A obra nasce no coração pulsante da Cúpula dos Povos, em Belém, no dia 15 de novembro de 2025 — um momento em que a Amazônia se torna o centro do mundo, não por sua abundância, mas pela urgência que ela representa. As fotografias registram a Marcha Global pelo Clima como uma grande travessia coletiva: povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, juventudes, ativistas e trabalhadores urbanos caminham lado a lado, transformando indignação em linguagem visual.
“Gritaria Gráfica – a marcha das tintas na COP” é um retrato da força visual que tomou as ruas de Belém durante a Marcha Global pelo Clima. Em meio à urgência da COP, as vozes dos povos da Amazônia, das juventudes, das comunidades tradicionais e dos movimentos sociais se transformaram em cores, traços e palavras que ocupavam cada centímetro da avenida. Era uma gritaria feita de tinta: cartazes caseiros, faixas improvisadas, símbolos ancestrais e mensagens em várias línguas formando uma paisagem vibrante, quase caótica, mas absolutamente necessária. Essa “poluição visual” desafiava a verdadeira poluição — a dos fósseis que sufocam o planeta — e mostrava que, quando os povos marcham juntos, a arte vira resistência e a rua se torna o maior painel de denúncia climática do mundo.
Os cartazes — escritos em línguas diversas, grafias diversas, cores diversas — refletem uma mensagem comum: não há mais tempo. Cada imagem captura um fragmento dessa polifonia, em que a arte espontânea das ruas e a força política das vozes se misturam, dando corpo à percepção de que a crise climática não é uma ameaça distante, mas um presente que exige respostas imediatas.
O fotojornalismo aqui se transforma em ponte: entre o olhar do mundo e a resistência cotidiana da Amazônia; entre a dureza dos dados científicos e a beleza da mobilização popular; entre a urgência das negociações da COP 30 e a sabedoria ancestral dos povos que defendem a floresta há séculos.
A relevância da obra está justamente na forma como ela revela — com afeto, rigor e presença — que a solução para a crise climática não virá apenas dos acordos internacionais, mas da força dos povos indígenas, do conhecimento quilombola, da experiência das comunidades tradicionais e da pressão da sociedade civil organizada.
Cada fotografia, portanto, é um testemunho e um chamado: um lembrete de que a Amazônia está viva, que seus povos levantam a voz, e que o mundo precisa escutar antes que o silêncio se torne irreversível.
Biografia
Jornalista, educomunicador popular, realizador audiovisual e doutorando em Comunicação pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação Social da UFC (PPGCOM-UFC). Mestre em comunicação social pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação Social da UFPI (PPGCOM – UFPI) e Especialista em Marketing e Mídias Digitais pela Faculdade Adelmar Rosado (Pós FAR).
Atualmente integra a Rede Nacional de Proteção a Jornalistas e Comunicadores e a Coordenação Geral da Plataforma Ocorre Diário. Tem experiência na área de comunicação digital, telejornalismo e jornal impresso, atuando com ênfase nos direitos humanos, pensamento decolonial, jornalismo on-line e dispositivos móveis, comunicação popular e comunitária.
