromisso com a liberdade de expressão e o acesso à informação em assuntos socioambientais, além da proteção de defensoras e defensores de direitos humanos. 

Entre as atividades principais que participamos esteve a “Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato, jornalismo sobre temas indígenas e ambientais e o caso de Bruno Pereira e Dom Phillips”, organizado pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (SECOM) e que teve a presença do Instituto Dom Phillips,  

“O painel reforçou a importância da demarcação das terras indígenas, a proteção dos povos isolados e o legado de Dom e Bruno, um marco da aliança entre jornalistas, defensoras e defensores de direitos humanos e povos indígenas”, conta Raquel da Cruz Lima, coordenadora do Centro de Referência Legal. 

Também foi abordada a Medida Cautelar nº 449-22 (MC-449-22), da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), concedida para proteger pessoas do Vale do Javari em razão dos riscos e ameaças intensificados após os assassinatos de Bruno e Dom em junho de 2022. 

Participamos também de mesas referentes ao Acordo de Escazú, recentemente aprovado pela Câmara dos Deputados, mas que ainda precisa passar pelo Senado para ser ratificado pelo Brasil. O tratado versa sobre proteção de defensores, acesso à informação, participação pública e acesso à justiça em assuntos ambientais na América Latina e no Caribe. 

Por fim, estivemos presentes na Marcha Mundial pelo Clima ao lado de dezenas de milhares de pessoas nas ruas de Belém. Organizada pela Cúpula dos Povos e pela COP das Baixadas, teve a participação de representantes de organizações de todos os continentes, de povos tradicionais e das comunidades paraenses.  

Aproveitamos também para divulgar o edital “Arte, Amazônia e seus Povos”, que recebe inscrições até dia 30/11 – serão selecionados 20 trabalhos. 

Na terça-feira, 18 de novembro, a ARTIGO 19 Brasil e América do Sul participou de um diálogo sobre racismo algorítmico e seus impactos na democracia promovido pela Imaginarius no âmbito do programa Potência, da Luminate. Gabrielle Graça, assessora do Centro de Referência Legal, pesquisadora do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas e mestranda em Direito da Regulação, foi a moderadora da atividade.  

Também participaram Nina da Hora, fundadora do Instituto da Hora, dedicado a promover os direitos digitais e uma visão crítica e coletiva da inteligência artificial no Brasil, e o professor Celso Oliveira, membro da Câmara de Segurança e Direitos na Internet do Conselho Gestor de Internet e co-diretor do AqualtuneLab. 

Durante uma hora, o diálogo refletiu sobre como os algoritmos moldam nossas vidas, reforçam as desigualdades e o que podemos fazer, coletivamente, para construir tecnologias mais justas e democráticas. Foram feitas reflexões sobre como os algoritmos moldam a rotina da população que acessam a internet em seu dia a dia – independente da faixa-etária – e como esses algoritmos são capazes de reforçar as desigualdades. 

“Tenho trabalhado muito com regulação econômica e está tudo amarrado. A concentração econômica, desses grandes conglomerados que a gente enfrenta, têm uma série de efeitos que afetam diretamente o espaço democrático. Toda essa concentração foi possibilitada por um processo histórico chamado colonialismo e o que a gente enfrenta hoje com racismo algorítmico é a automatização desses sistemas de valores e premissas”, comentou Gabrielle em sua fala de abertura. 

“Eu costumo trabalhar com a perspectiva de Deivison Faustino e Walter Lippold para o colonialismo digital. Primeiro, eles trazem o colonialismo digital, depois o colonialismo de dados, que é como que você replica a ideia de invisibilizar outros conhecimentos que não sejam vindos do Norte Global para conseguir desenvolver essas tecnologias. E uma outra perspectiva, que é invisibilizar quem vai ter acesso a essas ferramentas e a essas construções”, contribuiu Nina da Hora. 

Além de enxergar a ação dos algoritmos e entender como impactam a nossa sociedade, também foi debatido sobre os próximos passos: o que nós, como agentes transformadores, podemos fazer, coletivamente, para construir tecnologias mais justas e democráticas. 

