Narrativas que resistem: ARTIGO 19 realiza oficinas de audiovisual com comunicadores periféricos

Em parceria com a Tenda Produtora e a ESPM Rio, a ARTIGO 19 Brasil e América do Sul realizou as oficinas “Produção de Narrativas Audiovisuais ” nos dias 10 e 11 de julho. A programação contou com dois dias de trocas, aprendizado e experiências com profissionais que constroem comunicação a partir dos territórios.  

Os encontros partiram da premissa que contar histórias é um ato político: principalmente quando comunidades produzem suas próprias narrativas, afirmam sua existência e preservam a memória.  

No primeiro momento do encontro, a jornalista, escritora e documentarista Gizele Martins apresentou os bastidores do documentário Cheiro de Diesel, registros e depoimentos sobre as violações de direitos humanos vividas por moradores da Favela da Maré, no Rio de Janeiro durante a militarização dos territórios para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.  

Em seguida, o jornalista e head de conteúdo do Fala Roça, Osvaldo Lopes, compartilhou o processo de construção de um jornalismo feito a partir da Rocinha – valorizando cultura, identidade e representatividade das favelas sem romantizar suas dificuldades.   

No sábado, a fotógrafa e diretora criativa Michele Gomes conduziu uma reflexão sobre criatividade, percepção e linguagem visual, apresentando como a fotografia pode ser ferramenta de expressão e narrativa.  

Encerrando o ciclo, Dríade Aguiar, co-fundadora da Mídia NINJA e integrante da rede Fora do Eixo, trouxe sua experiência em comunicação digital, cobertura de eventos e produção de conteúdo para redes sociais, reafirmando o poder da comunicação popular para fortalecer comunidades.  

A atividade é parte de um projeto coletivo entre as organizações para valorização da comunicação e cultura no Morro Santo Amaro e reuniu profissionais, estudantes e comunicadores na unidade Villa Aymoré da ESPM Rio (que fica ao lado do morro), para construir coletivamente novas formas de contar narrativas através do audiovisual.  

A oficina foi um convite ao exercício de criatividade, escuta e posicionamento entre os oficineiros e o público presente, com um lembrete que ecoou entre todos: memória se preserva, liberdade artística se exerce e comunicação comunitária se fortalece quando praticada em conjunto. 

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