A cerimônia em homenagem ao indigenista Bruno Pereira e ao jornalista Dom Phillips, realizada na quarta-feira, 11 de junho, em Brasília/DF, foi marcada por momentos especialmente simbólicos. Assista a transmissão do evento no YouTube do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania – aqui.
Durante o evento, o Ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Sidônio Palmeira, formalizou o pedido em nome do Estado brasileiro, reconhecendo os discursos difamatórios e de ódio que foram dirigidos às vítimas no contexto de seu desaparecimento e assassinato, em 2022. O pedido também reconheceu o papel fundamental dos povos indígenas na busca e localização dos corpos e da contribuição do jornalismo local e da comunicação popular e comunitária para o esclarecimento dos fatos. Assista o trecho em nosso Instagram.
Esse gesto representa um importante passo no processo de reconhecimento das responsabilidades do poder público diante das violações ocorridas e é resultado de anos de mobilização da sociedade civil, dos familiares, de movimentos sociais, de organizações de direitos humanos e do Sistema Interamericano de Direitos Humanos.
“Anos de mobilização da sociedade civil, dos familiares e de lideranças indígenas pressionando o Estado brasileiro perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos”, destaca Raquel da Cruz Lima, coordenadora do Centro de Referência Legal da ARTIGO 19.
A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul, em conjunto com outras entidades, teve papel relevante nesse processo, contribuindo para a solicitação de medidas cautelares junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), cobrando a atuação do Estado diante das violações e denunciando os ataques, a difamação e os discursos de ódio direcionados a Dom e Bruno durante o período das buscas.
Para a organização, o assassinato de Dom Phillips e Bruno Pereira constitui uma das mais graves violações à liberdade de expressão e ao direito à informação no Brasil recente, na medida em que buscou silenciar denúncias sobre crimes ambientais, violações de direitos indígenas e a atuação de grupos criminosos na Amazônia.
Nesse processo de reconhecimento, também tivemos a divulgação dos vencedores da primeira edição do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação em Defesa do Meio Ambiente, dos Povos Indígenas e das Comunidades Tradicionais, iniciativa que reforça a importância de preservar a memória, o legado e a luta de ambos.
Mais do que um gesto simbólico, o pedido de desculpas reafirma o compromisso com a verdade, a memória, a justiça e as garantias de não repetição. Dom e Bruno foram assassinados por defenderem os direitos humanos, os povos indígenas e a floresta. Seu legado permanece vivo, e sua luta continua sendo um chamado à proteção de jornalistas, comunicadores, defensores ambientais e povos tradicionais em todo o país.
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