“Se os inimigos são as big techs, elas são um modelo econômico e a gente só tem um instrumento para combatê-lo: a participação social. Temos que participar das esferas de decisão, porque as políticas públicas e o Estado são o único instrumento capaz de enfrentar esses inimigos. É tudo que a gente quer. Mentes negras pensantes. É tudo que a gente quer e tudo que a gente precisa”, concluiu Celso. 

Nos dias 30 e 31 de outubro, a ARTIGO 19 Brasil e América do Sul realizou a formatura do curso “Empodera Legal Norte – Defendendo a Liberdade de Expressão para comunicadoras, artistas e jornalistas”, em Belém do Pará, entregando os certificados de conclusão e fazendo atividades de integração com as presentes. O curso foi voltado exclusivamente para mulheres cis e/ou transgênero, travestis e pessoas com outras expressões de gênero não abraçadas pelo espectro cis normativo e que residissem no Pará ou outros estados da região Norte.  

“A gente tem um processo encerrado com mulheres empoderadas, mas temos processos em construção, de troca, de rede, de fortalecimento, que faz toda a diferença. Precisamos de ferramentas para que essas pessoas entendam a liberdade de expressão e se sintam fortalecidas para reivindicar esse direito “, explica Raquel da Cruz Lima, coordenadora do Centro de Referência Legal. 

Ao longo do curso, a ARTIGO 19 Brasil e América do Sul reuniram mulheres que já atuavam com as suas vozes e forças criativas em seus territórios, fortalecendo o acesso a informações legais e de direitos humanos à diversas integrantes da região Norte, potencializando a ação social e militante de cada uma delas  

“O Empodera Legal vem para que a gente tenha o fortalecimento dos marcos legais, da complexidade, e a partir daí nos fortalecermos para o enfrentamento básico aqui em nossas comunidades. Foi muito importante a diversidade de participação, de pessoas que vieram de longe, companheiras que vieram desde São Paulo até o Acre. Estamos felizes com a formação, com o encontro, com esse o engajamento e com a prioridade que a ARTIGO 19 teve em vir somar com os desafios da nossa regiã0”, disse Mônica Brito, do Coletivo Mulheres Negras Maria-Maria (Comunema).

O Empodera Legal começou em 2022, preocupado em como a opressão de gênero silenciam mulheres. Por isso, a principal busca é consolidar um espaço de aprendizado mútuo e fortalecimento de redes. Neste ciclo, realizamos debates sobre violência de gênero, justiça climática e liberdade de expressão, direito de protesto e comunidades tradicionais, proteção, autocuidado e segurança de defensoras e concentração da mídia e comunicação comunitária. 

Finalizamos uma etapa importante, mas que criou raízes e florescerá em muitos espaços. A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul reafirma seu compromisso em apoiar redes de escuta, cuidado e ação.      

A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul esteve presente em Paris, na França, para participar de um treinamento em liberdade artística, evento organizado pelo Programa Aschberg para Artistas e Profissionais da Cultura da UNESCO, entre os dias 20 e 22 de outubro, com o objetivo de capacitar profissionais e ampliar as referências e padrões internacionais no tema. 

Raquel da Cruz Lima, do Centro de Referência Legal (CRL) da ARTIGO 19, foi a representante da organização, abordando como o gênero influencia na liberdade artística a partir da experiência do Movimento Brasileiro Integrado pela Liberdade de Expressão Artística (MOBILE), que listou casos de censura artística entre 2019 e 2022, além do curso Empodera Legal, onde enfrentamos a censura por gênero ao lado de artistas e comunicadoras. 

“Defendemos que o monitoramento sistemático e a documentação desses casos são essenciais para fazer a censura ser vista e para conseguir compreender os novos mecanismos que têm sido usados para silenciar artistas. Neste processo, temos reconhecido que existem elementos comuns do silenciamento de gênero que afetam tanto jornalistas quanto artistas, e que permitem que a gente construa estratégias de resistência conjuntas entre esses grupos”, explica Raquel.  

Entre os dados apresentados, estão os 280 casos documentados de censura entre 2019 e 2022, com destaque para os 63 casos (22.5%) relacionados a gênero, raça e/ou orientação sexual. Sobre esses casos, destaca-se o fato de que essa censura se dá de forma velada, com aparência institucional e aparentemente legal, com 90% dos casos de censura partindo do próprio Poder Executivo. 

