Nota de apoio à campanha “Jornalistas contra o assédio”

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No início do mês de junho, uma repórter do portal IG denunciou o assédio verbal que sofreu diversas vezes durante uma entrevista com o cantor Biel. O ocorrido foi testemunhado por outras pessoas que acompanhavam a entrevista e a jornalista registrou posteriormente uma denúncia formal junto à 1ª Delegacia da Mulher de São Paulo. O caso foi divulgado no próprio portal onde a profissional trabalhava e em seguida em muitos outros veículos de comunicação ao redor do país. Mulheres jornalistas manifestaram seu apoio à repórter e, após a notícia de que ela havia sido demitida, o caso ganhou ainda mais repercussão.

 

A indignação com o ocorrido e a sensação de solidariedade de quem enfrenta situações similares geraram a campanha “Jornalistas contra o assédio”, organizada por um grupo independente de jornalistas. O mote da campanha é combater o assédio sexual, uma violação vivenciada por muitas jornalistas no exercício da profissão. Alguns exemplos estão no vídeo lançado pelo grupo, que traz importantes relatos de machismo enfrentado por mulheres comunicadoras, como assédio sexual, assédio moral e discriminação de gênero. Uma das jornalistas do vídeo relata, por exemplo, ter escutado que “as mulheres faziam as matérias mais lights, de comportamento, previsão do tempo, de bichinhos. E os homens faziam as matérias mais aprofundadas, de política e economia”.

 

Desde o seu lançamento, no dia 20 de junho, a página de Facebook dedicada à campanha já acumulou quase 15 mil curtidas. Um tuitaço com a hashtag #jornalistascontraoassédio inundou as redes de relatos de jornalistas enfrentando situações de discriminação e abuso pelo simples fato de serem mulheres.

 

A rede espontaneamente criada pela campanha “Jornalistas contra o assédio” reforça a importância da união na discussão de temas importantes na sociedade. A quantidade de mulheres se unindo à campanha reforça o caráter sistêmico das discriminações de gênero na sociedade e na comunicação, mostrando que não são casos isolados e sim uma realidade que se faz presente para muitas profissionais de comunicação no Brasil e que precisa ser urgentemente combatida.

 

A campanha também reforça a importância da discussão sobre a igualdade de gênero ser pautada e construída dentro dos próprios veículos de comunicação onde trabalham muitas dessas profissionais que relataram serem vítimas de assédio ou discriminação. A mídia não deve reproduzir estereótipos de gênero que contribuem enormemente para a postura da sociedade com a mulher, a começar pela maneira como trata suas próprias profissionais, dando todo o suporte para que elas experimentem a igualdade de gênero no ambiente de trabalho.

 

A ARTIGO 19 demonstra seu apoio e solidariedade à campanha “Jornalistas contra o assédio” e ressalta que o direito a liberdade de expressão só se efetivará quando todos e todas puderem se expressar igualmente, independente de gênero.

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