A (Mono)cultura De Magritte
—Raphael Vieira Vasconcelos (Goiânia, Goiás)

A obra utiliza a estética surrealista, evocada pelo nome do pintor René Magritte, para  retratar o conflito entre o homem e a paisagem transformada pelo capital. A figura  humana, de terno e maleta, representa o agente econômico ou o indivíduo moderno,  enquanto o campo de monocultura seco e extenso simboliza a uniformidade produtiva  e a exaustão da terra. 

Mensagem PrincipalA alienação e a desumanização geradas pela lógica da  comodidade (commodity). A cabeça coberta da figura sugere a perda de identidade, a  incapacidade de “”ver”” a si mesmo ou o impacto da própria ação no ambiente. A  monocultura não é apenas uma forma de produção; é uma monocultura de pensamento, que ignora a biodiversidade, a diversidade cultural e as consequências  climáticas. 

A obra estabelece um diálogo direto com o tema “”Arte, Amazônia e seus Povos: A  Amazônia é agora! A Amazônia somos nós!”” ao confrontar o modelo que ameaça o  bioma: 

– Vetor de desmatamento e clima – o avanço da monocultura (especialmente grãos  para exportação) é uma das maiores pressões sobre a Amazônia Legal e o Cerrado,  sendo responsável pela conversão de vastas áreas de vegetação nativa. A obra traz  essa paisagem de destruição implícita para o centro do debate. 

– Sustentabilidade e soberania – o edital busca gerar reflexões sobre sustentabilidade,  biodiversidade e os desafios climáticos. A fotografia questiona o custo real, ambiental  e humano, da produção massiva de commodities, um tema que estará no cerne das  discussões de financiamento e metas na COP 30 em Belém do Pará. 

– Ameaça aos Povos – a expansão da fronteira agrícola representada na imagem implica  no deslocamento e no conflito com os povos e comunidades da região, cujas culturas  e modos de vida são incompatíveis com o modelo da monocultura. 

Ao focar na crítica ao modelo de produção em larga escala, a obra de Raphael Vieira  contribui para o debate artístico e político, instigando o espectador a refletir sobre a  origem e o impacto do alimento e da riqueza que impulsionam o desequilíbrio  ecológico e social na região amazônica. 

RAPHAEL VIEIRA VASCONCELOS (Goiânia, Goiás)
@rvvfotografia

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