Entre os exemplos, estão a mostra do artista Diego Moura, “Abecedário da Diversidade”, que foi censurada em Niterói/RJ, após o então vereador Douglas Gomes (PL) afirmar que a exposição “sexualizava crianças”. Como resultado, os trabalhos foram deslocados para um espaço com menos visibilidade no shopping onde estavam sendo expostos. 

Outro exemplo se deu na remoção da exibição “Vozes Femininas”, feita para o Dia Internacional das Mulheres pela artista Elis Pinto, por conta de uma peça com nudez feminina. O governo municipal de Nova Friburgo/RJ alegou que a remoção da obra se dava para “proteção das crianças”, mesmo que a peça não tivesse nenhum caráter sensual ou inapropriado. 

Por fim, recordamos a música “Quem pode falar, produzida no âmbito do curso Empodera Legal com mulheres artistas, comunicadoras e jornalistas, e que reflete as experiências do silenciamento causado por gênero, servindo como ferramenta de conscientização, conexão e resistência. Acesse a música.  

Após mais de 20 anos de mobilização e incidência da sociedade civil, o Plano Nacional de Proteção a Defensoras e Defensores de Direitos Humanos foi publicado (DECRETO Nº 12.710, DE 5 DE NOVEMBRO DE 2025) pelo Presidente da República no dia 6 de novembro de 2025.  

Construído pelo Grupo de Trabalho Técnico Sales Pimenta, do qual a ARTIGO 19 fez parte e contribuiu ativamente, o Plano surge com a finalidade de articular e coordenar políticas, programas e ações para a proteção integral de defensoras e defensores de direitos humanos no País. 

Entre os objetivos do Plano estão: 

  1. fortalecer a atuação coordenada em programas, políticas e iniciativas de proteção a defensoras e defensores de direitos humanos; 
  2. estimular a cooperação entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios para a efetivação de políticas públicas e de ações de proteção a defensoras e defensores de direitos humanos; 
  3. articular políticas de garantia da proteção individual, coletiva e territorial a defensoras e defensores de direitos humanos; e 
  4. promover a participação da sociedade civil na formulação, na implementação e no monitoramento das políticas públicas de proteção. 

Em outubro deste ano, o Comitê Brasileiro de Defensores e Defensoras de Direitos Humanos manifestou, em nota pública, sua preocupação com a condução do processo de regulamentação da Política Nacional de Proteção às Defensoras e aos Defensores de Direitos Humanos e exigindo, com urgência, a publicação do decreto para podermos avançar na implementação do plano. 

“Agora, aguardamos ansiosamente pela publicação das portarias que trarão o Plano na íntegra, com o texto que foi desenvolvido no Grupo de Trabalho Técnico Sales Pimenta, bem como outros mecanismos para a implementação das medidas descritas no decreto”, explica Maria Tranjan, coordenadora do programa de Proteção e Participação Democrática da ARTIGO 19. 

Um dos tópicos de atenção no decreto do Plano, é a citação de comunicadores como defensoras e defensores dos direitos humanos e beneficiários desta política pública. Esta foi uma pauta importante para a ARTIGO 19 e outras organizações que atuam pela liberdade de expressão, imprensa e acesso à informação, durante as discussões de elaboração do documento. 

A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul apoiou e esteve presente na 3ª Conferência de Jornalismo de Favelas e Periferias, organizada pelo Fala Roça e em parceria com a Agência Mural, que ocorreu entre os dias 30 de outubro de 1º de novembro na Bibilioteca Parque da Rocinha, na Rocinha, no Rio de Janeiro/RJ.  

Ao longo de três dias de atividades, o evento com o tema “Justiça climática paras as favelas e periferias” reuniu jornalistas e comunicadores dessas regiões para discutir e desenvolver práticas jornalísticas que promovem o empoderamento e a representação desses territórios, além de conectar a comunicação comunitária ao debate global sobre emergências climáticas e sociais. 

