Luz da Floresta: Narrativas Fotográficas da Vida Ribeirinha é uma obra que nasce da urgência do tempo presente e da resistência silenciosa dos povos que vivem a Amazônia no cotidiano. Por meio da fotografia documental, a série revela a força, a fragilidade e a dignidade das famílias ribeirinhas da Comunidade São Francisco do
Caramuri diante de um cenário marcado por secas severas, escassez de água e desafios crescentes para o escoamento da produção da agricultura familiar — impactos que já são consequência direta das mudanças climáticas discutidas na agenda da COP30.
As imagens retratam mais do que paisagens alteradas pela estiagem: apresentam rostos, gestos e trajetórias de mulheres, homens, jovens e crianças que reinventam diariamente formas de viver, plantar, navegar e sobreviver quando o rio, antes abundante, se retrai e deixa expostos os caminhos invisíveis da floresta. São fotografias que capturam o esforço das famílias para acessar água potável, transportar alimentos, proteger suas roças e manter viva a cultura ribeirinha mesmo quando a natureza, afetada por um clima extremo, impõe novos desafios.
O conceito da obra se assenta em três pilares: visibilidade, resistência e florestania. Visibilidade, porque coloca em foco um território que raramente é retratado na centralidade dos debates climáticos. Resistência, porque mostra que os povos da Amazônia não são vítimas passivas, mas agentes que criam soluções, reinventam trajetórias e mantêm a vida pulsando mesmo nos momentos de maior adversidade. E florestania, porque cada fotografia reafirma que a identidade ribeirinha é inseparável da floresta, do rio, do território e das relações profundas entre pessoas e natureza.
A mensagem central da obra é simples e, ao mesmo tempo, urgente: a crise climática já está acontecendo na Amazônia — e os primeiros a sentir seus efeitos são justamente aqueles que mais protegem a floresta. Ao trazer a experiência real vivida no Caramuri, a obra provoca o público a reconhecer que os povos amazônicos são protagonistas do cuidado ambiental e que suas narrativas precisam ser colocadas no centro das decisões globais discutidas na COP30.
Em diálogo com o tema “Arte, Amazônia e seus Povos”, a série fotográfica transforma a dor e a luta das comunidades ribeirinhas em arte, sensibilidade e denúncia. As imagens convidam o público a enxergar a Amazônia para além do imaginário distante e romantizado: aqui, a floresta é luz, mas também é escassez; é berço de vida, mas também território em disputa; é beleza, mas também alerta.
Assim, “Luz da Floresta” se torna um chamado — estético, político e humano — para que a Amazônia seja vista, respeitada e defendida não apenas nos discursos, mas nas ações concretas. As fotografias revelam que preservar a floresta significa proteger seus povos, suas águas, seus modos de vida e suas histórias, especialmente diante do futuro climático que se aproxima.
Biografia
A Associação Comunitária Agrícola São Francisco do Caramuri (ACASFC) é uma organização ribeirinha localizada na Comunidade São Francisco do Caramuri, zona rural de Manaus, cujo propósito central é fortalecer o desenvolvimento sustentável, cultural e socioeconômico das famílias amazônicas que vivem às margens dos rios e da floresta. Fundada pela própria comunidade, a ACASFC atua como uma instituição guardiã do território, da cultura local e das práticas tradicionais que conectam as pessoas à floresta, à agricultura familiar, à arte e ao modo de vida ribeirinho.
A missão da ACASFC é promover o bem-viver comunitário, articulando iniciativas que integrem sociobiodiversidade, cultura, identidade ribeirinha e sustentabilidade ambiental. A associação busca garantir que as famílias tenham condições dignas de trabalho, renda, educação, cuidado ambiental e fortalecimento de seus saberes e expressões culturais.
No campo da cultura, a ACASFC enxerga a arte como uma força viva que nasce do território: seja nos cantos tradicionais, nos saberes das mulheres, nos modos de plantar e colher, nas histórias dos antigos, nos rituais comunitários, nos festejos ou nas práticas colaborativas que estruturam a vida coletiva. A associação trabalha para valorizar e transmitir essas expressões, especialmente entre as crianças, jovens e mulheres — grupos que carregam o futuro da identidade ribeirinha.
A atuação da ACASFC também se baseia no fortalecimento da autonomia comunitária, articulando projetos de educação ambiental, agricultura e Agrofloresta, empreendedorismo sustentável, manejo comunitário, tecnologias sociais, formação de lideranças e iniciativas voltadas à segurança alimentar. Todas essas ações mantêm uma relação direta com a cultura amazônica: a cultura de cuidar da terra, produzir com respeito, aprender com a floresta e celebrar o que a sociobiodiversidade oferece.
No contexto a ACASFC apresenta-se como uma Instituição que reconhece a arte como instrumento de resistência, memória e transformação social. A associação vê a arte não apenas como expressão estética, mas como parte da vida ribeirinha: ela está presente na produção artesanal, na culinária tradicional, nos modos de construir, nas narrativas orais, nos cantos religiosos, nos festejos de santo, na coleta e no beneficiamento dos frutos da floresta — tudo isso expressando territorialidade e pertencimento.
Ao longo de sua atuação, a ACASFC tem fortalecido parcerias com instituições públicas, universidades, organizações sociais e coletivos culturais para promover ações que unem arte, natureza, educação, cultura e sustentabilidade. Seu trabalho é guiado pelo princípio de que preservar a Amazônia significa também preservar seus povos, seus saberes, seus modos de viver e suas múltiplas manifestações culturais.
A ACASFC se apresenta, portanto, como uma organização comprometida com a proteção da vida ribeirinha, a valorização da identidade amazônica e o fortalecimento da cultura comunitária como base para um futuro sustentável na Comunidade São Francisco do Caramuri.
