Nota sobre a onda de violações no Rio de Janeiro

nota sobre as violações no rio
A ARTIGO 19 condena veementemente a onda de violações perpetradas por agentes públicos no Rio de Janeiro, no último fim da semana, quando do jogo final da Copa do Mundo.

No sábado (12), 19 pessoas foram detidas “preventivamente” pela polícia carioca por terem alguma forma de ligação com manifestações. Os presos estão sendo denunciados por “associação criminosa”, sem que no entanto haja qualquer evidência consistente para sustentar a acusação. Trata-se de uma medida arbitrária e ilegal, que visou desarticular a manifestação marcada para o dia seguinte e intimidar todos aqueles que pretendiam participar dela.

Já no domingo (13), as cerca de mil pessoas presentes à manifestação marcada na Praça Saens Peña, na Tijuca, a dois quilômetros do estádio do Maracanã, sofreram com dura repressão policial. Os manifestantes foram impedidos de sair em marcha após a polícia carioca, presente em um efetivo completamente desproporcional, ter colocado em prática a estratégia conhecida como “kettling”, que consiste no cercamento total aos manifestantes, e que perdurou durante toda a partida entre Argentina e Alemanha.

Após algumas pessoas terem tentado furar o cerco, os policiais atacaram duramente a manifestação com bombas de efeito moral, balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e golpes de cassetete. Diversos manifestantes ficaram feridos e ao menos seis foram detidos.

Jornalistas independentes e de veículos de mídia foram alvos deliberados por parte dos policiais, que em determinado momento focaram em pessoas que portavam câmeras. Ao menos 10 ficaram feridos.

Tanto as prisões preventivas quanto a intensa repressão policial vista no Rio de Janeiro se configuram em graves violações contra os direitos à reunião e à liberdade de expressão, previstos na Constituição Federal, ao visar inibir a realização de manifestações de rua.

Durante toda a Copa do Mundo, o Brasil viu diversos protestos serem alvos de violações sistemáticas por parte das forças de segurança. Este cenário estarrecedor às liberdades fundamentais faz lembrar o modus operandi de uma ditadura – exatamente como aquela que o país vivenciou há algumas décadas.

Foto: Mídia Ninja

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