“Em um ano de COP 30, o evento conecta o jornalismo periférico às discussões globais sobre justiça climática, propondo soluções concretas que partem das comunidades, com foco nas vozes que vivem e constroem cotidianamente alternativas sustentáveis nos territórios”, afirma Monique Silva, gestora do Fala Roça. 

A co-diretora executiva da ARTIGO 19, Raísa Cetra, participou da mesa “Como as iniciativas de jornalismo podem acessar a filantropia?”, ao lado de Fabiana Sousa, da Fundação Itaú, Luiz Gustavo Costa, da Fundação Konrad Adenauer (KAS) e Daiene Mendes, do Fundo de Apoio ao Jornalismo (FAJ). Caê Vatiero, assessor do programa de Proteção e Participação Democrática (PPD), também contribuiu para a programação do evento com uma oficina sobre proteção, segurança e cuidados integrais.  

Além dessas participações, a ARTIGO 19 contribuiu ao evento com protocolos de segurança e apoio logístico devido aos desdobramentos do massacre realizado pela Operação Contenção, que ocorreu dois dias antes do evento nos complexos do Alemão e da Penha. 

“Neste momento difícil, de muita dor e luto, reafirmamos nosso compromisso com a luta pelos direitos humanos e a promoção de vozes historicamente silenciadas. Realizar um evento desta natureza, diante deste cenário, evidencia como o jornalismo local tem um papel fundamental na promoção da democracia e de outras narrativas que não criminalizem, e potencializem, as vidas periféricas e faveladas”, disse Raísa Cetra. 

A ARTIGO 19, organização não governamental internacional de direitos humanos que promove e defende a liberdade de expressão e o acesso à informação em todo o mundo, lança este Edital de Chamamento Público Nacional para a campanha “Arte, Amazônia e seus Povos: A Amazônia é agora! A Amazônia somos nós!” 

Contexto e Importância

A arte é um veículo poderoso para gerar reflexões, manifestar opiniões, visões de mundo e para transformação social. Esta campanha busca mobilizar o talento de artistas e criadores para visibilizar a urgência e a relevância das discussões em torno dos impactos da COP 30, que será sediada em Belém do Pará, no Brasil. O contexto amazônico exige atenção imediata e a arte, em suas diversas linguagens, é essencial para gerar reflexões profundas sobre a sustentabilidade, os povos e comunidades da região, a biodiversidade e os desafios climáticos. 

Reafirmamos a importância da Liberdade Artística como um marco fundamental da comunicação e da Liberdade de Expressão. Assim como a ARTIGO 19 atua diretamente em defesa das liberdades artísticas e contra a censura, esta campanha incentiva a criação artística livre e engajada, transformando a arte em ferramenta de debate e ação para as causas amazônicas. 

Objeto da Chamada 

Seleção de 20 trabalhos com a temática “Arte, Amazônia e seus Povos: A Amazônia é agora! A Amazônia somos nós!”, inspirados no contexto da COP 30 no Brasil, em Belém do Pará. 

Linguagens Artísticas 

As propostas podem ser submetidas nas seguintes linguagens: 

  • Ilustrações
  • Charges
  • Cartuns
  • Fotografia

Condições de Participação 

Quem pode participar: Qualquer pessoa, coletivo ou organização residente no Brasil pode submeter sua proposta. 

Temática: As obras devem obrigatoriamente abordar o tema central da campanha, gerando reflexões sobre a COP 30 e o contexto amazônico. 

Prioridade Regional e de Engajamento: Serão consideradas ações afirmativas e critérios de diversidade regional. Será dada prioridade a: 

  • Artistas, coletivos ou organizações da Região Norte do Brasil. 
  • Artistas, coletivos ou organizações que demonstrem envolvimento prévio ou em curso com ações, movimentos ou debates relacionados à COP 30, ao clima e/ou à Amazônia. 
  • Formato de Submissão: As propostas devem ser submetidas digitalmente (o formato final dependerá da linguagem artística, conforme as especificações em formulário próprio). Para artes visuais (ilustrações, charges, fotografia), o envio deve ser em formato JPG ou PDF com boa qualidade para impressão no formato A3 ou A4, com tamanho máximo de 100 MB. 

