A obra Marco Temporal foi produzida dentro da linguagem das Histórias em quadrinhos, onde procurei abordar temas socioambientais e políticos de maneira simbólica e crítica. Na imagem, que trata do debate sobre o Marco Temporal, o principal elemento visual — a mão indígena erguendo um maracá — funciona como um símbolo de resistência, ancestralidade e legitimidade territorial. O fundo em cores intensas, contrastado pela silhueta da floresta e do horizonte, reforça a tensão entre ameaça e sobrevivência.
O conceito central da obra nasce da pergunta “Quem são os verdadeiros ‘donos’?”, apontando diretamente para a importância dos povos originários como guardiões históricos da Amazônia. A proteção da floresta não é apenas uma questão ambiental, mas também de justiça social, reconhecimento cultural e reparação histórica.
No contexto da COP 30, a obra ganha relevância ao dialogar com a urgência das pautas amazônicas: a preservação dos biomas, o enfrentamento às políticas de retrocesso, o combate à apropriação indevida de terras e a valorização dos saberes indígenas.
Assim, minha criação além de fazer um resgate pessoal, visto que tenho uma bisavó de origem indígena, atua como um convite para que o observador reflita sobre a relação indissociável entre Amazônia, cultura indígena e crise climática. A arte, nesse caso, funciona como ferramenta de denúncia, memória e educação, ajudando a ampliar o debate público e reforçando que o caminho para a sustentabilidade global passa necessariamente pelo reconhecimento e pelo respeito aos povos originários.
Biografia
Evânio Bezerra da Costa, conhecido artisticamente como Jimmy Rus, é um artista visual, cartunista, escritor, produtor cultural, editor e educador cujo trabalho se consolidou ao longo de mais de duas décadas na cena cultural de Uberlândia/ MG.
Formado em Artes Plásticas (Visuais) pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com habilitações em Licenciatura e Bacharelado, e pós-graduado em Gestão Cultural e Indústria Criativa pela PUC-Rio, Jimmy iniciou sua trajetória explorando o desenho, a gravura e as linguagens da arte sequencial, utilizando os quadrinhos não apenas como expressão artística, mas como ferramenta crítica, pedagógica e de construção de repertório visual.
Entre suas realizações destaca-se a criação e manutenção da Revista O.Q de Quadrinhos, publicação independente surgida no ano de 2009. Com o lema “Incentivando sonhos e produzindo HQs”, a revista/coletânea vem, há 16 anos, se consolidando como uma plataforma de acesso a artistas iniciantes ao universo da publicação impressa de HQs, e suporte a manutenção de artistas já consagrados, os quais são publicados na revista.
Paralelamente ao trabalho editorial, Jimmy Rus consolidou-se como cartunista e roteirista, publicando tiras, cartuns e narrativas visuais em blogs, redes sociais e periódicos impressos. Sua produção combina humor, crítica social, sensibilidade poética e referências culturais brasileiras, transitando entre temas cotidianos e reflexões mais amplas sobre política, arte e sociedade. Essa versatilidade também se revela em sua atuação como escritor de poesia e contos, com participação em antologias literárias.
Como educador, Jimmy atua há 21 anos no ensino de arte, sendo professor efetivo na rede municipal de ensino de Uberlândia/MG.
Como produtor cultural, desenvolve oficinas, cursos livres e conteúdos pedagógicos que aproximam estudantes do universo das HQs. E de sua autoria e responsabilidade o Curso Itinerante O.Q de Quadrinhos mantido (com algumas interrupções) voltado a crianças e jovens de bairros periféricos.
Atuando com a produção cultural e como artista multidisciplinar, nos últimos anos vem conquistando alguns prêmios e homenagens onde se destacam:
Menção Honrosa AfroAtitude (2022) – concedida pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Uberlândia em celebração à Consciência Negra, em reconhecimento a iniciativas em prol da igualdade racial.
Prêmio Território Criativo (2023) – recebido durante a V Semana de Economia Criativa de Uberlândia, promovida pelo Balaio Cultural em parceria com a TV Paranaíba, pelo trabalho com a Revista O.Q de Quadrinhos.
Prêmio de Agentes e Espaços Culturais (2023) – concedido pela Lei Paulo Gustavo (Edital 025/2003), que possibilitou a produção da edição nº10 da Revista O.Q de Quadrinhos, lançada em setembro de 2024.
Acadêmico efetivo da Academia de Letras de Uberlândia (2025) – membro fundador desde 10/09/2025, ocupando a cadeira nº 27 (patrono Ziraldo).
Hoje, Jimmy Rus é visto como uma referência local: um artista que equilibra criação, formação, produção editorial e articulação cultural. Sua trajetória evidencia a força do trabalho contínuo e independente, construindo redes, abrindo caminhos e fortalecendo a cena de HQs de Uberlândia de maneira orgânica, colaborativa e persistente. Em cada projeto, Jimmy reafirma o papel do artista não apenas como criador de imagens, mas como agente transformador dentro da vida cultural da cidade.
