ARTIGO 19 manifesta profundo repúdio a violência da PM-RJ contra jornalista esportivo

A ARTIGO 19 Brasil e América do Sul manifesta profundo repúdio e indignação com mais um caso de violência e racismo que atinge a atuação e a vida de profissionais de comunicação negros no Rio de Janeiro. Na madrugada de segunda-feira (24/02), o jornalista Igor Melo de Carvalho, responsável pelo site Informe Botafogo, foi baleado por um policial militar da reserva no bairro da Penha, acusado injustamente por um assalto que não cometeu.

Igor, que além de ser estudante de publicidade e propaganda da faculdade Celso Lisboa e jornalista esportivo, trabalha como garçom no bar samba Batuq, local em que pediu uma moto via 99 Táxi para voltar para casa após o expediente. No trajeto, a moto foi perseguida por um carro, cujos ocupantes dispararam tiros atingindo-o pelas costas. Igor segue hospitalizado, perdendo um rim em decorrência da violência, além de ter sido mantido sob custódia policial no Hospital Estadual Getúlio Vargas. Devido à custódia policial, os familiares de Igor foram impedidos de visitá-lo e de ter informações detalhadas sobre seu estado de saúde e recuperação.

O autor confesso dos disparos é o policial militar da reserva Carlos Alberto de Jesus. Em depoimento, ele alegou ter agido após a esposa ter supostamente reconhecido Igor e o motorista do veículo como assaltantes, responsáveis por roubar seu celular. No entanto, na hora do suposto assalto, Igor ainda estava trabalhando, o que evidencia a falta de fundamento das acusações.

Essa ação violenta e desproporcional de agentes da segurança pública do Rio de Janeiro é mais um exemplo alarmante do racismo estrutural e da brutalidade policial que afeta a vida de pessoas negras, incluindo profissionais de comunicação. A ARTIGO 19 considera inaceitável que situações como essa voltem a se repetir e que Igor tenha sido mantido sob custódia sem qualquer evidência substancial que justifique tal medida.

Nesse sentido, a ARTIGO 19 cobra das autoridades públicas uma resposta imediata e contundente para a apuração dos fatos, além da responsabilização dos envolvidos e do respeito aos familiares que tentam acompanhar o estado de saúde do comunicador. É imprescindível que medidas sejam tomadas para garantir que tais abusos de poder não voltem a ocorrer e que o estado do Rio de Janeiro priorize endereçar de forma efetiva o cenário de medo infligido à população através de suas forças policiais.

Icone de voltar ao topo