Direitos e Uso: As obras selecionadas farão parte de uma exposição/campanha digital e serão compartilhadas nas redes sociais da ARTIGO 19 e parceiros sob licença Creative Commons, permitindo o compartilhamento livre com o devido crédito ao artista. 

Valores e critérios de Seleção 

Os critérios de escolha incluirão: 

  • Conter uma mensagem clara e potente sobre o tema “A Amazônia é agora! A Amazônia somos nós!”. 
  • Adequação ao foco e aos termos deste edital. 
  • Diversidade regional, com prioridade para a Região Norte do Brasil. 
  • Criatividade e consistência da proposta. 
  • Legitimidade do grupo ou organização (se aplicável) e envolvimento com as ações da COP 30/contexto amazônico. 

Serão selecionados até 20 trabalhos, com premiação de R$ 2.000,00 (2 mil reais) por trabalho. 

Cronograma

Evento  Data  Local
Lançamento Oficial da Campanha “A Amazônia é agora! A Amazônia somos nós!”  31/10/2025  Belém do Pará 
Lançamento e Publicação do Edital  10/11/2025  Site e redes sociais da ARTIGO 19
Data Limite para Inscrições  30/11/2025  Formulário online 
Divulgação do Resultado  16/02/2026  Site e redes sociais da ARTIGO 19

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O Acordo de Escazú foi aprovado nesta quarta-feira, 5 de novembro de 2025, no Plenário da Câmara dos Deputados, após intensa mobilização do Movimento Escazú Brasil (que reúne uma ampla diversidade de organizações ambientais e de direitos humanos em todo o Brasil). O tratado versa sobre o acesso à informação, participação pública e acesso à justiça em assuntos ambientais na América Latina e no Caribe.

O texto tramita na Câmara desde maio de 2023. A votação, realizada em regime de urgência, aconteceu após o Movimento encaminhar recentemente carta ao Governo Federal solicitando a atuação coordenada dos ministérios para assegurar a aprovação do Acordo, por meio de ações de comunicação e diálogo junto aos parlamentares e à sociedade civil. O documento foi encaminhado aos ministérios do Meio Ambiente, Direitos Humanos, Povos Indígenas, Justiça, Relações Exteriores e Institucionais, entre outros.

A CARTA PODE SER ACESSADA CLICANDO AQUI

A pauta segue agora para apreciação do Senado Federal e, posteriormente, para ratificação pelo Poder Executivo. O Movimento Escazú Brasil continuará defendendo e apoiando a urgente ratificação do Acordo e sua implementação no país.

O que está em jogo

O Brasil caminha para se somar aos outros 18 países da América Latina e Caribe que já ratificaram o Acordo.

Embora esta seja uma vitória importante e as organizações do Movimento Escazú Brasil celebrem sua aprovação na Câmara, o caminho ainda é longo – e a credibilidade internacional do Brasil está sob os holofotes, particularmente na agenda socioambiental.

O tratado é plenamente compatível com a Constituição Federal e reforça os compromissos internacionais já assumidos pelo país, como o Acordo de Paris e o Pacto de San José da Costa Rica.

O Acordo inclui os princípios de soberania, transparência, progressividade, entre outros, além de observar a legislação nacional de acesso às informações. Sua ratificação irá reforçar a liderança do Brasil na governança ambiental global e contribuir para o fortalecimento da democracia socioambiental, da transparência pública e da proteção dos direitos humanos.

O Acordo de Escazú é o primeiro tratado ambiental da América Latina e do Caribe e o único no mundo voltado à proteção de defensoras e defensores de direitos humanos em questões ambientais. Ele assegura três pilares fundamentais:

  • direito de todo cidadão/ã ou empresa a ter acesso simples e amplo a informações sobre a qualidade do meio ambiente e sobre atividades que possam ameaçá-la;
  • direito de todo cidadão/ã a opinar em processos de decisão que possam lhe afetar, como no licenciamento de obras de significativo impacto ambiental, e
  • direito de todo cidadão/ã ou empresa recorrer à Justiça para defender seus direitos e proteger o meio ambiente.

