3º lugar • Maraká Urbano

Bruno Amorim

Maraká Urbano, de Bruno Amorim, conquistou o terceiro lugar na categoria Iniciativa de Comunicação de Autoria de Comunidade Tradicional do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira.

Fundado em 2021 e sediado em Paudalho, o Maraká Urbano é um coletivo cultural independente com atuação nas áreas de audiovisual, comunicação e gestão comunitária. A iniciativa trabalha pela valorização dos povos indígenas e pela salvaguarda de conhecimentos tradicionais locais, utilizando a produção cultural como instrumento de memória, reconhecimento e continuidade.

Por meio do audiovisual, o coletivo registra práticas que receberam pouca documentação ao longo do tempo, incluindo memórias comunitárias, formas específicas de indumentária, toques, coreografias e narrativas simbólicas ligadas à ancestralidade indígena local. Esses elementos são apresentados como conhecimentos vivos, mantidos por mestres, brincantes, famílias e comunidades que participam de sua transmissão entre gerações.

O trabalho do coletivo não se limita a produzir um arquivo sobre essas manifestações. As imagens e os conteúdos são devolvidos às próprias comunidades em formatos acessíveis e didáticos, permitindo que os registros sejam utilizados em atividades de formação, reconhecimento e transmissão cultural. Esse movimento evita que o material produzido permaneça distante das pessoas retratadas e reafirma a comunidade como destinatária e participante do processo comunicacional.

Ao documentar indumentárias, músicas, movimentos e narrativas, o Maraká Urbano contribui para reativar conhecimentos que poderiam ser enfraquecidos pela falta de registros ou de espaços de transmissão. O audiovisual funciona como ponto de encontro entre os mais velhos, responsáveis por parte importante da memória, e as juventudes, que podem utilizar novas linguagens e tecnologias para se aproximar dessas referências.

A iniciativa também ajuda a enfrentar a invisibilidade das matrizes indígenas presentes nas culturas tradicionais locais. Em muitos contextos, práticas comunitárias continuam sendo realizadas, mas sua relação com histórias, territórios e ancestralidades indígenas permanece pouco reconhecida. Ao registrar e contextualizar esses saberes, o projeto contribui para fortalecer processos comunitários de identificação e valorização cultural.

O trabalho articula comunicação, educação e gestão comunitária. Essa combinação permite que os registros sejam incorporados a ações formativas e culturais, estimulando a participação dos moradores e ampliando as possibilidades de circulação das narrativas locais. A comunicação não é tratada apenas como divulgação, mas como parte de uma estratégia coletiva de preservação e fortalecimento.

Em 2025, o Maraká Urbano foi reconhecido como Ponto de Cultura pelo Programa Cultura Viva. O reconhecimento reforça a inserção da iniciativa na política de cultura comunitária e evidencia a continuidade de seu trabalho de valorização das práticas e dos conhecimentos produzidos no território.

Mais do que preservar manifestações culturais, o projeto cria condições para que elas continuem sendo praticadas, ensinadas e transformadas pelas próprias comunidades. O registro audiovisual ajuda a conservar detalhes de gestos, sonoridades, vestimentas e narrativas, mas sua finalidade principal está em devolver força social a esses conhecimentos e ampliar sua presença no cotidiano e na formação das novas gerações.

Maraká Urbano demonstra que a comunicação comunitária pode funcionar simultaneamente como arquivo, ferramenta educativa e espaço de mobilização cultural. Ao registrar e devolver os saberes ao território, a iniciativa valoriza seus detentores, fortalece a memória coletiva e contribui para que as comunidades mantenham o controle sobre a forma como suas histórias e ancestralidades são representadas.

Acesse o trabalho na íntegra aqui

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