Quando a Natureza Veste o Corpo

Thalia Braga (Altamira, Pará)

A obra apresenta um corpo que se funde à floresta por meio de elementos vegetais  coletados no próprio território amazônico. O conceito central é o de corpo-território, no  qual a pessoa não é separada da natureza, mas compreendida como parte essencial  dela. Ao vestir folhas, galhos e texturas da mata, a performance expressa a ideia de que  a Amazônia não é apenas um espaço geográfico, mas um organismo vivo que habita,  protege e também é protegido pelos povos que nela existem. 

A mensagem da obra dialoga com a urgência das pautas amazônicas ao evidenciar que  a destruição da floresta é também uma destruição de corpos, histórias e modos de  vida. O corpo coberto pela vegetação torna-se um símbolo de resistência frente ao avanço de políticas e práticas que ameaçam o meio ambiente, os povos tradicionais e  a biodiversidade. A obra reforça que defender a Amazônia é, antes de tudo, defender  vidas. 

Sua relevância no tema “Arte, Amazônia e seus Povos” está na capacidade de  transformar uma imagem em narrativa política e sensível. A performance usa a arte  como linguagem para denunciar, sensibilizar e provocar reflexão sobre a responsabilidade coletiva diante da crise climática. Em um momento em que a COP30  coloca o mundo diante do desafio de proteger o maior bioma tropical do planeta, a  obra reafirma a centralidade dos povos amazônicos como guardiões do território e  propõe uma estética que reconhece a floresta como extensão do corpo humano. 

Ao ocupar o espaço com um corpo-floresta, a criação estabelece um diálogo direto  com a urgência climática, a soberania dos povos tradicionais, e a necessidade de  colocar a Amazônia no centro das decisões globais. A obra, portanto, atua como gesto  político, poético e ancestral, convocando o público a enxergar a Amazônia não como  recurso, mas como sujeito vivo, que exige cuidado imediato e compromisso contínuo.

 

Biografia

Tecnólogo em Gestão de Serviços Jurídicos e Notariais e graduada em Ciências Biológicas. Atuo como ativista desde os 15 anos, com participação em movimentos de mulheres negras, movimentos negros e iniciativas voltadas ao combate à violência, à desinformação, à LGBTQI+fobia e à transfobia.

Integro o ZarabatanaINFO, uma rede de comunicadores e ciberativistas que trabalha com informação segura e enfrentamento a narrativas de ódio.

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