Além disso, o acordo obriga os países a terem programas para proteger os/as defensores/as ambientais ameaçados. O Brasil é o segundo país do mundo mais perigoso para defensores/as ambientais.

Segundo a pesquisa Na Linha de Frente, realizada pela Justiça Global e a Terra de Direitos, a maioria (80,9%) das pessoas defensoras de direitos humanos que sofreram violência entre 2023 e 2024 atuava na defesa da terra, território e meio ambiente — tema presente em 87% dos assassinatos. Ou seja, justamente aquelas e aqueles que enfrentam diretamente os impactos da crise climática. Lideranças indígenas, quilombolas e camponesas estão entre os principais alvos.

Sobre o Movimento Escazú Brasil

O Movimento Escazú Brasil é uma aliança formada em 2023 por 45 organizações da sociedade civil, redes e coalizões, entre elas Abraji, Transparência Internacional, WWF-Brasil, Instituto Nupef, ARTIGO 19, IDS, Fundação Grupo Esquel, Justiça Global, Comitê Chico Mendes, Plataforma Cipó, Oxfam Brasil, SOS Mata Atlântica, Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para Meio Ambiente e Desenvolvimento e Terra de Direitos.

A coalizão atua para promover o debate público e pressionar pela ratificação e implementação do tratado no Brasil, fortalecendo o direito de todos e todas a viver em um ambiente saudável, com decisões transparentes, participativas e baseadas em justiça socioambiental.

Contatos

Luana Almeida – Consultora de comunicação do Movimento Escazú Brasil
+ 55 11 98430-0750 / escazubrasil@gmail.com

Gisela Hathaway – Consultora de incidência política do Movimento Escazú Brasil
+55 61 9989-9764

A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul foi para Salvador, na Bahia, para participar de uma residência com o Aláfia Lab como parte do programa Potência, da fundação Luminate. Durante mais de uma semana, Gabrielle Graça, assessora do Centro de Referência Legal, participou de diversas atividades envolvendo o tema de mercados digitais. 

Os principais objetivos da residência foram: construir aprendizados conjuntos entre as organizações, resultado da convergência de saberes, contextos e experiências; contribuir para o desenvolvimento de uma visão regional, sem esquecer a importância dos contextos locais e reduzir a curva de aprendizado em temas estratégicos para as organizações. 

“A proposta de fazer um intercâmbio entre duas organizações de diferentes regiões, uma baseada no Nordeste e outra no Sudeste, vai na contramão da produção do conhecimento e das atividades econômicas, que costumam são focadas no Sudeste. Quando saímos desse eixo, colocamos outros pontos de referência e isso é muito importante para a agenda do Sul Global. É fundamental levar em conta a realidade do Nordeste, senão muita coisa se perde”, conta Gabrielle Graça, assessora do Centro de Referência Legal da ARTIGO 19 que representou a organização no intercâmbio. 

“No Aláfia, sempre trabalhamos na perspectiva de produzir pesquisas e compartilhar esse conhecimento com outras organizações. Ter a ARTIGO 19 aqui conosco foi muito bom porque nós podemos falar sobre nossa perspectiva, do que nós compreendemos enquanto um ambiente digital saudável, plural e democrático, e compreender como a ARTIGO faz esse trabalho com o mesmo propósito a partir de outra perspectiva”, completa Maria Paula Almada, co-diretora executiva do Aláfia Lab. 

Entre as organizações, o foco foi, sobretudo, em trocar aprendizados e definir passos conjuntos para uma atuação colaborativa nos temas de mercados digitais. As atividades envolveram: levantamento de desafios em regulação e desinformação no ambiente digital, diagnósticos de pesquisa e atuação em advocacy, prototipagem de entregas conjuntas e reunião com organizações e coletivos digitais locais. 

O Aláfia Lab é uma organização da sociedade civil baseada em Salvador (BA) que se dedica a pensar o ambiente digital, entendendo que transformar o digital é um caminho para transformar o social. A organização atuaproduzindo pesquisa científica, compartilhando conhecimento, fazendo advocacy e criando conteúdos midiáticos e jornalísticos por meio do nosso veículo Desinformante. 

Saiba mais em alafialab.org 

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