Suraras da Amazônia, dirigido por Magabi Matos, conquistou o terceiro lugar na categoria Reportagem Audiovisual do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira.
Filmado em Alter do Chão, no Pará, o documentário acompanha uma mulher indígena e sua família na mobilização para proteger a Amazônia e o território onde vivem. Diante do avanço do turismo exploratório e de seus impactos socioambientais, a protagonista se une à associação Suraras do Tapajós e ao Movimento Amazônia de Pé para impedir que as transformações em curso provoquem danos irreversíveis à floresta e às comunidades da região.
A produção mostra que o turismo, quando organizado sem participação comunitária e sem respeito aos limites do território, pode intensificar pressões ambientais, econômicas e culturais. Embora Alter do Chão seja frequentemente representada como destino turístico de grande beleza natural, o documentário direciona o olhar para as populações que vivem na região e enfrentam diariamente as consequências de formas de exploração que ameaçam a floresta, os recursos naturais e os modos de vida tradicionais.
Nesse contexto, a atuação das Suraras do Tapajós adquire centralidade. A associação e grupo musical reúne mulheres indígenas que utilizam a música, a dança, a comunicação e a mobilização comunitária como instrumentos de afirmação cultural e defesa territorial. O próprio nome “Suraras”, associado à ideia de mulheres guerreiras, expressa uma atuação coletiva que articula ancestralidade, presença pública e reivindicação de direitos.
A trilha sonora original, criada pelas Suraras do Tapajós em parceria com Fred Rahal, não funciona apenas como acompanhamento das imagens. Ela integra a linguagem narrativa da obra e evidencia a música como forma de comunicação, memória e resistência. Por meio das vozes e das sonoridades produzidas pelas próprias mulheres indígenas, o território também é apresentado como espaço de criação cultural, transmissão de conhecimentos e construção de vínculos comunitários.
Dirigido e editado por Magabi Matos, o documentário foi produzido pela Maga Filmes. A equipe conta com Albert Ferreira na cinematografia e na correção de cor, João Albuquerque na operação de câmera, assistência de direção e imagens aéreas, Andrew Só no som direto e Fred Rahal no desenho de som e na mixagem. A produção executiva é de Sky Dylan-Robbins, Gabriel Diamond e Phil Collis.
Ao acompanhar a protagonista, sua família e as organizações envolvidas na defesa do território, Suraras da Amazônia mostra que a proteção ambiental se realiza também no cotidiano. Ela está presente nos vínculos familiares, na música, na organização das mulheres, na ocupação dos espaços públicos e na construção de alianças capazes de enfrentar ameaças que ultrapassam os limites de uma única comunidade.
Mais do que denunciar riscos socioambientais, o documentário valoriza soluções que nascem do território e reconhece o protagonismo das mulheres indígenas na defesa da Amazônia. A obra demonstra que proteger a floresta exige escutar quem vive nela, garantir a participação das comunidades nas decisões e respeitar seus conhecimentos, suas formas de organização e sua autonomia. Ao unir experiência familiar, mobilização coletiva e expressão artística, Suraras da Amazônia transforma a comunicação em ferramenta de resistência e cuidado.
