“No Olho da Rua”: exposição de Sato do Brasil no Memorial da Resistência destaca arte, midiativismo e direito ao protesto

A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul participou da abertura da exposição No Olho da Rua, realizada no Memorial da Resistência de São Paulo (Largo General Osório, 66 – Santa Ifigênia, São Paulo/SP).  

A mostra reúne fotografias de Sato do Brasil, com curadoria da pesquisadora Juliana Caffé, e propõe um percurso por uma década de mobilizações, manifestações culturais, ocupações e atos políticos que marcaram as ruas de São Paulo entre 2015 e 2025. A exposição está disponível até 28 de março de 2027 com entrada gratuita.  

“É muito louco ver imagens de mais de dez anos juntas, impressas, na parede. Tentei contar as histórias como elas foram, mas, olhando para as imagens, lembro de tanta coisa mais: histórias, vidas, relacionamentos, gente que se foi, gente que cresceu, gente que passei a amar. Tanta luta, tantos confrontos absurdos, cor, fumaça, bomba; muitos cantos, berros e silêncio também. Jornalistas Livres, casadalapa, Birico, Frente 3 de Fevereiro, Condô Cultural, Aparelhamento e tantos outros. Agradeço a todo mundo que esteve comigo nessa viagem, que sempre foi coletiva e imensidão. Me fizeram me perder da solidão. Venham conhecer um pouco mais desse pequeno canto de um mundo que é muita gente”, conta Sato. 

As imagens reunidas ajudam a contar a história recente de lutas por democracia, moradia, educação, justiça racial, direitos das mulheres, direitos da população LGBTQIAPN+, proteção dos territórios indígenas, cultura e enfrentamento à violência de Estado.  

Ao registrar corpos, cartazes, faixas, performances, cortejos, assembleias e encontros coletivos, a exposição evidencia a centralidade das ruas como espaço de participação social, disputa de narrativas e exercício da liberdade de expressão. 

“O direito ao protesto é parte essencial da vida democrática. Em contextos de desigualdade, criminalização de movimentos sociais e avanço de discursos autoritários, proteger essas formas de expressão é também proteger a possibilidade de construção e defesa coletiva de direitos. Documentar protestos, proteger comunicadores e garantir a segurança de manifestantes são dimensões concretas da defesa da liberdade de expressão”, explica Maria Tranjan, coordenadora de Proteção e Participação Democrática da ARTIGO 19. 

Essa perspectiva dialoga diretamente com a publicação Exercendo Direitos em Protestos, produzida pela ARTIGO 19 no âmbito da campanha #LivreParaProtestar. O material reforça que os protestos são uma ponte entre pessoas e direitos, reunindo informações jurídicas e recomendações práticas para apoiar indivíduos, coletivos, comunicadores e movimentos sociais antes, durante e depois de manifestações.  

Além das fotografias, a exposição é acompanhada por um mapeamento de coletivos e movimentos sociais realizado por Sato do Brasil a partir das mobilizações presentes na mostra.  

O levantamento evidencia uma parte da rede que sustenta essas ações no espaço público paulista e reúne iniciativas artísticas, culturais, populares, territoriais, antirracistas, feministas, estudantis, de moradia, comunicação independente e defesa de direitos que, ao longo da última década, ajudaram a produzir memória, presença e disputa democrática nas ruas. 

A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul reforça que defender a liberdade de expressão é reconhecer e proteger a potência das vozes, imagens e coletividades que ocupam as ruas para denunciar violações, reivindicar justiça e imaginar outros futuros possíveis. A arte, quando encontra o protesto, torna-se linguagem de resistência, memória coletiva e afirmação democrática.  

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