A obra utiliza a estética surrealista, evocada pelo nome do pintor René Magritte, para retratar o conflito entre o homem e a paisagem transformada pelo capital. A figura humana, de terno e maleta, representa o agente econômico ou o indivíduo moderno, enquanto o campo de monocultura seco e extenso simboliza a uniformidade produtiva e a exaustão da terra.
Mensagem PrincipalA alienação e a desumanização geradas pela lógica da comodidade (commodity). A cabeça coberta da figura sugere a perda de identidade, a incapacidade de “”ver”” a si mesmo ou o impacto da própria ação no ambiente. A monocultura não é apenas uma forma de produção; é uma monocultura de pensamento, que ignora a biodiversidade, a diversidade cultural e as consequências climáticas.
A obra estabelece um diálogo direto com o tema “”Arte, Amazônia e seus Povos: A Amazônia é agora! A Amazônia somos nós!”” ao confrontar o modelo que ameaça o bioma:
– Vetor de desmatamento e clima – o avanço da monocultura (especialmente grãos para exportação) é uma das maiores pressões sobre a Amazônia Legal e o Cerrado, sendo responsável pela conversão de vastas áreas de vegetação nativa. A obra traz essa paisagem de destruição implícita para o centro do debate.
– Sustentabilidade e soberania – o edital busca gerar reflexões sobre sustentabilidade, biodiversidade e os desafios climáticos. A fotografia questiona o custo real, ambiental e humano, da produção massiva de commodities, um tema que estará no cerne das discussões de financiamento e metas na COP 30 em Belém do Pará.
– Ameaça aos Povos – a expansão da fronteira agrícola representada na imagem implica no deslocamento e no conflito com os povos e comunidades da região, cujas culturas e modos de vida são incompatíveis com o modelo da monocultura.
Ao focar na crítica ao modelo de produção em larga escala, a obra de Raphael Vieira contribui para o debate artístico e político, instigando o espectador a refletir sobre a origem e o impacto do alimento e da riqueza que impulsionam o desequilíbrio ecológico e social na região amazônica.
Biografia
Fotógrafo e artista visual baseado em Goiânia, Goiás, com uma atuação profissional desde 2017. Sua prática artística se concentra na intersecção entre o social, o ambiental e o patrimônio, buscando no registro fotográfico uma ferramenta potente para a reflexão sobre as transformações da paisagem e da cultura brasileira.
Raphael Vieira tem se dedicado a projetos que exploram criticamente o ambiente urbano e o rural. É criador do projeto “Relembrar”, uma exposição que retrata o acervo Art Déco de Goiânia, demonstrando seu olhar aguçado para a memória e o impacto da arquitetura na identidade local.
Ainda que seu trabalho se origine no Centro-Oeste brasileiro, o artista se conecta diretamente com as grandes questões nacionais que repercutem globalmente, como o avanço da fronteira agrícola e seus desdobramentos. Através de sua lente, ele questiona as dinâmicas de poder e as consequências da monocultura extensiva – uma realidade que tem implicações diretas na crise climática e na devastação de biomas estratégicos, como o Cerrado e a Floresta Amazônica.
Sua fotografia busca provocar o espectador, muitas vezes utilizando o simbolismo e o surrealismo para tratar de temas como a alienação e a mercantilização da natureza. É neste contexto que ele submete a obra “A (MONO)CULTURA DE MAGRITTE”, um ensaio visual sobre o homem contemporâneo em face da uniformidade produtiva e seus impactos socioambientais.
