Por volta do inicio do ano 2020, no Rio Negro, o segundo maior rio do mundo em volume de água e o maior afluente do Rio Amazonas, se descobriu uma epidemia das “Bactérias de Plásticos”. Estes seres viviam abaixo da superfície do rio, eram como monstros de plásticos que iam se quebrando em milhões de fragmentos e contaminando o intestino e vias respiratórias de quase todos os animais aquáticos e seres humanos da Amazônia, tendo consequências graves para a sobrevivência de todo o ecossistema da maior floresta Tropical do mundo. A epidemia foi tão devastadora, que dos rios se estendeu aos oceanos. Por volta de 2050 haviam mais “bactérias plásticas” que todos os tipos de seres vivos aquáticos, numa destruição monstruosa da cadeia de reprodução da vida animal e da possibilidade de alimentação aos seres humanos.
O ensaio fotográfico propõe que existe uma interdependência entre todos os corpos em movimento no Planeta Terra, questionando o discurso que o “Ser Humano” é uma entidade diferenciada e superior a própria Natureza. Por outro lado, coloca os objetos artificiais, como o plástico, em uma derivação mutante da própria representação do corpo e da mente humana, como se fosse uma Inteligência artificial que se volta contra o seu criador e o aniquila, sufocando seus recursos naturais e órgãos biológicos. Na fábula fotográfica coloco meu próprio corpo numa simbiose com os animais aquáticos, na possibilidade de uma união e sobrevivência dos seres vivos contra a destruição e dominação pelas “Bactérias de Plásticos”.
Apenas para termos alguns dados científicos do problema, o Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Pará, observou que 98% dos peixes coletados em nascentes e rios amazônicos estavam contaminados com algum tipo de plástico; em média cada espécie tinhas seis pedaços de plásticos dentro do corpo. O Rio Amazonas, junção do Rio Negro com o Rio Solimões, quando chega no Oceano Atlântico despeja cento e cinquenta mil toneladas de resíduos sólidos, dos quais 80% são plásticos
Biografia
Leonardo Costa Braga nasceu em 1973. Brasileiro, morou em diversas cidades, montanhas, rios, mares, vilarejos, convivendo com centenas de tipos diferentes de pessoas, culturas e experiências.
Desenvolve trabalhos com arte contemporânea sobre as várias camadas de representações que existem entre o ser humano e o ambiente. O objetivo é ampliar os limites que a sociedade denomina como real e o que cada um percebe, cria e vivencia como a sua realidade. Trabalha com fotografia, vídeo, instalação, performance, na construção de imagens manipuladas em ambientes naturais ou digitais, para propiciar ao espectador a dúvida se aquilo é uma ficção do que estamos vivendo ou um documento histórico do que ainda não havíamos percebido de nós mesmos. Em outras vertentes da arte, tem poesias e composições musicais publicadas e gravadas.
Recebeu o Prêmio Nacional do Festival FotoSururu/2020, Prêmio Nacional Rede Funarte de Artes Visuais/2014, o Prêmio Nacional Pierre Verger/2009, entre outros. Exposições individuais: Galeria de Arte da Uni.Fed.São João Del Rey/2022, Quadrum Galeria de Arte/Belo Horizonte 2013, Centro de Fotografia do Montevideo/2010, entre outros. Exposições Coletivas: Embaixada do Chile, Washington/2017; Casa Brasil, Rio de Janeiro/2016; SPArte, Pavilhão da Bienal/2012, entre outros. Livros publicados: Olho Mágico, Leonardo Costa Braga, Edição da Funarte/2015; Geração 00, A Nova Fotografia Brasileira, Eder Chiodetto, Sesc Edições/2011.
