O fundador de um portal comunitário da Bahia foi detido por policiais durante uma operação no bairro onde trabalha. Não estava armado. Estava com a câmera na mão. Jornalistas de Rondônia deixaram de cobrir determinados temas porque os próprios parlamentares estaduais são os maiores anunciantes dos veículos onde trabalham. Em Maceió, um site ficou fora do ar por mais de seis meses depois de publicar uma reportagem que contrariava a narrativa da prefeitura sobre enchentes. Em Roraima, garimpeiros figuram entre os atores que pressionam comunicadores. Em um quilombo do Centro-Oeste, o avanço do agronegócio determina o que pode ou não ser publicado.
Esta investigação mapeou como diferentes formas de poder paralelo — políticos corruptos, empresários, forças de segurança, facções criminosas, garimpeiros e latifundiários — impactam a atuação, a segurança e as rotinas editoriais de veículos de jornalismo local nas cinco regiões do Brasil. A pesquisa (acessível neste link) ouviu 38 jornalistas e comunicadores entre fevereiro e maio de 2026, com apoio da Repórteres Sem Fronteiras (RSF). É o primeiro levantamento estruturado e de alcance nacional com foco específico no jornalismo local. Os respondentes estão distribuídos entre Norte e Sudeste, com 26,3% cada; Nordeste com 21,1%; Sul com 13,2% e Centro-Oeste com 13,2%.
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